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Resenha - Livro O Que Ética

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Por:   •  30/3/2014  •  10.196 Palavras (41 Páginas)  •  1.052 Visualizações

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Resenha do livro: O que é Ética, Álvaro L. M. Valls, Coleção Primeiro Passos – Editora Brasiliense

Os problemas da Ética

Ética é uma daquelas coisas que todo mundo sabe o que são, mas que não são fáceis de explicar, quando alguém pergunta. Hoje em dia ela é entendida como um estudo ou uma reflexão, científica ou filosófica, e eventualmente até teológica, sobre os costumes ou sobre as ações humanas. A Ética também se distingue de outros ramos do saber, como o direito, a teologia, a estética, a psicologia, a história, a economia e outros.

As questões da ética nos aparecem a cada dia. As vezes nos perguntamos se uma lei injusta de um Estado -autoritário precisa ou não ser obedecida. Como também se um mandamento evangélico de amor aos inimigos seria válido como uma obrigação ética para todos.

Os problemas mencionados do livro implicam todos alguma relação com outras disciplinas teóricas e práticas, mas são todos problemas específicos da ética. Mas há um outro problema fundamental. Os costumes mudam e o que ontem era considerado errado hoje pode ser aceito. É claro que, de qualquer maneira, a ética tem pelo menos também uma função descritiva: precisa procurar conhecer, apoiando-se em estudos de antropologia cultural e semelhantes, os costumes das diferentes épocas e dos diferentes lugares.

A ética tem sido também uma reflexão teórica, com uma validade mais universal. Como não se admirar diante da diversidade dos costumes. Não são apenas os costumes que variam, mas também os valores que os acompanham, as próprias normas concretas, os próprios ideais, a própria sabedoria, de um povo a outro.

Para o autor certamente deve haver um princípio ético supremo, que perpasse a pré-história e a história da humanidade. Mas como dito, devido a grande diversidade cultural é difícil uma definição de um principio supremo de ética.

Mas então deve-se perguntar qual a importância desta regulamentação ética para nós hoje, numa época de capitalismo selvagem, onde a grande maioria se sustenta ou empobrece graças exclusivamente ao seu trabalho pessoal, à sua força de trabalho, independente de linhagem e de herança.

Talvez tivesse o cristianismo trazido esta ética absoluta, válida acima das fronteiras de tempo e espaço. Para Max Weber esta ética não era em todo o caso, simples, clara e acessível a todos. Pois os protestantes, principalmente os calvinistas, sempre valorizaram eticamente muito mais o trabalho e a riqueza, enquanto os católicos davam um valor maior à abnegação, ao espírito de pobreza e de sacrifício. E a diversidade simultânea não é a única: maiores são as variações de um século para outro. Pensamento que eu, particularmente não concordo, pois vejamos hoje como vive a igreja católica.

Não seria exagerado dizer que o esforço de teorização no campo da ética se debate com o problema da variação dos costumes. E os grandes pensadores éticos sempre buscaram formulações que explicassem, a partir de alguns princípios mais universais, tanto a igualdade do gênero humano no que há de mais fundamental, quanto as próprias variações. Uma boa teoria ética deveria atender a pretensão de universalidade, ainda que simultaneamente capaz de explicar as variações de comportamento, características das diferentes formações culturais e históricas.

Dois nomes merecem ser citados: o grego Sócrates e o alemão Kant. Sócrates usava o método da maiêutica (interrogar o interlocutor até que este chegue por si mesmo à verdade). Sócrates foi chamado de "o fundador da moral", porque a sua ética não se baseava simplesmente nos costumes do povo e dos ancestrais, assim como nas leis exteriores, mas sim na convicção pessoal, adquirida através de um processo de consulta ao seu "demônio interior", na tentativa de compreender a justiça das leis. O movimento de interiorização da reflexão e de valorização da subjetividade ou da personalidade começa com Sócrates, parece que ele culmina com Kant, lá pelo final do século XVIII. Kant buscava uma ética de validade universal, que se apoiasse apenas na igualdade fundamental entre os homens. Sua filosofia se volta sempre, em primeiro lugar, para o homem, e se chama filosofia transcendental porque busca encontrar no homem as condições de possibilidade do conhecimento verdadeiro e do agir livre. No centro das questões éticas, aparece o dever, ou obrigação moral. O dever obriga moralmente a consciência moral livre, a vontade verdadeiramente boa deve agir sempre conforme o dever e por respeito ao dever. Kant achava que a igualdade entre os homens era fundamental para o desenvolvimento de uma ética universal.

Para Kant, legalidade e moralidade se tornam extremos opostos. Diante de cada lei, de cada ordem, de cada costume, o sujeito está obrigado, para ser um homem livre, a perguntar qual é o seu dever, e a agir somente da acordo com o seu dever.

Para Kant, os conteúdos éticos nunca são dados do exterior. Esta forma se expressa em várias formulações, no chamado imperativo categórico, o qual tem este nome por ser uma ordem formal nunca baseada em hipóteses ou condições. Para ele, “devo proceder sempre de maneira que eu possa querer também que a minha máxima se torne uma lei universal". Kant procurou deduzir da própria estrutura do sujeito humano, racional e livre, a forma de um agir necessário e universal. É moralmente necessário todos ajam assim.

ÉTICA GREGA ANTIGA

Entre os anos 500 e 300 a.C., aproximadamente, é o período importante não só para os gregos, ou para os antigos, mas um período onde surgiram muitas idéias e muitas definições e teorias que até hoje nos acompanham. Não são apenas Sócrates, Platão e Aristóteles os responsáveis por esta fabulosa concentração de saber e pela análise e reflexão sobre o agir do homem.

A reflexão grega neste campo surgiu como uma pesquisa sobre a natureza do bem moral, na busca de um princípio absoluto da conduta. Ela procede do contexto religioso, onde podemos encontrar o cordão umbilical de muitas idéias éticas, tais como as duas formulações mais conhecidas: "nada em excesso" e "conhece-te a ti mesmo". O contexto em que tais idéias nasceram está ligado ao santuário de Delfos do deus Apolo.

O grande sistematizador, entre os discípulos de Sócrates, foi Platão (427-347 a.C.). Nos Diálogos que deixou escritos, ele parte da idéia de que todos os homens buscam a felicidade. A maioria das doutrinas gregas colocava, realmente, a busca da felicidade no centro das preocupações éticas.

Para ele o sábio não é um cientista teórico, mas um homem virtuoso ou que

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