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Mito E Filosofia

Por:   •  17/2/2014  •  706 Palavras (3 Páginas)  •  723 Visualizações

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A Filosofia, entre os Gregos, constituiu-se por meio de uma passagem do mito à razão.

Antes do surgimento da Filosofia, as explicações da realidade eram fornecidas pelos mitos. Essas explicações eram sagradas, pois diziam respeito aos deuses. Sem a força dos seres divinos, as explicações humanas passam a contar com um rigor racional, como explica a professora Marilena Chauí:

“O mito não se importava com contradições, com o fabuloso e o incompreensível, não só porque esses eram traços próprios da narrativa mítica, como também porque a confiança e a crença no mito vinham da autoridade religiosa do narrador. A Filosofia, ao contrário, não admite contradições, fabulações e coisas incompreensíveis, mas exige que a explicação seja coerente, lógica e racional; além disso, a autoridade da explicação não vem da pessoa do filósofo, mas da razão, que é a mesma em todos os seres humanos”. CHAUI, Marilena. Filosofia. São Paulo: Ática, 2005. p. 25.

Mas porque os gregos começaram a explicar o mundo de uma forma diferente da explicação mitológica? Em outros termos, o que tornou possível a passagem da cosmogonia à cosmologia?

De acordo com o historiador e antropólogo Jean-Pierre Vernant, há causas para a origem da Filosofia e cada uma delas operou uma mudança significativa no modo de pensar do homem na Antiguidade grega, permitindo a formação de coisas novas como a Filosofia. São elas:

1) Navegações: uma parte considerável da vida dos gregos relacionava-se com o mar. Era de onde, por exemplo, conseguiam obter parte significativa de sua alimentação. Vivendo muito no mar, os gregos não encontraram muitos dos monstros marinhos narrados pela história oral e nem vivenciaram seres e histórias narradas por poetas. Assim, as navegações contribuíram para o “desencantamento do mundo”. Fazia-se necessário um saber que explicasse os fatos ocorridos na natureza que não recorresse a histórias sobrenaturais.

2) Calendário e moeda: viver podendo pensar o tempo abstratamente e quantificando valores para realizar trocas não é algo que sempre ocorreu na história da humanidade. Quando os gregos passaram utilizar o calendário e a moeda, introduzida pelos fenícios, conseguiram abstrair valores como símbolo para as coisas, fazendo avançar a capacidade de matematizar e de representação.

3) Escrita. Outro fator que potencializou em grande medida o poder de abstração do homem grego foi transcrever a palavra e o pensamento com símbolos: eis o alfabeto. A escrita permite o pensamento mais aguçado sobre algo quando ficamos lendo e analisando alguma coisa, como, por exemplo, uma lei. Ao ser fixada, a lei fica exposta como um bem comum de toda a cidade, um saber que não é secreto como um saber vinculado ao exercício de um sacerdote, mas propriamente público, além de estabelecer uma nova noção na atividade

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