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Chico Buarque - Leite Derramado

Por:   •  6/5/2013  •  1.028 Palavras (5 Páginas)  •  542 Visualizações

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1 - O AUTOR

Francisco Buarque de Holanda nasceu em 1944 e é multifacetado. Mais conhecido como Chico Buarque já desenvolveu trabalhos como cantor, dramaturgo, escritor e compositor.

Chico Buarque é filho do historiador Sérgio Buarque de Holanda, homem que tentou explicar através de seu livro “Raízes do Brasil”, publicado em 1936, a identidade do brasileiro, que segundo ele, é derivada do processo de colonização realizada pelos portugueses.

Chico iniciou o curso de arquitetura em 1963, o qual abandonou em 1965, ano no qual passou a se dedicar a carreira artística. No ano seguinte, com a música “A Banda”, venceu o Festival de Música Popular Brasileira.

Chico Buarque é um grande influenciador nacional, fato que desagradou os ex-presidentes no período ditatorial, tais como Emílio Garrastazu Médici e Ernesto Geisel, que o censuraram pelas atividades em favor à repressão ao regime. A crítica ao governo de Médici através de suas letras fez Chico se auto-exilar na Itália e adotar o pseudônimo de Juninho da Adelaide, nome com o qual assinou 3 músicas.

Sempre com múltiplos sentidos em suas obras, denunciou aspectos sociais, econômicos e culturais do período ditatorial brasileiro. Através da polissemia, Chico descobriu um grande aliado para suas composições e obras literárias.

“Leitura, vista em sua acepção mais ampla, pode ser entendida como ‘atribuição de sentidos’. Por outro lado, pode significar ‘concepção’, e é nesse sentido que é usada quando se diz ‘leitura de mundo’.”

ORLANDI, Eni (1987. p.07)

“Quando se lê, considera-se não apenas o que está dito, mas também o que está implícito: aquilo que não está dito e que também está significando.”

ORLANDI, Eni (1987. p.11)

Como autor, Chico Buarque publicou seu primeiro livro em 1966. Em 1991 lançou o romance “Estorvo”, e em 1995 “Benjamin”, antecessor de “Budapeste” (2003), obra pela qual recebeu o Prêmio Jabuti, e de “Leite Derramado” (2009), obra a ser aprofundada posteriormente.

Em entrevista à revista Rolling Stones, em outubro de 2011, Chico Buarque comentou sobre o esforço requerido para ser autor e compositor e ressaltou a dificuldade que encontra nos momentos de transição entre as duas áreas.

“Minha primeira sensação, quando pego o violão depois de um longo tempo, é a de que não sei mais como se faz uma música. Eu não tenho ideia de como se compõe. É como se fosse um instrumento alheio, como se não me dissesse respeito. É um momento de quase flerte com a música, de procurar me reaproximar. Então pego o violão e começo a tocar: “Que diabo é isso? Pra onde vou?” Ou então os acordes já vêm na sequência que vinham antes, começam a se repetir e tocar quase que mecanicamente. Até voltar a dominar aquilo leva um bom tempo. Quando vou escrever um livro, é a mesma coisa. É um exercício, que se tem que fazer até se sentir dentro da coisa.”

(BUARQUE, Chico)

2 - A OBRA

2.1 – ASSUNTO GLOBAL DA OBRA

Leite Derramado, livro escrito por Chico Buarque em 2009, trata das memórias de Eulálio Montenegro D’Assumpção, personagem com 100 anos de idade que sofre de Mal de Alzheimer e conta, em capítulos com parágrafos únicos, sem ordem cronológica, a história de sua família ao longo dos últimos dois séculos.

Eulálio fez parte de uma família nobre e foi moldado por diversos preconceitos, os quais ficam evidenciados nas lembranças do personagem central, que não perde os traços derivados de sua família com a decadência do patrimônio dos Assumpção.

Matilde, esposa de Eulálio, é quem mais sofre durante a trama com os preconceitos do narrador. Eulálio aparenta ter vergonha da mulher que julga inferior a ele.

“Política não lhe interessava, negócios, muito menos, amava fitas de caubói, mas não sustentaria uma conversação sobre literatura. Pouco sabia de ciências, geografia e história, apesar de ter estudado no Sacré-Coeur. Aos 16 anos, quando deixou o colégio para casar comigo, não tinha completado o curso ginasial. Estudara piano, como todas as meninas do seu gabarito, mas tampouco brilhava nessa matéria.” (p. 45).

Matilde também participa da trama que prende a atenção do leitor, ocasionada de uma dúvida sobre a infidelidade dela com o francês Dubosc, melhor amigo de Eulálio, que omite as idas até a casa do amigo.

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