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Os Meios do Bom Adestramento

Por:   •  23/3/2020  •  Abstract  •  498 Palavras (2 Páginas)  •  6 Visualizações

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Os Meios do Bom Adestramento

M. Focoult

Em vez de extorquir e cobrar, o poder disciplina tem por função principal “adestrar”, ou, adestrar para cobrir mais e melhor. Não junta as forças para as subjugar; tenta uni-las e multiplica-las e utiliza-las em conjunto. Em vez de subjugar uniformemente e em massa tudo o que lhe está submetido, separa, analisa e, diferencia, leva os seus processos de decomposição até às singularidades necessárias e suficientes. Adestra as multidões móveis, confusas e inúteis de corpos e forças numa multiplicidade de elementos individuais (…) A disciplina fabrica indivíduos; é a técnica específica d num poder que vê os indivíduos como objetos e instrumentos do seu exercício.

O sucesso do poder disciplinar deve-se à utilização de instrumentos simples: o olhar hierárquico, a sanção normalizadora e a combinação destes num processo específico: o exame.

1. A Vigilância Hierárquica

O exercício da disciplina pressupõe um dispositivo que coaja por meio do olhar; um aparelho no qual as técnicas que permitem ver induzam efeitos de poder, e no qual, em contrapartida, os meios de coerção tornem claramente visíveis aqueles sobre os quais se exercem. (…)

Durante muito tempo, encontrou-se no urbanismo, na construção das cidades operárias, dos hospitais, dos asilos, das prisões e das cassas de correção este modelo de acampamento ou, pelo menos o princípio que o sustenta: o encaixotamento espacial das vigilâncias hierarquizadas.

Desenvolve-se então toda uma problemática: a de uma arquitetura que já não é feita simplesmente para ser parecida ou para vigiar o espaço exterior, mas sim para permitir um controlo interior, articulado e pormenorizado, para tornar visíveis os que nela se encontram (…)

À medida que o aparelho de produção se torna mais importante e mais complexo, à medida que aumentam o número de operários e aa divisão do trabalho, as tarefas de controlo tornam-se mais necessárias e mais difíceis. Vigiar passa a ser uma função definida, mas que deve ser parte integrante do processo de produção; deve estender-se a todo o processo. Torna-se indispensável pessoal especializado, constantemente presente e distinto dos operários:  “Na grande manufactura, tudo se faz ao toque da campainha, os operários  são coagidos e reprimidos. Os chefes, acostumados a a vê-los com um ar de superioridade e de comando, que é realmente necessário com multidão, tratam-nos de forma dura e com desprezo (…).

A vigilância torna-se operador económico decisivo, na medida em que é, simultaneamente, umas peça interna do aparelho de produção, uma engrenagem específica do poder disciplinar (…)

A vigilância hierarquizada, continua e funcional não é certamente das grandes invenções técnicas do sec. XVIII, mas a sua extensão insidiosa deve a sua importância às novas mecânicas de poder que traz consigo. Graças a ela, o poder disciplinar torna-se um sistema “integrado”, ligado do interior à economia e  aos fins do dispositivo onde é exercido. Organiza-se também como um poder múltiplo, automático e anónimo; entra a vigilância se baseie em indivíduos, o seu funcionamento é de uma rede de relações de cima para baixo, mas até certo ponto, também de baixo para cima.

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