Relatório Amazônia
Por: greenmiranda • 13/4/2026 • Trabalho acadêmico • 3.345 Palavras (14 Páginas) • 12 Visualizações
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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO ACRE – UFAC
CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS – CFCH
Cláudia Joseanne Miranda da Silva
Rio Branco - Acre
2026
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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO ACRE – UFAC
CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS – CFCH
Cláudia Josenne Miranda Silva
Trabalho apresentado à disciplina de História da Amazônia II, ministrada pelo professor Me. Euzébio de Oliveira Monte para composição da nota N1.
Rio Branco - Acre
2026
Aula de 05.11.2025
A aula inaugural da disciplina teve como propósito introduzir os principais temas que serão abordados ao longo do curso, com especial atenção aos conflitos históricos que marcaram a região Amazônica. O ponto de partida da contextualização foi a Revolta da Cabanagem (1835–1840), um dos movimentos populares mais significativos do Brasil no século XIX, que resultou na morte de aproximadamente 30 a 40 mil pessoas, o que representava quase 30% da população da então Província do Grão-Pará.
Esta insurreição expressou, de forma violenta, as tensões sociais, étnicas e políticas que permeavam a região, marcada por desigualdade extrema e ausência de representatividade das populações locais nos centros de decisão do Império.
A Cabanagem evidenciou a dificuldade de controle estatal sobre a vasta e complexa região amazônica, o que contribuiu para a posterior reorganização político-administrativa do território. Em 1850, com a criação da Província do Amazonas, ocorreu a cisão da antiga Província do Grão-Pará, estabelecendo uma nova configuração territorial que buscava facilitar a administração imperial e fortalecer o domínio sobre uma região estratégica, porém historicamente marginalizada.
Essa reorganização foi apenas o início de uma série de eventos que moldariam a presença do Estado brasileiro na região amazônica. Após a autonomia da Província do Amazonas, intensificaram-se os conflitos de fronteira e disputas territoriais, como no caso da questão do Acre. O território acreano, originalmente pertencente à Bolívia, passou a ser ocupado por seringueiros brasileiros, o que gerou tensões diplomáticas que culminaram na Revolução Acreana (1899–1903) e, posteriormente, na assinatura do Tratado de Petrópolis em 1903, pelo qual o Brasil anexou oficialmente o Acre.
Nesse contexto de expansão e consolidação territorial, destaca-se a atuação do Marechal Cândido Rondon, figura central nas políticas de integração da região amazônica ao restante do país. Rondon liderou expedições telegráficas, estabelecendo infraestrutura de comunicação em áreas isoladas e promovendo uma política de contato pacífico com os povos indígenas, ainda que inserida em um projeto civilizatório nacionalista.
Décadas mais tarde, a região amazônica voltaria a ser palco de tensões, desta vez durante o período da ditadura militar. As Guerrilhas do Araguaia (década de 1970) representaram uma tentativa de organização revolucionária de inspiração comunista que encontrou refúgio na densa floresta, enfrentando repressão severa por parte do Exército Brasileiro. Esses conflitos expressam a continuidade histórica da Amazônia como espaço de disputa, resistência e intervenção estatal, reiterando sua importância geopolítica e simbólica no imaginário nacional.
Aula 12.11.2025
Na aula seguinte, a organização da disciplina avançou para uma dimensão mais prática, com a divisão da turma em duplas responsáveis pela elaboração e apresentação de um seminário ao final da segunda avaliação (N2). Antes da definição dos temas, o professor realizou uma contextualização histórica ampla, situando os estudantes nos principais processos políticos, econômicos e sociais do século XIX, articulando os acontecimentos do cenário mundial, brasileiro e amazônico.
No plano internacional, o século XIX foi marcado por transformações profundas que redefiniram a ordem global. A Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra, provocou mudanças estruturais na produção, no trabalho e na organização das sociedades, consolidando o capitalismo industrial. Paralelamente, difundiram-se as ideias liberais e nacionalistas, que impulsionaram revoluções e processos de unificação nacional, como na Itália e na Alemanha. O período também foi caracterizado pelo avanço do imperialismo europeu sobre a África e a Ásia, intensificando disputas territoriais e econômicas e ampliando as desigualdades entre as potências industriais e as regiões colonizadas.
No Brasil, o século XIX foi um período de construção do Estado nacional e de intensas tensões internas. Após a Independência, em 1822, o país enfrentou o desafio de consolidar a unidade territorial e política sob um governo centralizado. Durante o período regencial, diversas revoltas eclodiram em diferentes províncias, expressando insatisfações sociais e políticas, entre elas a Cabanagem, a Balaiada e a Farroupilha. Ao longo do Segundo Reinado, o Brasil passou por transformações econômicas e sociais significativas, como a expansão da economia cafeeira, o gradual enfraquecimento do sistema escravista, culminando na Abolição da Escravidão em 1888, e, no ano seguinte, a Proclamação da República, que encerrou o regime monárquico.
Na Amazônia, esses processos assumiram características próprias, marcadas pela distância do poder central e pela complexidade do território. A Revolta da Cabanagem, ocorrida entre 1835 e 1840, foi um dos episódios mais emblemáticos do século XIX brasileiro, evidenciando a exclusão política e social das populações locais e resultando em um elevado número de mortes. Como resposta às dificuldades de controle e administração da região, o Império promoveu, em 1850, a criação da Província do Amazonas, separando-a do Grão-Pará, em uma tentativa de reforçar a presença estatal e reorganizar o território.
A partir da segunda metade do século XIX, a Amazônia passou a ganhar maior relevância econômica e estratégica, especialmente com a exploração da borracha, o que intensificou disputas territoriais, como a questão do Acre. Esses conflitos, embora solucionados apenas no início do século XX, tiveram origem no contexto de expansão econômica e ocupação da região iniciado ainda no período imperial. Assim, a contextualização apresentada na aula buscou demonstrar como a Amazônia esteve integrada aos grandes processos históricos do século XIX, ao mesmo tempo em que vivenciou conflitos específicos decorrentes de sua realidade social, econômica e geográfica.
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