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Os Gêneros Textuais - Teoria

Por:   •  27/6/2019  •  Exam  •  1.030 Palavras (5 Páginas)  •  10 Visualizações

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  1. Gêneros e tipos de discurso: considerações psicológicas e ontogenéticas – Bernard Schneuwly

  • O gênero pode ser considerado um instrumento psicológico, no sentido vygotskiano do termo.
  • Para Vigostsky, “Não podemos pensar o desenvolvimento psicológico como um processo abstrato, descontextualizado, universal: o funcionamento psicológico, particularmente no que se refere às funções psicológicas superiores, tipicamente humanas, está baseado fortemente nos modos culturalmente construídos de ordenar o real.” (OLIVEIRA, 1993, p. 24).
  • “O instrumento é um elemento interposto entre o trabalhador e o objeto do seu trabalho, ampliando as possibilidades de transformação da natureza. O machado, por exemplo, corta mais e melhor que a mão humana; a vasilha permite o armazenamento e o transporte da água.  O instrumento é feito ou buscado especialmente para um certo objetivo. Ele carrega consigo, portanto, a função para a qual foi criado e o modo de utilização desenvolvido durante a história do trabalho coletivo. É, pois, um objeto social e mediador da relação entre o indivíduo e o mundo.” (op. cit., p. 29)
  • O uso dos signos:

“A invenção e o uso de signos como meios auxiliares para solucionar um dado problema psicológico (lembrar, comparar coisas, relatar, escolher etc.) é análoga ao papel de um instrumento de trabalho.” (VYGOTSKY apud OLIVEIRA, 1993, p. 30).

Diferentes dos demais instrumentos (externos aos indivíduos), os signos são instrumentos psicológicos – orientados para o próprio sujeito, para seu interior, para o controle de ações psicológicas, seja dele próprio, seja de outras pessoas. São ferramentas que auxiliam nos processos psicológicos e não nas ações concretas, como os instrumentos.

  • Como um instrumento pode ser um fator de desenvolvimento das capacidades individuais?
  1. A atividade é concebida como tripolar: ação é mediada por objetos específicos, socialmente elaborados, frutos das experiências das gerações precedentes, através dos quais se transmitem e se alargam as experiências possíveis.

Os instrumentos guiam o indivíduo, determinam seu comportamento, afinam e diferenciam sua percepção da situação na qual é levado a agir.

As atividades existem nos instrumentos, que as significam.

O instrumento torna-se, assim, o lugar privilegiado da transformação dos comportamentos: explorar suas possibilidades, enriquecê-las, transformá-las são também maneiras de transformar a atividade que está ligada a sua utilização.

  1. Instrumento tem duas faces: o artefato e o esquema de utilização (tarefas a resolver). Conhecer os esquemas de utilização é fundamental para o domínio e o uso eficiente do instrumento. Esses esquemas são plurifuncionais: fazem ver o mundo de uma certa maneira e permitem conhecimentos particulares do mundo (ampliam as capacidades humanas). Definem classes de ações que se podem realizar pelas finalidades que permitem alcançar (escrever, cortar árvore, limpar) .

A apropriação do instrumento pela criança pode ser vista como processo que provoca novos conhecimentos e saberes, que abre novas possibilidades de ações, que sustenta e orienta essas ações.

GÊNERO E INSTRUMENTO

  • Escolhe-se um gênero em função de alguns parâmetros: finalidade, destinatário, conteúdo (base de orientação para a ação discursiva).
  • Os gêneros apresentam certa estabilidade: definem o que é dizível através deles (ex. bula de medicamento), tem uma certa estrutura definida por sua função (plano comunicacional) e um estilo (unidades linguísticas – léxico-gramática, modalizadores, organizadores textuais, conectivos, gestão de vozes).
  • Analogias com as demais situações: um locutor-enunciador age discursivamente numa situação definida por uma série de parâmetros  com a ajuda de um instrumento (um gênero textual) semiótico, complexo, prescritivo, coercitivo, que permite a produção e a compreensão de textos. Não inventamos gêneros a todo momento; submetemo-nos aos que estão disponíveis.
  • A tese de gênero como instrumento enquadra-se bem na concepção de Bakhtin, o qual não trata dos esquemas de utilização dos gêneros.
  • Primeiro esquema: o gênero deve se articular à base de orientação da ação discursiva (ao destinatário preciso, conteúdo preciso, finalidade). Segundo esquema: só se consegue pensar numa ação de linguagem se esta está prefigurada em algum gênero.  A ação discursiva é prefigurada pelos meios. “O conhecimento e a concepção da realidade estão parcialmente contidos nos meios de agir sobre ela. O instrumento é um meio de conhecimento.” Os demais esquemas constituem os diferentes níveis de operações necessárias para a produção de um texto: O gênero é o organizador global – o gênero funciona como um megainstrumento, como uma configuração estabilizada de vários subsistemas semióticos (linguísticos, paralinguísticos) permitindo agir eficazmente numa classe bem definida de situações comunicativas.  Esse megainstrumento está inserido em um complexo de megainstrumentos que contribuem para a sobrevivência de uma sociedade.

Gêneros primários e gêneros secundários

“Os gêneros secundários não são espontâneos. Seu desenvolvimento, sua apropriação implicam um tipo de intervenção nos processos de desenvolvimento diferente do necessário para o desenvolvimento dos gêneros primários.”

Os gêneros primários nascem nas trocas verbais espontâneas: experiência pessoal, automatismo, pouca possibilidade de escolha (relação inconsciente, involuntária).

Os gêneros secundários introduzem uma ruptura em pelo menos dois níveis:

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