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A BUSCA PELO VIVER COM QUALIDADE DE VIDA NA TERCEIRA IDADE: ENFRENTANDO AS ADVERSIDADES

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Por:   •  27/2/2015  •  4.466 Palavras (18 Páginas)  •  620 Visualizações

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A BUSCA PELO VIVER COM QUALIDADE DE VIDA NA TERCEIRA IDADE: ENFRENTANDO AS ADVERSIDADES

Gildete Alcaraz dos Santos

Antonia Luciléia Marques1

João Eduardo Coin de Carvalho

RESUMO

Trabalho realizado em um Centro de Convivência do Idoso no Município de Jandira. Atividade nomeada de Roda de Conversa, com temas preestabelecidos, encontros semanais, com duração de 2 horas cada encontro. Realizando-se sempre às quartas feiras. Usamos figuras, imagens e fotos sobre o tema abordado, para facilitar a associação do participante sobre o tema. Apresentamos poesias e músicas para elencarmos juntamente aos temas. Trabalho em grupo, com a presença de 10 a 15 idosos por reunião. Participação voluntária dos participantes, relatos oriundos dos próprios participantes, com permissão da fala livre e escuta dos participantes do grupo. Interação do grupo, permitida emoção e crítica entre os participantes. Trabalho realizado pelas estagiárias de Psicologia da Universidade Paulista de Alphaville, pela Disciplina Práticas de intervenções Psicológicas - Grupos e Comunidades – 10o Semestre. Abordagem da Psicologia Social, espaço para o grupo interagir, criar, crescer, gerar conhecimento, ser participante ativo e reativo.

Palavras Chaves: Psicologia Social, Grupos, Idoso, Roda de conversa.

THE SEARCH FOR LIVING WITH QUALITY OF LIFE IN OLD AGE: FACING ADVERSITY

Gildete Alcaraz dos Santos1

Antonia Luciléia Marques1

ABSTRACT

Work performed on a living Center for the elderly in the city of Jandira. Named Conversation wheel activity, with pre-set themes, weekly meetings, lasting 2:0 every encounter. Being always on Wednesdays. We use pictures, images and photos on the topic discussed, in order to facilitate the attendee's Association on the topic. We present poetry and songs for elencarmos along to the themes. Group work, with the presence of 10 to 15 seniors by meeting. Voluntary participation of participants, reports from the participants themselves, with permission from free speech and listening to the participants of the group. Group interaction, allowed emotion and criticism among the participants. Work performed by interns of psychology of Universidade Paulista of Alphaville, the Discipline Practices of Psychological interventions-groups and Communities – 10the Semester. Social Psychology approach, space for the group to interact, create, grow, generate knowledge, be active participant and reactive.

Key words: Social Psychology, groups, elderly, Wheel of Conversation

Introdução

A Psicologia Comunitária surgiu em meados da década de 60, um período de grandes transformações, não somente na área da Saúde Mental, mas também na sociedade em geral. (Ornelas, 1997)

Para Neves e Bernardes (1999), a psicologia comunitária opera dentro de um enquadre teórico da psicologia social crítica e propõe a compreender a constituição da subjetividade dos seres humanos numa comunidade, seja geográfica ou psicossocial. Ao compreender e para fazê-lo, funda-se no respeito ao saber e às práticas desses sujeitos e atua predominantemente com grupos.

Para Vasconcelos (1994), o trabalho do psicólogo comunitário é interdisciplinar, realizado por equipes multiprofissionais, com formação generalista. No campo da saúde, esse profissional atua como assessor e treinador de agentes de Saúde Mental. Para o psicólogo comunitário, o saber científico é relativizado diante do saber popular, sendo este uma importante via para acesso à Saúde Mental da população.

A questão do envelhecimento é real e palpável, lidar com a velhice carece de maior aprofundamento em todas as áreas. Conquistar um trabalho que envolva idosos é uma tarefa até fácil, mas produzir um trabalho com atenção, reconhecimento, valorização, significação e identificação do idoso é muito mais difícil.

Estima-se que no Brasil a população de idosos tem aumentado grandemente (IBGE, 2010). O que entra em questão é o controle da fecundidade e a taxa de mortalidade, juntamente com a imigração. Atualmente ocorre controle de fecundidade, as famílias estão estabelecendo no máximo de um filho, com as novas tecnologias na área médica as taxas de mortalidade baixaram, e as migrações também tiveram uma queda em nosso país. Segundo o IBGE de agosto de 2010, houve uma queda na quantidade de filhos que uma família planejava, por muitos fatores a planejamento familiar está cada vez mais difícil. São muitos os encargos para se-manter bem uma família. Essa queda está vinculada em uma melhor qualidade de vida, desejada pelas famílias. Ocorre que a partir da redução de gestações nos lares, a criança de ontem hoje está sendo um adulto, e posteriormente será um idoso. Teremos uma população de idosos enorme para cuidar e se preocupar. Esta condição tem levado à produção de políticas públicas que buscam que o idoso tenha opções de procurar melhores condições de vida, proporcionando um envelhecimento sadio e duradouro. O SUAS, tentando abranger toda a população, trouxe em todo esse processo, um espaço destinado ao idoso, chamado de núcleo de Núcleo de Convivência do idoso. (NCI)

Em uma de suas cartilhas o SUAS estabelece que o NCI

...destina-se ao segmento idoso com idade igual ou superior a 60 anos em situação de vulnerabilidade e risco pessoal e social. Tem por foco o desenvolvimento de atividades que contribuam no processo de envelhecimento saudável, no desenvolvimento da autonomia e de sociabilidades, no fortalecimento dos vínculos familiares, no convívio comunitário e na prevenção às situações de risco social. Oferece atividades socioeducativas planejadas, baseadas nas características, interesses e demandas dessa faixa etária. Devem incluir vivências que valorizam suas experiências e que estimulem e potencializem a condição de escolher e decidir. (NORMA TÉCNICA DOS SERVIÇOS SOCIOSASSISTENCIAIS, 2012, p. 139)

Baseado nesse texto do SUAS, percebe-se que é direito do idoso ter acesso a um envelhecimento saudável, atividades socioeducativas planejadas entre outros. Proporcionar que o idoso consiga associar suas experiências vividas, com possibilidades de fornecer expectativas de valorização para o ser humano que é atualmente.

No âmbito das políticas públicas de assistência social, o trabalho em grupo tem bastante importância no incremento de ações que possam providenciar uma maior aproximação e vinculação. De fato, Madalena Freire (1997) relata que o grupo é importante quando podemos exercitar o nosso pensamento, sistematizando-o para apresentá-lo ao outro, promovendo um grupo que mostre ter um saber e que mexa com esse saber. E ainda, um grupo que possibilite nos colocarmos dentro das diferenças dos pensamentos, das hipóteses e pontos de vista que formam os cenários grupais.

Para a autora, essa performance de grupo auxilia o crescimento individual e grupal, bem como proporciona a oportunidade de transformação individual e em grupo. O grupo se manifesta na fala do outro, emocionando-se, criticando, aceitando ou não o que foi colocado. É um momento citado pela autora como oportuno para exercitar os pensamentos e compartilhá-lo com os outros.

No mesmo texto, Freire (1997) cita Pichon-Riviére, dizendo que cada pessoa tem sua peculiaridade, o que o autor chamou de “identidade”. Esta é desenvolvida no grupo primário do participante, a família, e o acompanha pelos demais grupos nos quais irá se inserir no decorrer de sua vida, os grupos secundários.

Fazem parte desta identidade os que rompem os silêncios embaraçosos, os que com uma piada ou com criatividade desfazem uma tensão, os que sempre estão contra, os que sempre se fazem culpados e carregam as culpas, os que sempre chegam atrasados, os que saem no meio da atividade, os que discordam, os que concordam com tudo.

Lidar com um grupo de idosos, seria assim oportunidade para descobrir e fomentar estas identidades como parte de uma ação que busca maior aproximação entre participantes de projetos sociais, vislumbrando a autonomia e a construção de projetos coletivos.

Objetivo

O objetivo deste trabalho é discutir a realização de uma atividade psicossocial com idosos na área da Assistência Social, que pudesse contribuir com a autoestima, autonomia, representações, significados, reflexões e simbologia entre todos os participantes, atendidos por Centro de Convivência do Idoso (CCI) de um Município da Região Metropolitana de São Paulo. E também descrever e refletir acerca da experiência de estágio em Psicologia Comunitária com alunos dos últimos semestres do curso de Psicologia de uma universidade particular. Iremos abordar as contradições, os estigmas, as expectativas das estagiárias no que concerne à participação dos idosos, do retorno pretendido com a atividade exercida, e principalmente faremos uma abordagem crítica da experiência observada.

Métodos

As experiências alvo deste trabalho foram obtidas no estágio do curso de Psicologia, efetuado através da Disciplina Estratégias de Intervenções Psicológicas - Grupos e Comunidades da Universidade Paulista. Foram dois semestres desenvolvendo Rodas de Conversa, em uma Instituição municipal, um CCI (Centro de Convivência do Idoso) que trabalha com idosos do município.

A atividade foi realizada por duas estagiárias de Psicologia cursando o 10o semestre do 5o Ano, focando um trabalho psicossocial que possibilitasse a articulação com as Políticas Públicas que prezam pela autonomia, integração e participação do idoso na sociedade. Tal estágio, com ênfase em Psicologia Comunitária, buscava preparar o aluno para atuar desenvolvendo suas competências psicossociais em contexto da saúde pública e de assistência social, assim como proporcionar aos estudantes de psicologia a pratica das intervenções críticas e da promoção de saúde e de cidadania.

Escolhida a Instituição, uma das estagiárias ligou para a Coordenação da Instituição, com a finalidade de marcar dia e hora para uma visita, onde ambas estagiárias fariam a apresentação da proposta de estágio para a Coordenadora. Após a visita, ficou estabelecido dia e hora para darem início à atividade Roda de Conversa. Firmaram que seriam efetuadas reuniões uma vez por semana, no mesmo dia e no mesmo horário todas as semanas. A duração da atividade de Roda de Conversa seria de 2 horas semanais, realizada com um grupo de idosos.

Programou-se um cronograma com as datas e com os temas para a atividade de Roda de Conversa, também dinâmicas e provocadores nas abordagens dos temas. Cada semana uma estagiária era a Coordenadora da atividade e a outra estagiária a observava e fazia anotações, caso fossem necessárias. Marcou-se que a primeira Roda de Conversa seria a de apresentação, com uma dinâmica e a última seria o encerramento, com um coffee break. Seria redigido um relatório de devolutiva para a Instituição, quando do término da atividade de Roda de Conversa.

Após cada atividade era efetuado um relatório contendo detalhadamente tudo o que ocorreu na reunião, e, quem coordenou a atividade era o responsável em redigir esse relatório. Além da descrição das falas dos idosos, constavam do relatório o nome completo do idoso participante e sua idade. A Roda de Conversa era aberta para que qualquer um pudesse participar, mesmo que já estivesse em andamento. Também era livre para retirar-se a qualquer momento que quisessem.

Ao longo do ano, participaram dos encontros 60 idosos, em média 10 idosos por encontro, participantes do CCI em busca de uma melhor qualidade de vida. A atividade a cada semana contava com a presença de novos participantes, bem como com aqueles que participavam semanalmente.

As reuniões ocorreram todas as quartas-feiras das 8:00 horas às 10:00 horas. Obtivemos uma boa quantidade de participantes. A coordenadora do grupo direcionava a reunião, algumas vezes pedia para que algum participante específico falasse o que achava do tema do dia, outras vezes deixava quem quisesse dar início voluntariamente.

Resultados

No primeiro e no segundo semestre, ocorreram reuniões com os participantes do Centro de Convivência do idoso (CCI), essas reuniões eram atividades de Roda de Conversa. Foi uma aproximação inicial, novidade para os idosos e para as estagiárias também, tendo primeiramente um caráter exploratório, para conhecer as demandas, os participantes e os parceiros. Descrevemos abaixo minimamente o que ocorreu em cada reunião. As reuniões ocorreram todas as quartas-feiras das 8:00 horas às 10:00 horas. Obtivemos uma boa quantidade de participantes. A coordenadora do grupo direcionava a reunião, algumas vezes pedia para que algum participante específico falasse o que achava do tema do dia, outras vezes deixava quem quisesse dar início voluntariamente.

No primeiro semestre foram realizadas sete reuniões, sete idosos em média por reunião, sendo que houve reuniões em que havia a presença de até 10 idosos. Seis temas foram trazidos para discussão nas reuniões, que são família, saúde, memória, finanças, viagens e sonhos. O objetivo no primeiro semestre dos participantes do grupo e também conhecer a instituição parceira.

No dia primeiro encontro, realizamos dinâmica dos utensílios de cozinha que cada um deles seria? Cada participante falou sobre utensílios de cozinha, que havia escolhido, a atividade foi muito proveitosa no primeiro encontro, que acabou tornando-se um quebra gelo.

No segundo encontro a atividade proposta foi ouvir a música emoções e falar o que sentiram ouvindo-a. Foram muito boas, as reflexões de todos.

No terceiro encontro abordamos o tema “saúde”, por ser um tema que faz parte da vida de todos, pois eles estão ali por ser um lugar que oferece atividades com a finalidade da promoção de saúde, fez com que eles tivessem grande participação relatando suas satisfações e insatisfações com a saúde pública.

No quarto encontro o tema abordado foi memória, essa conversa emocionou muitos, alguns até choraram, pois compartilharam histórias de quando eram crianças, um se identificou com a história do outro.

No quinto encontro abordamos o tema Finanças, foi engraçado ouvi-los falar sobre a importância do dinheiro.

No sexto encontro o tema abordado foi viagens, também foi um momento bom de ouvir.

E no último encontro encerramos as atividades, relatamos a importância da Roda de Conversa, falamos brevemente um tema – sonhos – e encerramos com um lindo café da manhã regado por frutas, salgados e sucos naturais. Durante os encontros todos os participantes participaram de maneira espontânea, estavam voltados para o trabalho.

No segundo semestre foram realizadas 11 reuniões, 10 idosos em média por reunião, sendo que houve reuniões em que havia a presença de até15 idosos. Nove temas foram trazidos para discussão nas reuniões, que são lazer, política, envelhecimento, música, morte, religião, culinária, filhos e profissão.

Na primeira reunião temática, abordamos o tema “Lazer”, levamos imagens, fotos e figuras de parques de diversão, parque ecológicos, áreas de lazer, entre outros. Perguntamos quais as atividades de lazer eles mais gostavam de participar, o que faziam em seus momentos de lazer. As respostas foram parecidas no que concerne a ir ao parque, bosque, viajar. Comentaram que a sensação era muito boa.

Na segunda reunião abordamos o tema “Política”, levamos imagens, fotos e figuras de ex-presidentes e de ex-prefeitos da cidade. Perguntamos sobre a satisfação com os políticos do munícipio, a história que se recordam que envolvesse políticos e aspectos bons e ruins que pudessem dizer sobre a política. As respostas foram diversas, mas muito disseram que todos os políticos tentam fazer tudo o que prometem, mas não conseguem, sobre a história que mais marcou na política a mais acentuada foi a da morte do ex-prefeito da cidade e sobre aspectos bons e ruins da politica vieram várias coisas, entre elas sobre o aspecto bom é que sempre existe esperança de que podem realizar coisas boas para a cidade e o aspecto ruim a maioria disse que á a obrigatoriedade para se votar, que se não fosse obrigado não votariam.

Na terceira reunião foi abordado o tema “Envelhecimento”, usamos fotos, figuras e imagens do ciclo da vida, imagens do ser humano desde bebe, crianças, adolescentes, jovens, adultos, idoso, e um poema intitulado “Minhas Rugas”, perguntamos sobre como foi o processo envelhecimento para cada um em como foi chegar até aquele momento. As respostas foram bem animadas, tais como: não nos sentimos na idade, lembramo-nos do passado com saudades mais somos mais felizes hoje.

A quarta reunião foi abordado o tema “Música”, apresentamos a letra da música “Além do Horizonte” do cantor Roberto Carlos. Perguntamos que sentimentos surgiram ao ouvirem a música. A maioria foi bem saudosista, se lembraram de quando eram mais jovens, até mesmo antes de casar.

A quinta reunião falamos sobre o tema “Morte”, apresentamos imagens, figura e fotos de plantas secas, rios e lago secos, caveiras, entre outros. Pedimos para que nos falassem sobre os pensamentos, sentimentos e outras coisas que surgiram ao contemplar esse material. As respostas foram de que é muito triste a morte da natureza, dos rios, das matas, e até mesmo do ser humano.

A sexta reunião falamos do tema “Religião”, levamos imagens, figura e fotos de igrejas, de líderes de várias religiões. Perguntou-se se eles tinham religião, o que achavam da religião e se gostavam de religião. As respostas foram que tinham cada um a sua religião, achavam importante a religião e gostavam muito. Houve apenas um participante que disse não ter religião, que acreditava apenas em Deus e que estava bom demais.

A sétima reunião abordamos o tema “Culinária”, da mesma maneira trouxemos fotos, imagens e figuras de doces, bolos, comidas diversas, fogões atuais e os fogões à lenha. Perguntamos se havia algum tipo de comida que mais gostavam, se lembravam de ter visto a mãe, avó e tias fazendo comida. Os participantes disseram que era muito bom comer, mas que atualmente existem várias coisas da culinária que eles têm que abster-se. E todos se lembraram de pratos feitos por suas mães, lembraram-se do fogão à lenha e o valorizaram muito.

A oitava reunião usamos o tema “Filhos”, apresentamos uma poesia intitulada de “Compreensão”, perguntamos sobre quem tinha filhos, qual era a sensação de tê-los, e qual era a sensação de ser filho, porque todos ali eram filhos. As respostas foram parecidas no sentido de falarem um pouco sobre seus filhos e também de si mesmo quando moravam com seus pais e irmãos.

A nona reunião usamos o tema “Profissão”, apresentamos imagens, figuras, e fotos de várias profissões. Perguntamos sobre a profissão de cada participante e sobre a profissão que cada um deles admirava. Obtivemos respostas diversificadas, todos gostavam de suas profissões, alguns ainda a exerciam, e falaram sobre as que mais admiravam.

A décima reunião abordando três perguntas "Que tema eles gostaram", “Que tema eles não gostaram” e “Que tema faltou na Roda de Conversa”. Diante dos discursos dos participantes, obtivemos uma aceitação com relação a todos os temas abordados, demostrando terem gostado de todos os temas trazidos e discutidos, e das angustias que os temas nos quais que não se identificaram os submeteram.

Uma solicitação feita ao longo de todos os encontros foi pedir para que cada participante respondesse: “se fosse um bichinho que bichinho gostaria de ser e por que”. Tiramos uma foto do participante com o bichinho escolhido e a frase que identificava o porquê. Daríamos a foto, com uma dedicatória no verso, para o participante no dia do encerramento e colocaríamos no quadro de fotos do CCI(Centro de Convivência do idoso) a foto do participante.

Discussão

A partir dos resultados obtidos nas reuniões realizadas na atividade de Roda de Conversa do CCI, passaremos a discussão dos resultados.

O Centro de Convivência do Idoso no Município é muito frequentado pelos idosos da cidade. Embora que apareceu em algumas reuniões da atividade da Roda de Conversa, principalmente do 1o Semestre de 2013. A dificuldade em frequentarem o CCI-Jandira, por ser distante do Centro da cidade e não estarem tendo transporte.

Enquanto estávamos realizando a atividade da Roda de Conversa, havia um grupo grande que estavam fazendo caminhada ou exercícios físicos com o Professor de Educação Física. Havia outro grupo grande fazendo atividade de fisioterapia, com a Fisioterapeuta.

O que endossa a estatística que apresentamos do IBGE (2013), sobre a quantidade de idosos já existentes e que esse número irá aumentar muito. Quanto à atividade da Roda de Conversa observamos que foi muito importante esse espaço para que eles pudessem falar livremente e em grupo dos temas abordados.

Em muitos momentos eles falavam o mesmo discurso, o que diferenciava era que cada um estava falando daquilo que era peculiar de suas histórias de vida. A tendência de falar do passado com pesar e falar do presente com grande ânimo, foi algo que chamou nossa atenção.

As Políticas Públicas (2012) orientam para a integração e participação do idoso na sociedade, o trabalho da Roda de Conversa possibilitou que a integração do idoso com o próprio grupo e com as estagiárias, ocorresse de maneira natural e sadia. O SUAS prioriza para que o idoso tenha fortalecimento dos vínculos familiares, e o convívio comunitário, observamos que nesse sentido os idosos trouxeram muitos relatos de suas famílias, podendo contribuir para o fortalecimento de vínculos e a Roda de Conversa proporcionou um convívio comunitário satisfatório.

A atividade da Roda de Conversa, realizada em grupo, produziu o exercitar do pensamento próprio e do outro. Podemos perceber que os participantes na Roda de conversa possuía um saber e conseguiu fazê-lo visível ao grupo.

Percebemos que houve um crescimento individual e grupal a partir da 1a reunião para a última. Individual por termos pessoas que falavam pouco nas 1as reuniões e nas finais, já tinham um diálogo mais longo e estruturado. E no grupo percebemos que no início era tímido, retraído e de pouco diálogo, mas nos finais conseguimos observar o grupo mais solto e alegre.

Freire (1997), diz que o grupo se manifesta no outro, e percebemos que realmente a emoção do outro contagiou muitas vezes os participantes do grupo. Outras vezes algum participante não concordava com o que o outro dizia.

E ainda cita Pichon-Riviére, sobre a identidade adquirida em família e trazem consigo para o grupo, tais como o irritadiço, o que chega atrasado, e que sai no meio da atividade, entre outros. Podemos perceber tais indivíduos inseridos no grupo que ocorreu a atividade roda de Conversa.

Fazem parte desta identidade os que rompem os silêncios embaraçosos, os que com uma piada ou com uma criatividade desfazem uma tensão, os que sempre estão contra, os que sempre se fazem culpados e carregam as culpas, os que discordam, os que concordam com tudo.

Entendemos que este trabalho tem sua importância por ser um espaço para os estagiários desenvolverem uma atividade proporcionando oportunidade para as mesmas crescerem junto com cada participante, aprendendo, observando e sendo observados. A construção de um conhecimento dentro de uma visão psicossocial através do trabalho realizado com idosos. Percebemos o quanto os idosos participantes tiveram facilidade de compartilharem suas historias de vidas, ideias, pensamentos e sentimentos. Este trabalho tinha como característica resgate a identidade e promover a interação entre os idosos participantes da Roda de Conversa. Proporcionando para os idosos participantes do CCI, livre e espontaneamente a oportunidade de falarem sobre diversos assuntos. O que pudemos perceber é que a velhice não os obrigou ou provocou atos de renúncia diante dos temas discutidos.

Percebemos que muitos idosos ao chegarem à terceira idade estão em buscar melhoria da saúde, da qualidade de vida e de uma socialização. Esse trabalho tem o sentido de beneficiar o idoso a ter outra opção de atividade no ambiente frequentado.

A partir da atividade Roda de Conversa, realizamos várias reuniões com temas diversos, com a população idosa que frequentava o CCI - Não podemos deixar de relatar as dificuldades que as estagiárias enfrentaram para realizar a atividade. Por se tratar de estar em um ambiente público, onde todos as observavam como alguém detentora do poder. Em um primeiro momento, houve a necessidade de esclarecermos que a atividade não era sobre terapia psicológica.

Mesmo com o esclarecimento, algumas vezes tivemos que intervir e relembrar o tipo de trabalho que estávamos realizando. Outra angústia das estagiárias era se haveriam participantes para que o trabalho se realizasse. Ocorreu que no início sempre começávamos com 3, 4 participantes e durante a realização da atividade sempre chegavam mais uns seis ou sete pessoas.

Havia uma preocupação sobre a aceitação dos temas por parte dos participantes. E a aceitação foi muito boa. Sobre como coordenar e como ser observadora, também eram e foram preocupações existentes. Mas tudo foi muito bem encaminhado.

Conclusões

Gostaríamos de ressaltar que a atividade da Roda de Conversa foi muito satisfatória. Percebemos que o grupo do CCI-, é voltado para buscar uma qualidade de vida saudável. Para chegarmos nesse pensamento, obtivemos dos próprios participantes do trabalho, falas que nos fez entendermos que eles são pessoas voltadas para viajarem, passearem, fazerem atividades físicas, cuidarem da saúde através de exames médicos periódicos.

A crítica que podemos trazer é a reclamação dos idosos sobre a falta de viagens no ano corrente. Uma vez que o SUAS, através das Políticas Públicas, estabelecem o bem estar para o idoso, proporcionam qualidade de vida a esse grupo. Acreditamos que devem enviar verbas para realizarem atividades em prol dessa qualidade de vida, no entanto esses recursos parecem não chegar até o Órgão destinado. No trabalho que executamos, percebemos um idoso carente por passeios, viagem e lazer. Mas a Instituição CCI-Jandira, não tem correspondido a essa necessidade dos idosos.

Ao término do trabalho gostaríamos de ressaltar algumas recomendações, que seriam relevantes para o Centro de Convivência do Idoso (CCI). A atividade Roda de Conversa foi um trabalho realizado pela Psicologia Comunitária, com foco psicossocial. Sua relevância para o Centro de Convivência do idoso (CCI) é de fundamental importância, por produzir um espaço de falas livres, reflexões, indagações, sugestões, atualidades em suas vidas, além de tudo o que é realizado ter um valor ambíguo. O idoso tem uma história de vida longa, cheia de vivências únicas e muitas vezes ninguém quer ouvi-los, e muito menos ouvir dando atenção e dando valor ao que é dito por eles. Essa é a principal questão do trabalho. O grupo reunido com valor, com importância. Essa faixa etária tem a necessidade natural de falar, de ter um espaço para escuta. Gostaríamos de deixar como recomendações que se surgir a oportunidade para que aconteça uma Roda de Conversa, com a abordagem Psicológica, realizem, e terão idosos sadios física e mentalmente.

Deixamos como recomendação aos estudantes de psicologia a importância de possibilitar a abertura de um espaço de encontro em que o objetivo é estimular a construção da autonomia dos sujeitos por meio da troca de experiências.

A Roda de conversa pode proporcionar aos seus participantes a possibilidades discutir acerca de uma temática, onde se expressar livremente é possível sem medo de se expor, e aprender a escutar os outros e a si mesmo. É um espaço no qual o idoso tem a possibilidade de colocar seu raciocínio para funcionar, fazendo de uso da fala, escuta, da leitura e o uso do diálogo entre os participantes. Muitas vezes a troca de experiências, pode despertar o desejo do saber, além de proporcionar melhoria na autoestima. Dessa forma, o idoso começa a vencer as barreiras do isolamento, que muitas vezes é imposto pela família ou pela sociedade.

Um projeto desenvolvido através a Roda de Conversa pode valorizar o desenvolvimento de competências coletivas, que envolvem questões relacionais e trabalho em equipe, emergindo assim a existências de um vínculo entre seus participantes, que muitas vezes podem se envolver em decisões coletivas.

Bibliografia

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NORMA TÉCNICA DOS SERVIÇOS SOCIOASSISTENCIAIS-Proteção Social Básica- 2012.

QUINTSLR,M.M. Projeções da População: Brasil e Unidades da Federação. Disponível<ftp://ftp.ibge.gov.br/Projecao_da_Populacao/Projecao_da_Populacao_2013/srm40_projecao_da_populacao.pdf>. Acesso em Nov.2013

VASCONCELOS, E. M. O que é psicologia comunitária. 4ª Ed. São Paulo: Editora Brasiliense. 1994.

NEVES, S. M. e BERNARDES, N. M. G. Psicologia Social e Comunidade. IN: STREY, Marlene N. (org.). Psicologia Social Contemporânea. Petrópolis: Vozes, 1999, p. 241-255.

ORNELAS. J. (1997). Psicologia comunitária Origens, fundamentos e áreas de intervenção. Analise Psicológica, 3 (XV): 375-388.

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