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A religiosidade e suas interfaces com a medicina, a psicologia e a educação

Por:   •  10/5/2013  •  Tese  •  9.352 Palavras (38 Páginas)  •  411 Visualizações

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A religiosidade e suas interfaces com a medicina, a psicologia e a educação

Religiosity and its interfaces with medicine, psychology, and education

Paulo LR Sousa, Ieda A Tillmann, Cristina L Horta e Flávio M de Oliveira

Universidade Católica de Pelotas, Rio Grande do Sul, RS, Brasil

Fonte de financiamento: Estudo financiado pelo NUPPLAC, Universidade Católica de Pelotas, Rio Grande do Sul.

Resumo

A dissociação metodológico-ideológica, que durante séculos separou a ciência da religião, sofreu um considerável golpe em sua tenacidade, com uma visível tendência a atenuar-se nesse final de século. Igreja e ciência, de parte a parte, dedicam-se a uma decidida aproximação. A medicina, em primeiro termo, seguida pela psicologia e mais recentemente pela educação são ciências que se dedicaram a fazer interfaces e a buscar tentativas intertransdisciplinares, com a religiosidade em variadas formas de expressão. As conseqüências sobre a saúde, seja de caráter terapêutico ou no sentido preventivo, têm mostrado uma correlação entre a presença da religiosidade e uma variada gama de situações clínicas, como a menor propensão à delinqüência, ao abuso de substâncias, às separações matrimoniais e às condutas suicidas. No entanto, estudos que correlacionam a religiosidade e os achados neurocientíficos têm, consistentemente, demonstrado a associação entre modificações neuroelétricas e neuroquímicas, além da atividade religiosa. De modo análogo, mas de forma ainda incipiente, a influência da religiosidade sobre os processos educacionais é apontada em diferentes estudos. A conclusão sobre essa visão interdisciplinar, entretanto, aponta ainda a existência de resultados díspares – indicativos da necessidade de aprofundar os estudos – para melhorar a qualidade das evidências.

Descritores

Religiosidade. Interdisciplina. Medicina. Psicologia. Educação. Abstract

For many centuries methodological and ideological issues have separated religion and science. It is clearly evident an ongoing shift in the political standings of the Church and Sciences, with a mutual approximation, and a trend to creating interfaces and interdisciplinary dialogue between religious and scientific thoughts. At first Medicine, followed by Psychology and more recently by Educational Sciences have been searching for interdisciplinary experiences with religious issues. As a result, recent studies have been showing correlation between religiosity and a variety of clinical situations, such as a decline in delinquency, substance abuse, divorce and suicidal behaviors. On the other side, the neuroscience is now able to demonstrate the existence of a correlation between different religious states and neuroelectrical and neurochemical conditions. In the educational field, it was seen positive correlation between religiosity and educational performance—though most of these studies had methodological problems. Even though there is still a disparity of results regarding the interfaces of these three scientific areas, it is suggested that further studies may reveal the required scientific evidence to support developments in the field.

Keywords

Religiosity. Interdisciplinarity. Medicine. Psychology. Education.

Introdução

Se durante séculos religião e ciência ocuparam domínios completamente separados, essa virada de milênio reservou uma reviravolta no assunto. De parte a parte, ciência e religião vêm mostrando um mútuo interesse de aproximação. João Paulo II1 marcou essa tendência na encíclica Fides et Rati (1998), em que afirma que “a fé e a razão constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade”.

Em sintonia com a abertura da igreja, numerosos cientistas manifestam não somente o desejo de corresponder ao apelo aproximativo, mas, concretamente, realizam investigações científicas sobre as variadas circunstâncias da religião na vida dos homens. Assim, atualmente é comum o desenvolvimento de pesquisas sobre a temática, tanto nos veículos especializados quanto nos meios variados da mídia.

É provável que as manifestações religiosas de Einstein, primeiramente expressas em 1950,2 sejam, de parte do mundo científico da modernidade, um dos primeiros passos facilitadores dessa aproximação. Logo, Einstein referiu que um cientista podia, efetivamente, ser um homem religioso. Ele, por exemplo, acreditava em uma perspectiva “cósmica, não antropomórfica”, de Deus.

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