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RESENHA CRÍTICA DOS CAPÍTULOS 1 AO 4 DO LIVRO HISTÓRIA DA PSICOLOGIA: RUMOS E PERCURSOS

Por:   •  28/6/2018  •  Resenha  •  3.806 Palavras (16 Páginas)  •  255 Visualizações

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL DA BAHIA – UFSB

Instituto de Humanidades, Artes e Ciências – IHAC

Campus Paulo Freire

KARLA DE OLIVEIRA

RESENHA CRÍTICA DOS CAPÍTULOS 1 AO 4 DO LIVRO “HISTÓRIA DA PSICOLOGIA: RUMOS E PERCURSOS”.

Teixeira de Freitas

2018

CAPÍTULO 01:

O múltiplo surgimento da psicologia.

De início, existe um consenso entre os historiadores de que a psicologia se iniciou no século XIX com seu estabelecimento como disciplina, porém sua história é advinda de buscas de conhecimentos anteriores a essa época. Há uma corrente de pensamento histórico que coloca o início da história da psicologia no século XVI, com a necessidade do conhecimento interior, a busca da natureza individual e interior clássicas aos seres humanos. A psicologia como observada na modernidade, vem de construções do passado a partir do século XVI, onde a abundância de experiências e a articulação na formação de construção de um saber psicológico, e não por imaturidade ou descuido no saber científico.

Há duas formas para construção da história da psicologia, a abordagem internalista e a abordagem externalista, e é importante a consideração dessas duas formas para essa construção, pois por mais que a psicologia seja composta por saberes científicos, também é necessário o conhecimento de uma rede de interesses e práticas sociais, e como elas se organizam. A construção da história da psicologia pode ser enxergada em minha perspectiva desde antigamente, com os pensamentos filosóficos, e mesmo não tendo se construído como ciência até então, foi criado assim uma base para seu princípio. O início da psicologia não deve ser avaliado de forma isolada, mas sim considerando os diversos fatores que foram contribuindo para sua formação.

A modernidade da psicologia nos apresenta aspectos constitutivos fundamentais, já que presentes em toda a psicologia. Esses aspectos dizem respeito a subjetividade e a individualidade do ser humano, o que conduz a outras experiências como a separação entre corpo e mente, distinção entre loucura e doença de ordem mental, e diferenciação entre infância e idade adulta como períodos da vida.

A subjetividade é entendida como um plano de interioridade reflexiva, onde as vivencias têm como base a experiência do “eu”. O que foi chamado por Foucault (1984) como a história das técnicas de si, é a busca por desvendar como o indivíduo estabelece relações de trato e cuidado consigo. Essa interioridade na Idade pagã agiu como contraprova da nossa universalidade no modo de subjetivação atual. Para Foucault (1984) nesse período não havia um conhecimento de si mesmo, mas a construção pessoal, de si, a partir de ensinamentos dos grandes mestres. Já para Jean-Pierre Vernant (1990) o homem grego a interioridade do grego não era individualizada, era muito mais um “ele” do que um “eu”. A interioridade individualizada só foi processada como instrumento da verdade a partir do século II d.C., neste momento segundo Foucalt (1994) se destaca a busca interior do seu Deus como verdadeiro eu, o que leva a uma introspecção sobre a alma.

A partir da modernidade, diversas formas de relação com si passam a existir, o cuidado de si deixa de ser em uma perspectiva religiosa, para atingir a Deus, e passa a ser muito mais pessoal, dando mais espaço a subjetividade do que é privado ou público.

A subjetividade é um importante instrumento para o desenvolvimento do pensamento dentro da psicologia, porém acaba desvalorizando-a como ciência, pela dificuldade em se estabelecer um padrão por conta disso, o “eu” é o valorizado, o que importa, o que a meu ver é extremamente individualista e impede a criação de um padrão.

A distinção entre alma e corpo não é recente, a partir do século XVII. Antes alma e corpo eram vistos de forma hilemórfica, onde a alma era parte do corpo como matéria, a ausência de distinção entre as partes era fortemente disseminada pela Igreja Católica, onde para muitos teólogos o juízo final teria não somente a presença da alma, mas também do corpo físico. Descartes começa a alterar esse quadro no início do século XVII quando começa a disseminar a separação entre esses domínios, entendendo-os como  substâncias distintas. Somente com John Locke a alma foi dissociada do corpo, e passou a ser nossa memória, onde o individuo é aquilo determinado em sua mente e cérebro.

Com essa dualidade se marca o início da psicologia no incio do século XVIII, e se perdura até os dias de hoje essa discussão entre alma e corpo, mesmo não sendo feita em torno da existência das substâncias, mas sim de experiências subjetivas e objetivas. Essa discussão gera posições dualistas e monistas. As dualistas têm posições interacionistas e paralelistas, as interacionistas indica uma relação de causa e efeito entre as substâncias e não é muito aceita nos dias de hoje, já a paralelista é aceita por algumas escolas psicológicas e defende uma não interação entre as duas substâncias, sendo elas coisas independentes. A posição monista nega o problema, assumindo a posição de que há somente uma natureza, onde matéria e espírito funcionam como algo único, corpo e alma trabalhando como dois atributos do mesmo ser.

 A separação de corpo e alma é muito subjetivo e pode ser visto de diferentes formas por cada escola psicológica, o que dificulta uma definição. Acredito ser necessário uma abordagem pessoal para entender o que é corpo e alma, se é algo separado entre espírito e matéria, ou se não podem ser separados, para isso cabe a opinião do indivíduo, em minha perspectiva a alma como ideia de consciência não poderia ser separa do corpo, sendo o corpo matéria, e ele que tem os neurônios responsáveis por realizar as sinapses que nos dá a consciência como indivíduos.

Ao se criar a história do indivíduo, saímos da subjetividade e interioridade reflexiva,  e passa-se a olhar a constituição do indivíduo como unidades politicas a serem notadas e diferenciadas na sociedade. Até o século XIII não se existia se quer a noção do indivíduo, por conta de como era a vida na Antiguidade Clássica, a autonomia do indivíduo não existia, somente a do Estado (nesse caso, as polis). Segundo a reflexão dos pensadores modernos, o indivíduo pode ser visto como entidade universal, autônoma e livre. A partir das relações politicas de poder do século XVIII o indivíduo passa a ser tomado como um objeto a ser descrito e classificado de acordo com certos determinantes.

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