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Resenha O Meu Pé de Laranja Lima

Por:   •  24/5/2026  •  Resenha  •  921 Palavras (4 Páginas)  •  5 Visualizações

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RESENHA CRÍTICA LIVRO

MEU PÉ DE LARANJA LIMA

Vasconcelos, J. M. (1968). O meu pé de laranja lima. Edições Melhoramentos.

IDENTIFICAÇÃO DA OBRA E DO AUTOR

Nascido em 26 de fevereiro de 1920, no bairro de Bangu, Rio de Janeiro, José Mauro de Vasconcelos era filho de um vigia e de uma lavadeira. Em virtude das severas dificuldades financeiras enfrentadas por sua família durante a infância, ele foi criado por seus tios em Natal, no Rio Grande do Norte. Ao longo de sua juventude, José Mauro exerceu diversas ocupações profissionais.

Aos 22 anos de idade, Vasconcelos publicou sua obra de estreia, intitulada "Banana Brava". No entanto, seu livro de maior êxito foi O Meu Pé de Laranja Lima, o romance possui um forte caráter autobiográfico, refletindo as experiências de negligência e pobreza do próprio autor. A obra rompeu fronteiras nacionais, sendo traduzida para dezenas de idiomas e adaptada para a televisão e para o cinema, e permanece como um clássico incontestável da literatura brasileira.

CONTEXTUALIZAÇÃO

A obra analisa o desenvolvimento infantil sob a ótica da resiliência, mostrando como Zezé utiliza a fantasia (o pé de laranja-lima) como mecanismo de defesa contra a pobreza e a violência. O vínculo com o Portuga é o ponto central, demonstrando como o afeto e o acolhimento de um adulto podem transformar o desenvolvimento emocional de uma criança traumatizada.

O objetivo principal do livro é denunciar a vulnerabilidade social e a violência doméstica, enquanto exalta a pureza e a imaginação da infância. Embora seja um clássico juvenil, seu público é universal, sendo uma ferramenta valiosa para psicólogos e educadores compreenderem o impacto do trauma e da ternura na formação da identidade.

TEMAS PRINCIPAIS E TESE CENTRAL

A tese central do autor está na ideia de que a imaginação e o afeto são mecanismos capazes de preservar a inocência de uma criança quando ela se encontra em um ambiente hostil e violento. O autor nos mostra com a história de Zezé, que a "maturidade" precoce imposta pela miséria é uma forma de morte prematura da infância. Os temas principais giram em torno da pobreza, da violência doméstica, da solidão, da descoberta da amizade e da perda da inocência. O protagonista Zezé é o centro dessa tese: ao dar vida a um pé de laranja lima (Minguinho) e encontrar uma figura paterna e amorosa em um estranho (Manuel Valadares, o Portuga), ele demonstra como a criança busca preencher suas necessidades afetivas através da fantasia e de conexões humanas genuínas.

ESTRUTURA DA OBRA

O romance é dividido em duas partes que marcam mudanças definitivas na vida de Zezé. A primeira foca na apresentação da vida de Zezé, de sua família, da mudança para uma casa mais modesta devido ao desemprego do pai e o relacionamento com o pé de laranja lima do quintal. É nesta fase que acontece um conflito entre a vivacidade/peraltices do menino e a violência física e psicológica que ele sofre dentro de casa. Já a segunda parte é centrada na relação de Zezé com Manuel Valadares, com quem ele estabelece uma relação de confiança e afeto e que acaba marcando o fim da infância de Zezé, que acontece após a morte de Portuga.

ANÁLISE CRÍTICA DA OBRA

A obra de José Mauro de Vasconcelos destaca-se pela clareza e pela capacidade de provocar empatia imediata. O autor consegue descrever a violência doméstica, sem perder o tom poético da obra e usa de forma inteligente o realismo mágico (a comunicação de Zezé com a árvore) não como um recurso fantástico gratuito, mas como a representação de um mecanismo de defesa infantil.

Comparando Meu Pé de Laranja Lima com Capitães da Areia de Jorge Amado, percebe-se uma convergência no tema da criança abandonada pela sociedade. No entanto, enquanto Amado foca na dimensão sociopolítica e coletiva do grupo de meninos de rua, Vasconcelos mergulha na subjetividade individual e na dor íntima da criança que, mesmo tendo uma família, encontra-se emocionalmente órfã.

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