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A CONSTRUÇÃO SOCIAL DO MERCADO EM DURKHEIM E WEBER

Por:   •  14/9/2020  •  Resenha  •  1.569 Palavras (7 Páginas)  •  9 Visualizações

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Bruno Lapa (N USP: 11239146)

Fichamento 1: CONSTRUÇÃO SOCIAL DO MERCADO EM DURKHEIM E WEBER: análise do papel das instituições na sociologia econômica clássica (Cécile Raud-Mattedi)

        Weber divide os tipos de regulação do mercado a partir de quatro causas: tradicional, convencional, jurídica ou voluntária.

        No entanto, antes de entender as formas como a instituição do mercado é regulada cabe definir “mercado” sociologicamente.

Definição sociológica de mercado

Para Durkheim, o mercado é uma das “instituições relativas à troca”, logo um fato social. No cerne da análise dele está a noção de contrato, para ele a sociedade moderna é uma sociedade de mercado, ou seja, contratual. Para além dessa definição sucinta, Durkheim mostra o papel socializador da troca mercantil no quadro da divisão social do trabalho. A coesão social no âmbito da solidariedade orgânica nasce das interdependências decorrentes da especialização e da divisão do trabalho. A sociedade moderna prescinde da forte consciência coletiva, que assegura a coesão social nas sociedades tradicionais, onde não há divisão do trabalho. Portanto, a relação mercantil, que obriga pessoas a entrar no mercado para trocar bens e serviços indispensáveis à sua sobrevivência, sendo o mercado e os contratos que o regulam (a partir de regras jurídicas ou tradições e normas) componentes socializadores. A relação mercantil gera um laço social mesmo sem passar por relações pessoais íntimas, na medida em que esse laço não se esgota no único ato da troca, mas se enraíza e participa do processo de reprodução das instituições sociais.

        Para Weber, o mercado é resultado de duas formas de interação social – a troca, que está simultaneamente orientada para o parceiro e para os concorrentes, e a competição (luta sobre os preços entre o cliente e o vendedor e entre concorrentes, tanto vendedores como clientes). Assim, no mercado encontram-se em conflito interesses opostos, e a troca efetivada representa uma situação de equilíbrio. Os preços, então, são resultado dessa luta e do compromisso entra interesses diversos que ocorrem no mercado, expressando as relações de poder existentes entre os atores econômicos. A análise de Weber se aprofunda sua análise do mercado o definindo como um tipo de interação social. Como em Durkheim, a relação mercantil é uma relação social na sociologia econômica weberiana, uma vez que o ator econômico deve levar em conta não somente o comportamento dos outros atores econômicos, mas também, de maneira mais geral, o contexto sociopolítico, ou seja as leis e convenções que limitam e ordenam o mercado.

As diversas instituições sociais de regulação do mercado

        Tanto para Durkheim quanto para Weber “as instituições organizam as relações sociais e as atividades econômicas, não somente porque regulamentam os conflitos de interesse, mas sobretudo porque permitem a definição mesma dos interesses individuais” (Trigilia, 2002, pp. 76-77). Nesse sentido, deve-se entender as instituições em termos de regras, formais ou informais, e de valores.

        Já o significado de instituição varia de um autor para o outro. Para Durkheim, as instituições determinam o comportamento dos indivíduos. Para Weber, elas apenas orientam.

        Durkheim argumenta que a estabilidade do sistema de troca generalizada, que constitui a sociedade moderna, depende do respeito a regras preestabelecidas, não sendo o mercado natural como argumentariam os neoclássicos. A viabilidade do contrato, como relação mercantil generalizada, depende de um fundo institucional composto, de um lado, pelos costumes mentais e comportamentos enraizados na repetição da troca ao longo do tempo e, de outro lado, pelas regras jurídicas, que não são nada mais que a cristalização de costumes mentais e comportamentais do passado.

        Para Weber cabe ao sociólogo analisar as regularidades na atividade social, distingue, entre os motivos dos diversos tipos de regularidades sociais, a busca do interesse mútuo, o respeito a uma regra tradicional, uma convenção social ou uma regra jurídica.

O papel da tradição na construção social do mercado

Para Weber, pode-se dizer que o mercado é regulado pela tradição quando é determinado “[...] pela assimilação de limitações ou condições tradicionais da troca” (1991, p. 50). Para o autor, a regulação dessa maneira é contrária ao espírito racional da economia, e mesmo que a modernidade seja marcada por uma racionalização crescente, a tradição não deixa de existir, se evidenciando por exemplo no desejo de adquirir um bem supérfluo.

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