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TEXTO: AGRICULTURA E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO NO BRASIL: OS DEBATES NAS DÉCADAS DE 50 A 70*

Por:   •  31/10/2016  •  Resenha  •  809 Palavras (4 Páginas)  •  180 Visualizações

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Economia Agrícola

TEXTO: AGRICULTURA E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO NO BRASIL: OS DEBATES NAS DÉCADAS DE 50 A 70* 

           

  1. Para Arthur Levvis, a dinâmica do crescimento econômico é dada pela reinversão dos lucros acumulados no setor urbano-industrial. Ou seja, a acumulação de capital, geradora do progresso econômico, depende do nível de poupança realizado pelos capitalistas. Por outro lado, numa economia subdesenvolvida, com oferta ilimitada de trabalhadores não qualificados, a produtividade marginal da força de trabalho é ínfima ou nula, e, nessas circunstâncias, o preço do trabalho corresponde ao nível de subsistência. Inicialmente estagnada, a economia começa a progredir à medida que os capitalistas podem reinvestir seus lucros contando com uma abundante oferta de trabalho, disposta a empregar-se em troca de um salário muito reduzido. Nessas condições, o excedente aumentará continuadamente, e a cada ano o investimento corresponderá a uma proporção maior da renda nacional. Esse processo, contudo, não é ilimitado. Depositário natural da força de trabalho não qualificada, o setor agrícola viabilizaria o crescimento econômico até quando pudesse fornecer mão-de-obra e alimentos a preços reduzidos. Isto é, o limite desse processo seria quando o setor agrícola esgotasse sua capacidade de manter estáveis os salários e os preços dos alimentos e matérias-primas. Nesse caso, haveria uma compressão dos lucros, com a consequente redução da capacidade de investir dos capitalistas. Comprometido o processo de acumulação, a tendência seria de um retorno à estagnação. Segundo Lewis, "(...) o salário de subsistência pode ser determinado por uma convenção sobre o mínimo necessário para subsistir ou pode ser igual ao produto médio per capita na agricultura de subsistência mais uma certa margem". Essa margem, cerca de 30%, ocorre em virtude de que, nos centros urbanos, o salário incorpora gastos adicionais, como aluguéis e transporte, e também porque os trabalhadores da cidade adquirem "(...) gostos e prestígio social que têm que ser endossados por salários reais mais elevados"
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  3. No decorrer dos anos 50, Jacques Lambert publicou um estudo sobre o que chamava de os "dois brasis". Os "dois brasis" seriam o novo, representado lato sensu pelos centros urbanos, o Sul (Sul/Sudeste) e o Litoral, e o velho, identificado com o campo, o Norte/Nordeste e o Sertão. A ideia de dualismo na estrutura econômico-social do Brasil fica clara quando Lambert afirma que:

"(...) existem dois países, entre os quais é difícil distinguir o verdadeiro: na fazenda do interior, o homem do campo trabalha de enxada e transporta uma colheita insignificante em carroças rangentes que precisam ser puxadas por três ou quatro juntas de bois, porque a roda maciça não gira sobre o eixo; na cidade de São Paulo, a cada hora termina-se um prédio e, para sustentar um arranha-céu muito pesado que começa a inclinar-se, congela-se o solo. Conforme o observador se deixe impressionar por um outro desses dois mundos que tem diante dos olhos, um ao lado do outro, predirá para o Brasil uma evolução no sentido dos EUA ou no da índia" (Lambert, 1972, p.105-6).

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