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CLARA DOS ANJOS: INJUSTIÇAS DE UMA SOCIEDADE DESIGUAL

Por:   •  11/6/2018  •  Trabalho acadêmico  •  1.543 Palavras (7 Páginas)  •  208 Visualizações

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CLARA DOS ANJOS: INJUSTIÇAS DE UMA SOCIEDADE DESIGUAL

Gabriele Pereira[1]

Anelice Novaes[2]

BARRETO, Lima. Clara dos Anjos. 14 ed. São Paulo. Ed. Ática, 2011

         A obra Clara dos Anjos, foi escrita pelo carioca Lima Barreto (1981-1992), um jornalista e escritor que publicou romances, sátiras, contos, e uma vasta obra em periódicos anarquistas do início do século XX. Foi o crítico mais agudo durante a Primeira República brasileira, rompendo com o nacionalismo ufanista e pondo a nu a roupagem republicana que manteve os privilégios de famílias aristocráticas e militaristas. Foi severamente criticado por seu cunho despojado e coloquial, que influenciou escritores modernistas. Dentre suas obras destacam-se ”Os Bruzundangas” (1923) e “Numa e a Ninfa” (1915).        A narrativa Clara dos Anjos organiza-se em onze capítulos não intitulados. Em que se relata a estória de uma pobre mulata ingênua, filha de um carteiro de subúrbio, que em busca do matrimônio, é seduzida e, assim como tantas outras, desprezada quando descobre-se grávida. A narrativa é uma denúncia e critica realizada por Lima Barreto sobre o papel e falta de valor de mulher na sociedade, bem como as disparidades sociais e racismo. Tendo o titulo “Clara dos anjos” como crítica a sociedade racista, sendo a personagem principal uma mulata ingênua, recebendo o de nome “Clara” em oposição à negritude, e anjo devido à ingenuidade da mesma.

        O objetivo dessa resenha é incentivar a leitura analítica e critica acerca da obra Clara dos Anjos, sua abordagem pré-modernista e críticas sociais relatadas. Situando a importância da obra na educação, letras, história e sociologia. Na estruturação da obra é utilizado o método dedutivo, tento as abordagens temáticas expressas do geral para o particular. Sendo influenciado pelo movimento Realismo-naturalismo, a narrativa apresenta aspectos grotescos e repugnantes. Sendo exatamente esses aspectos que chamam atenção na obra Clara dos Anjos.                                                        Clara dos Anjos abordas temáticas, dentre as quais pode-se citar o racismo. Sobre o mesmo observa-se que o livro possui várias alusões referente a temática em questão. Como exemplo pode-se destacar Clara, uma mulata de descendência africana que foi enganada por Cassi Jones, que por ser branco não foi penalizado. Além do habito de escravização que permaneceu no cenário pós-abolição em que se passa à narrativa, descrito em trechos como “O Rio de Janeiro era prospero e rico, com suas rumorosas fazendas de café que a escravaria negra povoava e penava sob os açoites e no suplicio do tronco” ( BARRETO,2011, p.42).                                                                          A narrativa aborda também a injustiça entre as classes sociais, Clara e todas as outras moças defloradas por Cassi Jones eram de classe social inferior, que buscavam através de um matrimonio a ascensão social. Além de retratar os problemas como o de moradia enfrentado pela classe menos favorecidas como é relatado no trecho “O seu preço fora módico, mas, mesmo assim, o dinheiro da herança não chegara, e pagou o resto em prestações. Agora, porém, e mesmo há vários anos, estava em plena posse do seu "buraco", como ele chamava a sua humilde casucha.” ( BARRETO,2011, p.2).

        “Clara era uma natureza amorfa, pastosa, que precisava mãos fortes que a modelassem e fixassem. Seus pais não seriam capazes disso. A mãe não tinha caráter, no bom sentido, para fazê-lo; limitava-se a vigiá-la caninamente.” (BARRETO, 2005, p.90). Barreto expressa neste trecho a subordinação das mulheres, principalmente, as mulheres negras e pobres, mostrando a dominação masculina, na qual o homem é o chefe da família e tem a responsabilidade de ser o provedor da casa e que a mulher tem um papel social bem definido de submissão, limitando-as a cuidar do marido, da educação dos filhos e realizar os afazeres domésticos.

A narrativa trata também da questão da violência psicológica direcionada as mulheres. A sociedade da época tinha o casamento como um dever para as mulheres, e assim como clara muitas eram impedidas de irem a rua sozinhas para que permanecessem donzelas até o casamento. Para essa sociedade casa uma mulher fosse estuprada, para ela seria mérito casar-se com seu estuprador, assim como ocorreu com Ernestina, que após ser deflorada por Ataliba do Timbó, amigo de Cassí Jones, foi obrigada a casar-se com ele.

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