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O crescimento e crise do capitalismo militar pós-guerra

Por:   •  6/5/2014  •  Tese  •  2.272 Palavras (10 Páginas)  •  203 Visualizações

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Crescimento e Crise no Capitalismo de Pós‐Guerra (1945‐2000)

Osvaldo Coggiola.

A Segunda Guerra Mundial fora o método capitalista para encontrar uma saída à depressão

econômica mundial da década de 1930, originada na crise de 1929, em termos capitalistas: a destruição das forças produtivas, do potencial produtivo da humanidade. O que aconteceu no breve lapso histórico de quatro anos (final de 1945 – final de1949). No carro‐chefe da economia mundial capitalista, os EUA, somente após 1942, com a entrada na Segunda Guerra Mundial, o país conseguiu sair de fato da crise da década de 1930. No final da guerra, os EUA emergiram‐se como potência capitalista hegemônica, limitada devido a relação de forças entre as classes de um lado, e pela tendência da guerra inter‐imperialista em se transformar em revolução social de outro. É diante deste quadro que se estruturou a nova ordem econômica mundial após 1945.

O fato de a Segunda Guerra Mundial ter sido a única solução possível para a crise econômica marca uma diferença importante em relação à Primeira Guerra, na qual a questão principal era a redistribuição do mundo entre as potências imperialistas e não, para todos os protagonistas, a anexação à máquina capitalista enguiçada, de um motor artificial (a economia armamentista e, posteriormente, a economia de guerra) que seria, doravante, uma peça essencial para o funcionamento da economia capitalista mundial. A confiança do Reino Unido e dos EUA em sua Vitória na Segunda Guerra Mundial era completa. A conferência estabeleceu uma ordem monetária internacional “totalmente negociada”, “negociação”, no entanto, realizada sob a presença implícita de exércitos ainda em pé de guerra. Os representantes dos EUA propuseram a criação de um “Fundo de Estabilização” (que, finalmente, seria o FMI), que deveria oferecer recursos para os países, garantindo a reconstrução. O FMI foi criado para a operação do sistema, supostamente “para suprir instrumentos de crédito destinados a aliviar dificuldades temporárias no balanço de pagamentos e problemas decorrentes de endividamento externo”. Os créditos provinham das cotas de cada um dos países membros. O Banco Mundial tinha o papel de fornecer financiamento para a reconstrução da Europa destruída pela guerra, e depois para os “países em desenvolvimento”, outorgando‐lhes financiamentos de longo prazo para projetos de investimento e programas de desenvolvimento.

O FMI, diziam, poderia incentivar a irresponsabilidade fiscal na medida em que os países em dificuldades no seu balanço de pagamentos teriam direito a obter crédito oficial do novo organismo. A associação dos banqueiros norte‐americanos declarou que “um sistema de cotas em uma associação que dá aos devedores a impressão de que terão sempre direitos a créditos até um determinado montante não é digno de confiança em princípio, e gera esperanças que não poderão ser concretizadas”. Os Articles of Agreement que deram vida ao FMI entraram em vigor em 27 de dezembro de 1945, quando se verificou a ratificação e assinatura deles por 29 países, correspondentes à subscrição de 80% do valor das quotas originalmente fixadas como sendo o "capital social". A guerra mundial obrigara à criação de novas áreas de produção, que exigiram a construção de centenas de novas fábricas, financiadas pelo governo, e vendidas ao final do conflito aos gigantes industriais a preços nominais. No pós‐guerra a burocracia militar manteve‐se intacta, enquanto as relações com a indústria e o meio financeiro foram preservadas e ampliadas, mesmo com a queda do orçamento de defesa ao final do conflito. Houve previsões de que a paz traria de volta a depressão e o desemprego devido ao fim da produção bélica e ao retorno dos soldados ao mercado de trabalho, sem falar no “aumento da inquietude trabalhista” (lutas operárias). Na ausência de um mercado europeu forte para suas exportações, a economia dos EUA seria incapaz de sustentar a prosperidade que ela alcançara durante a guerra. Além disso, a inflação afetara os salários nos EUA: por isso, no final de 1945, já haviam acontecido greves importantes nas indústrias do automóvel, da eletricidade e do aço. O magnata norte‐americano Bernard Baruch propunha"eliminar o subsídio ao trabalho e a competição acirrada nos mercados exportadores, bem como prevenir a reconstrução de máquinas de guerra". As concessões sociais configuraram finalmente o chamado “Estado de Bem‐Estar” (com incremento do “salário indireto”, previdência social, seguro‐desemprego, principalmente), ampliando, também, o mercado interno de consumo. Esse regime foi mal chamado de “keynesiano”, pois

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