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Preferência Pela Liquidez, Disponibilidade De Crédito, Sistema Bancário E Desenvolvimento Regional: Uma Avaliação Da Região Da Produção - RS

Por:   •  25/10/2014  •  9.521 Palavras (39 Páginas)  •  203 Visualizações

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RESUMO

O objetivo deste trabalho é analisar o impacto de algumas variáveis territoriais no volume total de crédito de uma região. Tais variáveis, derivadas das condições econômicas da região, são captados através da preferência pela liquidez do público e dos bancos. De acordo com o enfoque pós-keynesiano, regiões menos desenvolvidas possuiriam uma maior preferência pela liquidez, em virtude da maior incerteza econômica desta região. Como conseqüência, tanto a demanda por crédito quanto a oferta do mesmo seria menor em regiões menos desenvolvidas. Para analisar esta hipótese calculou-se a preferência da liquidez do público e dos bancos para a capital do Rio Grande do Sul e os principais municípios da Região da Produção do Rio Grande do Sul. Os resultados encontrados na análise descritiva e na análise econométrica indicaram a validade das hipóteses.

Palavras Chaves: Economia Regional, Sistema Bancário, Preferência pela Liquidez.

1. INTRODUÇÃO

A literatura que se dedica à regionalização brasileira sempre se caracterizou pelo impacto do comportamento das variáveis reais da economia (produção, emprego, salários etc.), sendo as variáveis monetárias e financeiras recorrentemente negligenciadas pelos estudiosos (Amado, 1998, p. 418).

Apesar destas dificuldades, estudos recentes como o de Cavalcante, Crocco e Jayme (2004 e 2006) mostraram que é possível fazer inferências relevantes sobre o tema. Os autores citam que grande parte das contribuições relativas ao poder da moeda em economias regionais tem se originado da economia macro-monetária. Tais trabalhos partem de inferências nacionais e dados que são regionalizados para cair em uma discussão antiga: se a moeda importa ou não. Os trabalhos com caráter de pura economia regional, por outro lado, sempre se pautaram por modelos que encaram a moeda como neutra (pelo menos em nível regional) ou, no melhor dos casos, como se tivesse uma perfeita mobilidade entre regiões; os fluxos monetários intraregionais seriam vistos como simples reflexos dos diferentes níveis de desenvolvimento das regiões e de suas instituições. É o caso de modelos como o neoclássico e o multisetorial. Para os pós-keynesianos a moeda não é exógena, entrando no sistema econômico através do crédito gerado pelos bancos e induzido pela sua demanda. Assim, o crédito permite determinar o investimento ao invés de determinar o nível geral de preços, tornando a moeda parte integrante do processo econômico e não neutra. (CAVALCANTE; CROCCO; JAYME, 2004).

É com o intuito de salientar a importância da moeda na economia regional que esse trabalho se apresenta, reforçando alguns pontos sobre o desenvolvimento regional através da ótica pós-keynesiana e verificando se a moeda é um dos fatores que influenciam o dinamismo das regiões. Nesse contexto, cabe indagar sobre quanto o dispêndio se alterará em relação ao estoque monetário em uma economia regional. Ou seja, quais os efeitos, sobre o lado real da economia que se observam, devido às movimentações dos ativos monetários em uma economia regional?

A região em que se focará este estudo é o COREDE Produção. Os COREDE´s são divisões territoriais do estado do Rio Grande do Sul consideradas como áreas de planejamento oficial para o governo do estado. Conforme Finamore (2009) a Região da Produção é composta por 23 municípios, e possui um núcleo industrial e urbanizado formado pelos municípios de Passo Fundo, Carazinho e Marau, e ainda outros 20 municípios com a maioria da população nas áreas rurais e uma rede bancária incipiente.

2. REVISÃO DE LITERATURA

Pretende-se com essa revisão de literatura resgatar o marco teórico do trabalho, tratando o tema da moeda na economia. Nele é abordado o papel da moeda no arcabouço pós-keynesiano. Além disso, discute-se o papel da moeda no desenvolvimento regional, sob a perspectiva das principais escolas, e o efeito da estrutura espacial do sistema financeiro no padrão do desenvolvimento econômico regional.

2.1 A Moeda para os Pós-Keynesianos

A literatura identifica diversas abordagens ao explicar o papel da moeda na economia. No entanto, optou-se por tratar com maior nível de detalhes apenas da análise pós-keynesiana, pois esta é a base teórica que explica o estudo empírico proposto pelo trabalho. Os pós-keynesianos baseiam-se nos estudos que Keynes fez sobre a moeda principalmente no Tratado sobre a moeda, de 1930, e na Teoria Geral do Emprego do juro e da moeda, publicado em 1936 (CARVALHO et al. 2000). Segundo Keynes e a escola pós-keynesiana, a moeda não é neutra tanto no curto como no longo prazo. Nesta abordagem, a preferência

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