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Psicologia

Por:   •  28/5/2013  •  1.324 Palavras (6 Páginas)  •  40 Visualizações

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Provas operatórias de Piaget.

As provas piagetianas constituem um dos instrumentos mais utilizados no

Diagnóstico Psicopedagógico. Elas têm a função de ser um parâmetro do

desenvolvimento cognitivo.No entanto, é nas defasagens que se apresentam

nos resultados dessas provas, que podemos obter os dados que nos põem

na pista da compreensão dos problemas de aprendizagem.

Podemos dizer que as defasagens na produção da criança configuram o seu

problema de aprendizagem. Poder perceber essas defasagens e onde elas

estão é o primeiro passo no diagnóstico. O segundo é poder compreender o

que elas dizem da subjetividade da criança que as apresenta. Podemos

pensar quando nos deparamos com defasagens nas operações lógicas de

classificação ou de seriação em contraposição a um nível de conservação

de acordo com o esperado para a idade da criança.

Por exemplo, uma criança de nove anos que apresenta conservação de peso, mas

apresenta um nível pré-operatório nos seus critérios de classificação ou seriação.

Sabemos que essas operações estabelecem relações lógicas e, portanto, relações

socialmente compartilhadas entre os objetos. Por outro lado, no modo de

funcionamento pré-operatório, tanto os critérios no estabelecimento de relações são subjetivos, como os próprios objetos têm significações singulares que dizem respeito a uma realidade subjetivada.

Retornando ao exemplo dessa criança de nove anos, não devemos pensar que se

trata de uma defasagem cognitiva, sobretudo porque pelo menos num ponto

(o da conservação) o seu desempenho é adequado, mas devemos pensar que ela

não se vale das operações para conhecer, mas para dizer algo de sua subjetividade e do seu desejo. Em outros termos, as defasagens que ela apresenta constituem o seu problema de aprendizagem como

um sintoma, no sentido psicanalítico, na medida em que remetem ao cenário

inconsciente e às peculiaridades de sua manifestação podemos pensar no caso

contrário, ou seja, quando a criança apresenta defasagem no nível de conservação

em relação às suas possibilidades de classificação e seriação. Sabemos que a

conservação do objeto se estabelece a partir de sua representação. Na teoria

piagetiana, a representação não corresponde a uma cópia internalizada do objeto,

mas é uma imagem construída, onde entram em jogo não somente a motricidade e

a percepção, mas supõe também a intencionalidade de um eu nascente. Tampouco, na teoria freudiana, a representação é uma cópia do objeto, mas é também uma construção de um eu nascente, na

medida em que advém das experiências de satisfação e, mais especificamente, da

alucinação (uma falsa percepção) do objeto de satisfação, na sua falta. Seguindo

nesse paralelo entre as teorias, podemos dizer que, em ambas as extensões das

representações dizem respeito à constituição da realidade e de seus objetos. Em

ambas ainda, essa realidade é marcada pelas vivências e experiências singulares

deste eu. Freud acrescentaria a isso que os objetos da realidade são tomados como substitutos do objeto de

satisfação. Na teoria piagetiana, estas primeiras representações que constituem a

realidade são um passo em direção às representações lógicas que constituem o

conhecimento dessa realidade. Na teoria freudiana, essa mudança de estatuto nas

representações implica na operação de recalque e na divisão do sujeito e

consequente constituição do inconsciente e da consciência,

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