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ARTIGO TRANSIÇÃO ALUNOS SURDOS PARA ENSINO SUPERIOR

Por:   •  3/4/2013  •  7.279 Palavras (30 Páginas)  •  701 Visualizações

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revista portuguesa de pedagogia

Transição de alunos surdos

para o ensino superior

Andreia Jorge & Joaquim Armando Ferreira

O presente artigo procura dar a conhecer as principais conclusões de um

estudo qualitativo sobre a trajectória de vida de seis jovens adultos surdos

que frequentaram instituições de Ensino Superior. Através da recolha

das suas opiniões e relatos em Língua Gestual Portuguesa, procurou-se,

à luz do modelo de transição de Schlossberg, Waters e Goodman (1995),

identificar os factores facilitadores, barreiras e dificuldades sentidas pelos

alunos surdos no seu processo de transição para o Ensino Superior.

Deste modo, pretende-se dar estatuto à Educação, em geral, e à Educação

de Adultos, em particular, através de um esforço multi e transdisciplinar

que permita a construção de uma imagem que dê sentido e relevância à

educação dos alunos surdos, reconhecendo-a na sua importância como um

factor de justiça, de coesão social e de desenvolvimento do país. Repensando

o futuro da educação e valorizando a especificidade dos seus métodos,

formas e práticas esta passará a ser assumidamente um elemento

base para uma educação verdadeiramente inclusiva, holística e superior.

Introdução

A educação é, e de certa forma sempre foi, um problema social constante, que se

apresenta no cruzamento de todos os problemas sociais, pretendendo, por um lado,

a modificação da sociedade actual e simultaneamente a preparação da sociedade

do futuro. Assim sendo, que perspectivas se nos afiguram para uma sociedade e

uma escola mais inclusivas? Que mudanças serão necessárias operar? Como será

encarada a primeira década do século XXI relativamente à educação, em geral, e à

educação de alunos surdos, em particular?

Embora sejam poucos os anos de experiência inclusiva, a reflexão sobre as práticas

diárias permite identificar alguns aspectos chave a nível de orientação, intervenção

e, acima de tudo, inclusão destes alunos. Neste contexto, os estabelecimentos de

Ensino Superior, não mais destinados a elites nem à simples reprodução dos sabe-

Mestre e Doutoranda em Ciências da Educação, FPCEUC

Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra

ano 41-3, 2007, 335-357

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res, devem responder ao desafio de modo a garantir, eficazmente, a igualdade de

oportunidades dos estudantes com Necessidades Educativas Especiais (NEE), consagrando

mecanismos de resposta à heterogeneidade social, cultural e linguística

que caracteriza a comunidade escolar na nossa sociedade. Contudo, o facto de os

alunos surdos se encontrarem muitas vezes limitados pela natural dificuldade no

uso da linguagem oral e pela falta de condições que possibilitem o uso da Língua

Gestual de uma forma eficiente, e a crescente evidência da importância das comunidades

linguísticas de referência no processo de desenvolvimento de qualquer língua

(incluindo a gestual), pressupõe que as condições necessárias à educação de

jovens surdos sejam organizadas com particular atenção.

Apesar de ao longo dos três ciclos de escolaridade ainda existirem poucas alternativas

para o estudante surdo que quer receber educação na sua língua, no Ensino

Superior

...

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