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Notas Sobre as Relações Sociais na Plantation Tradicional

Por:   •  22/1/2019  •  Resenha  •  677 Palavras (3 Páginas)  •  29 Visualizações

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RESENHA CRITÍCA

PALMEIRA, Moacir. Casa e trabalho: notas sobre as relações sociais na plantation tradicional. Contraponto, v. 2, n. 2, p. 103-114, 1977.

Shara Maciel Melo  

O texto de Moacir Palmeira, Casa e trabalho: notas sobre as relações sociais na plantation tradicional, p. 103-114 (1977), trata-se de um estudo sobre trabalhadores de engenho no nordeste e suas variantes de moradia, formas de remuneração e organização. Os quais mantinham uma ligação do trabalho à moradia. O autor elucida as similitudes as novas formas de submissão aos patrões nos tempos atuais.

Moacir nos cita as mudanças na legislação, com desenvolvimento da luta de classes na região açucareira do Nordeste (1950), a qual o morador passa a designar-se proletário rural. Para o senso comum morar significa habitar, para os trabalhadores de cana de açúcar morar significa ligar-se a um engenho de uma maneira particular. Essa ligação era obtida através de um contrato particular com o senhor do engenho, o trabalhador em potencial se tornaria um morador. O trabalhador procurava no engenho também uma casa de morada, com vantagens e que pudessem usufruir do sítio.

A casa incluía um terreno a frente ou atrás que o morador poderia ficar com uma pequena parte da safra, assim englobando o trabalho a moradia. Alguns moradores não possuíam sitio, como os que moravam no pátio (no pátio era colocado os novos trabalhadores, pois não eram considerados confiáveis), em senzalas e os que se localizavam próximo aos animais.  

O autor compara o sistema a uma escravidão moderna por seu caráter de eterna cobrança e dívida que nunca tinha fim, chegando a confiscar “trabalho” de alguns moradores endividados. Identificando em geral o trabalho gratuito, remetendo à obrigatoriedade do trabalho para o engenho, podendo se alterar se o morador preferir dedicar-se basicamente a seu roçado, o engenho terá de qualquer forma assegurado dois dias de trabalho, pois só se passa a receber remuneração a partir do terceiro dia trabalhado, tendo acrescimentos ao trabalhar quatro, cinco etc.

Moacir menciona as três formas de trabalhar: por diária, por tarefa ou por conta. a diária citada acima é malvista, a tarefa é um pedaço de terra de 3.025m², fixada para um trabalhador no início da semana, podendo ser tirada pelo patrão ou pelo empregado mais ou menos ao longo de uma semana de trabalho, podendo ser interrompido pelo o cabo, tido como um supervisor, se for entendido pelo mesmo  como mal feito.  

O bom relacionamento com o senhor do engenho é essencial para aquisição de ganhos, ou até mesmo em um favorecimento na distribuição de tarefas. Os moradores não possuíam seus instrumentos próprios, tudo que está no engenho pertence ao mesmo.

*Graduação em andamento em Geografia Bacharelado pela Universidade Estadual Vale do Acaraú –

UVA. E-mail: shara-melo@hotmail.com 

 

Os moradores frisam não fazer qualquer trabalho, assim afirmando uma dignidade em relação a prestação de serviço ao senhor do engenho. O trabalhador tido como eficiente sabe executar todo o serviço, mas fazer efetivamente todo o serviço remete ao cativeiro, de ordem inferior. Um trabalhador tido como de qualquer serviço no fim de sua vida é tido como indiferente.

Moacir cita ainda as diferenças entre os moradores e os ‘homens de confiança’ comprados: os moradores têm as regras da moradia interiorizadas e por isso são deixados em paz.

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