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Pespectiva Do Serviço Social No Mundo Capitalista

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Por:   •  15/11/2012  •  9.067 Palavras (37 Páginas)  •  1.371 Visualizações

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SERVIÇO SOCIAL EM TEMPO DE CAPITAL FETICHE – CAPITAL FINANCEIRO, TRABALHO E QUESTÃO SOCIAL”

Editora Cortez, São Paulo, 2007

Autora: Marilda Vilela Iamamotto

Capítulo II – Capital fetiche, Questão Social e Serviço Social

A estruturação da economia capitalista mundial, após a Guerra Fria e no alvorecer do século XXI, sob a hegemonia do império norte-americano, sofre profundas mudanças na sua conformação. A efetiva mundialização da “sociedade global” é acionada pelos grandes grupos individuais transnacionais articulados no mundo das finanças. Este tem como suporte as instituições financeiras que passam a operar com o capital que rende juros (bancos, companhias de seguros, fundos de pensão, fundos mútuos e sociedades financeiras de investimento), apoiados na dívida pública e no mercado acionário das empresas. Esse processo impulsionado pelos organismos multilaterais captura os Estados Nacionais e o espaço mundial atribuindo um caráter cosmopolita à produção e consumo de todos os países. O capital financeiro assume o comando do processo de acumulação e, mediante inéditos processos sociais, envolve a economia e a sociedade, a política e a cultura, vincando profundamente as formas de sociabilidade e o jogo das forças sociais.

1) Mundialização da economia, capital financeiro e questão social

A mundialização da economia está ancorada nos grupos individuais transnacionais, resultantes de processos de fusões e aquisições de empresas em um contexto de desregulamentação e liberalização da economia.Essa denominação é impensável sem a intervenção política e apoio efetivo dos Estados Nacionais, pois só na vulgata neoliberal o Estado é externo aos “mercados”. Nesse novo estágio de desenvolvimento do capital redefinem-se as soberanias nacionais, com a presença de corporações transnacionais e organizações multilaterais – o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio, a “santíssima trindade do capital em geral” – principais porta vozes das classes dominantes em escala mundial. Vem ocorrendo o fenômeno da homogeneização dos circuitos do capital, homogeneização esta apoiada na mais completa heterogeneidade e desigualdade das economias nacionais.

O novo neste contexto de liberalização e desregulamentação do capital é que os bancos perdem o monopólio da criação de crédito e os grandes fundos de investimentos passam a realizar operações de empréstimos às empresas que eram clientes preferenciais do sistema bancário, com ele competindo na busca de juros elevados.

Outro elemento inédito, que alimenta a mundialização é o crescimento da dívida pública que se converte em fonte de poder dos fundos de investimentos, assoberbando o capital fictício.Como as taxas de juros são superiores ao crescimento global da economia – ao produto interno bruto – tais rendimentos crescem como uma bola de neve.

Traduzindo esses mecanismos, tem-se que o capital financeiro avança sobre o que Oliveira (1998) denomina de fundo público, formado por parte dos lucros dos empresários e do trabalho necessário dos trabalhadores, que são apropriados pelo Estado sob a forma de impostos e taxas.

O investimento especulativo no mercado de ações aposta na extração da mais valia presente e futura dos trabalhadores para alimentar as expectativas de lucratividade das empresas, segundo padrões internacionais que parametram o mercado financeiro.

A mundialização financeira sob distintas vias de efetivação unifica, dentro de um mesmo movimento, processos que vêm sendo, tratados pelos intelectuais como se fossem isolados ou autônomos:

- a “reforma do Estado”, tida como especifica da arena política;

- a reestruturação produtiva referente às atividades econômicas empresariais e à esfera do trabalho;

- a questão social-reduzida aos chamados processos de exclusão e integração social geralmente circunscrito a dilemas da eficácia da gestão social;

Atribuir visibilidade aos fios intransparentes supra-assinalados, que tecem a totalidade do processo de mundialização, é da maior importância para compreender a gênese da (re)produção da questão social, que se esconde por detrás de suas múltiplas expressões específicas, que condensam uma unidade de diversidades.

Esse processo de mundialização provoca a polarização da classe trabalhadora. Por um lado, um grupo central, proporcionalmente restrito, de trabalhadores regulares, com cobertura de seguros e direitos de pensão, dotados de uma força de trabalho de maior especialização e salários relativamente mais elevados. Por outro lado, um amplo grupo periférico, formado por um contingente de trabalhadores temporários e/ou de tempo parcial, dotados de habilidades facilmente encontráveis no mercado, sujeitos aos ciclos instáveis da produção, e dos mercados. A ampliação de trabalhos temporários expressa o aumento da subcontratação de pequenas empresas, que agem como escudo protetor de grandes corporações, enquanto transferem os custos das flutuações dos mercados à externalização da produção.

Tais mudanças encontram-se na origem do sofrimento do trabalho e da falta deste que conduz à ociosidade forçada enormes segmentos de trabalhadores aptos ao trabalho, mas alijados do mercado de trabalho, engrossando a superpopulação relativa para as necessidades média do capital.

Na direção analítica supracitada, a questão social expressa a subversão do humano própria da sociedade capitalista contemporânea, que se materializa na naturalização das desigualdades sociais e na submissão das necessidades humanas ao poder das coisas sociais – do capital dinheiro e de seu fetiche. Conduz à indiferença ante os destinos de enormes contingentes de homens e mulheres trabalhadores – resultados de uma pobreza produzida historicamente, universalmente subjugada, abandonada e desprezada, porquanto sobrantes para as necessidades médias do capital.

2) A questão social no Brasil Contemporâneo

Para Wanderley (2000, 2003), discernir a questão social na América Latina exige atentar às particularidades histórico-culturais das relações sociais na região em suas dimensões econômicas, políticas, culturais e religiosas, com acento na concentração de renda e poder e na pobreza das grandes maiorias. Exige também atribuir visibilidade aos sujeitos

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