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Epistemologia Pelo Ensino Médio

Por:   •  25/8/2026  •  Trabalho acadêmico  •  2.115 Palavras (9 Páginas)  •  3 Visualizações

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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA DO MATO GROSSO

ELETROMECÂNICA: 2º B

DISCIPLINA: FILOSOFIA

A Teoria do Conhecimento em Immanuel Kant: O que podemos conhecer?

Docente: Luiza Helena Hilgert

Discente: Hari Kirtan Lira Fernandes

PRIMAVERA DO LESTE – MT 06/2026

  1. Introdução

Os primeiros filósofos indagavam sobre as coisas usando um conjunto de questões: “Por que as coisas existem?”, “Qual é a substância primordial da natureza?”, “Quais são as causas das transformações?”. Todas essas questões culminam em “O que são as coisas” ou “O que é o Ser”. Essas questões dos pré-socráticos são derivadas da ideia de que as coisas podem ser conhecidas como são, pois, para os gregos, a verdade é alétheia, ou seja, os seres (as coisas existentes) estão manifestas e presentes, portanto podem ser conhecidas.

A historiografia filosófica tende a reduzir o pensamento dos pré-socráticos à mera investigação cosmológica, contudo, a preocupação com o conhecimento se mostra de modo implícito. Os gregos afirmavam que a realidade é racional e que podemos conhecê-la porque somos igualmente racionais. Isso dará fundamento para discussões epistemológicas futuras.

Platão (427-347 a.C.) criava a sua teoria do Mundo das Ideias influenciado pelos pensamentos socráticos sobre a verdade. A verdade deveria ser alcançada começando por eliminar as ilusões dos sentidos. Para Platão, a alma humana possuía ideias inatas adquiridas no mundo das ideias em uma vida pré-terrena (teoria da reminiscência). A verdade só poderia então ser alcançada pela razão. Essa é a primeira manifestação do racionalismo (ou inatismo).

Anos mais tarde, Aristóteles (384-322 a.C.) manifestava os primeiros sinais do empirismo conceituando, em oposição às ideias de seu mestre Platão, a imanência. Parte de sua filosofia pode ser resumida em:  “não há nada no intelecto que não estivesse antes nos órgãos dos sentidos”.

Esses são os princípios das discussões sobre o conhecimento. Este trabalho tem como objetivo analisar o inatismo e o empirismo, seus problemas e abordar a solução kantiana para este embate. Immanuel Kant (1724-1804) postulou o Idealismo Transcendental para investigar os limites do conhecimento. Ele queria responder: “O que é a razão?”, “O que ela pode conhecer?”, “Quais são os limites que o conhecimento humano não pode ultrapassar?”,”Quais são as condições para que haja conhecimento verdadeiro?”, “Como a razão e a experiência se relacionam?”.

Numa época em que o dogmatismo metafísico e o ceticismo do empirismo reinavam e paralisavam a filosofia, Kant voltou-se ao estudo da própria faculdade do conhecer para enfim resolver os problemas desse embate. Esta é a “revolução copernicana” da filosofia.

  1. O racionalismo.

O racionalismo é a doutrina epistemológica que vê na razão, no pensamento, a fonte principal do conhecimento, sendo as experiências exteriores secundárias ou prejudiciais ao conhecimento verdadeiro.

Como dito anteriormente, a primeira manifestação do racionalismo é encontrada nas teorias de Platão. Suas teorias explicam a origem do conhecimento verdadeiro e inato (o Mundo das Ideias), as razões pelas quais não se deve confiar nos sentidos (são sombras das ideias) e como é possível alcançar o conhecimento verdadeiro (a recordação das ideias pela razão).

René Descartes (1596-1650) é o fundador do racionalismo moderno. Descartes fazia uma diferenciação de três tipos de ideias contidas no espírito: ideias adventícias, as ideias vindas de fora, as percepções, lembranças, sensações, experiências sensoriais; ideias fictícias, criadas em nossa imaginação, naturalmente falsas; ideias inatas, não podem vir das experiências sensoriais e nem imaginativas. Nós nascemos com as ideias inatas: princípios da razão, noções comuns da razão e coisas simples conhecidas pela intuição intelectual (como o cogito derivado da dúvida hiperbólica) são exemplos de inatismo.

As ideias inatas simples derivam ideias complexas por inferência: o conhecimento da realidade ocorre pelas inferências da razão a partir de princípios a priori, isto é, a realidade é conhecida pela dedução a partir de princípios independentes da experiência (ideias inatas).

Para os racionalistas, portanto, princípios e leis devem estar em nosso espírito desde o nascimento para que tenhamos um critério de conhecimento verdadeiro.

A tendência do racionalismo foi se isolar demais do empirismo e confiar em postulados metafísicos extensos para embasar conceitos dados pela razão. O exercício da razão sem discernimento dos limites cognoscíveis leva o homem a postulados absurdos.

A razão humana tem o destino singular, em um gênero de seus conhecimentos, de ser importunada por questões que não pode evitar, pois lhe são impostas pela natureza da própria razão, mas às quais também não pode responder, por ultrapassarem completamente a capacidade da razão humana. [...] Ela começa com princípios cujo uso é inevitável no curso da experiência... Com esses princípios, a razão eleva-se cada vez mais... Mas, percebendo que por esse caminho sua tarefa deve permanecer sempre inacabada... vê-se obrigada a recorrer a princípios que ultrapassam todo uso experimental possível... Mas, por isso mesmo, cai em trevas e contradições… (KANT, A vii - A viii)

As falhas do racionalismo podem ser divididas em dois problemas principais:

  1. A própria razão pode mudar as ideias sobre o homem e a natureza que antes eram consideradas universais e necessárias: justiça platônica X justiça democrática
  2. A própria razão como faculdade de raciocínio pode provar que ideias anteriormente consideradas verdadeiras podem ser falsas: mecânica cartesiana X mecânica newtoniana.

  1. O empirismo.

O empirismo é a concepção que fundamenta nosso conhecimento, ou a matéria que o constitui, na experiência através dos órgãos dos sentidos. Para os empiristas, a experiência é a fonte e o alicerce de todo o conhecimento.

Para John Locke (1632-1704), o ser humano é como uma folha em branco. A folha é preenchida pelas experiências e a experiência converge à reflexão.

Todas as ideias derivam da sensação ou reflexão. Suponhamos, pois, que a mente é, como dissemos, um papel em branco, desprovida de todos os caracteres, sem nenhuma ideia; como ela será suprida? De onde lhe provém este vasto estoque, que a ativa e ilimitada fantasia do homem pintou nela com uma variedade quase infinita? De onde apreende todos os materiais da razão e do conhecimento? A isso respondo, numa palavra: da experiência. (LOCKE, 1999, p. 57)

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