Fichamento de Teóricos e Historiadores
Por: Murillo Cruz • 10/9/2026 • Trabalho acadêmico • 1.711 Palavras (7 Páginas) • 3 Visualizações
BURKE, Peter. “Teóricos e historiadores”. In: História e teoria social. São Paulo: Edunesp,
2002, p. 11-37.
Ideia Central
No capítulo “Teóricos e historiadores”, Peter Burke parte da afirmação de Fernand Braudel
(1983) de que, muitas vezes, o diálogo entre sociólogos e historiadores é um “diálogo de
surdos”, à medida que cada área vê a outra “como um estereótipo bastante grosseiro” (p.
11-13).
No entanto, ao reconhecer a existência de “bilíngues” (p. 13), Burke aborda o uso da teoria
por historiadores e teóricos sociais para iniciar uma discussão que pretende responder a
duas questões: “Qual é a utilidade da teoria social para os historiadores e qual a utilidade da
história para os teóricos sociais?” (p. 11).
Argumentos
“Este livro é uma tentativa de responder a duas questões aparentemente simples: Qual é a
utilidade da teoria social para os historiadores e qual a utilidade da história para os teóricos
sociais?” (p. 11).
“Afinal de contas, dois conceitos que vêm exercendo grande influência em sociologia, antropologia
e estudos políticos nos últimos anos foram originalmente lançados por historiadores marxistas
britânicos: a economia moral, de Edward Thompson (1971), e a invenção da tradição, de Eric
Hobsbawm (Hobsbawm & Ranger, 1983)” (p. 12).
“Historiadores e teóricos sociais têm a oportunidade de se libertar de diferentes tipos de
paroquialismo. Os historiadores correm risco de paroquialismo no sentido quase literal do
termo” (p. 13).
“Ao se especializarem, como em geral o fazem, em uma região específica podem acabar
considerando sua paróquia completamente única, e não uma combinação única de
elementos, que individualmente têm paralelos em outros lugares” (p. 13).
“Os teóricos sociais demonstram paroquialismo em um sentido mais metafórico, um
paroquialismo mais vinculado ao tempo do que lugar, sempre que generalizam sobre a
sociedade com base apenas na experiência contemporânea ou discutem a mudança social
sem levar em consideração os processos de longo prazo” (p. 13).
“Cada qual, sociólogo e historiador, vê o argueiro nos olhos do outro. Infelizmente, cada
grupo tende a perceber o outro como um estereótipo bastante grosseiro” (p. 13).
“Em resumo, apesar da existência de um número cada vez maior de bilíngues, cujo trabalho
será discutido nas páginas seguintes, sociólogos e historiadores ainda não falam a mesma
língua. Seu diálogo, como certa vez afirmou o historiador francês Fernand Braudel (1958),
é normalmente um diálogo de surdos” (p. 13-14).
“No século XVIII não havia controvérsias entre sociólogos e historiadores por uma razão
simples e óbvia: a sociologia não existia como uma disciplina independente” (p. 14-15).
“Talvez seja possível descrever esses teóricos sociais como analíticos ou, para usar o termo
do século XVIII, como historiadores filosóficos” (p. 15).
“A capacidade de enxergar o geral no específico, de acordo com Gibbon, era uma
característica do trabalho de quem ele chamou de historiador filosófico” (p. 16).
“O antigo regime e a revolução" (1856), de Alexis de Tocqueville, foi um trabalho seminal
de história com base em documentos originais, assim como um marco em teoria social e
política” (p. 20).
“Tocqueville, Marx e Schmoller desenvolveram um trabalho relativamente raro ao
combinar teoria com interesse pelos detalhes das situações históricas concretas” (p. 20).
“Comte acreditava que a história social ou, como costumava chamá-la, ‘a história sem os nomes de
indivíduos ou até mesmo sem os nomes dos povos’ era indispensável ao trabalho da teoria, a que ele
foi o primeiro a chamar de ‘sociologia’. Sua obra completa poderia ser descrita como ‘filosofia da
história’, no sentido de que foi fundamentalmente uma divisão do passado em três eras: a era da
religião, a era da metafísica e a era da ciência” (p. 20).
“O ‘método comparativo’ – outra expressão comum na época – era histórico, no sentido de
que implicava a colocação de todas as sociedades (na verdade, todos os costumes ou
artefatos) em uma escala evolucionária (Aron, 1965, p. 63-110; Burrow, 1965; Nisbet,
1969, cap. 6)” (p. 20).
“Os teóricos levavam o passado a sério, porém muitas vezes demonstravam pouco respeito
pelos historiadores” (p. 22).
“Comte (1864, conferência 52), por exemplo, referia-se com desprezo ao que chamava de ‘detalhes
sem importância recolhidos de forma tão infantil pela curiosidade irracional dos compiladores
míopes
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