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Fichamento do Texto Velho Brasil, Novas Africas; Portugal e o Império 1808-1975

Por:   •  26/9/2018  •  Resenha  •  2.078 Palavras (9 Páginas)  •  88 Visualizações

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Fichamento do texto “velho brasil, novas áfricas; portugal e o império (1808-1975)” de valentim alexandre

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Fichamento do texto “Velho Brasil, Novas Áfricas; Portugal e o Império (1808-1975)” de Valentim Alexandre

O texto de Valentim começa colocando em questão a necessidade de se fazer um estudo acerca da resistência portuguesa às novas condições do sistema de relações internacionais que tiveram seu nascedouro com as guerras napoleônicas. Explica-se que essa concepção demonstra uma continuidade, uma vez que a perda do Brasil não implicaria uma grande mudança, pois Portugal já era um mero intermediário entre o Brasil e a Europa. Esta ideia, entretanto, faz esquecer as mudanças ocorridas na dependência de Portugal em relação à Inglaterra e nas mudanças políticas no país lusitano, que fez surgir uma ideologia nacionalista. (p.11)

De acordo com Alexandre a ideologia nacionalista portuguesa se constrói a partir 1808 em função da crise nas relações entre Portugal, Inglaterra e Brasil. Contudo essa crise não surge por conta da presença inglesa em Portugal, que inicialmente era bem vista pela burguesia e as elites, pois poderiam conter o movimento popular urbano e rural que atingiram Portugal em 1808. Além disso, a intervenção inglesa possibilitava a reorganização do aparelho estatal e, posteriormente, o reforço do exército para controlar as classes populares. (p.12)

Até 1814 os pontos negativos das relações entre Inglaterra e Portugal são disfarçados em Lisboa. A abertura dos portos brasileiros foi vista como necessário, pois como Portugal estava em guerra no seuterritório e impossibilitada de comercializar importantes produtos com o Brasil, seria importantes que os britânicos fizessem comércio com os britânicos e, além disso, acreditava-se que o tratado só duraria enquanto durasse a guerra. Contudo os efeitos dos tratados de 1810 foram fortíssimos para a metrópole, principalmente para o setor manufatureiro e de ofícios mecânicos. Em 1813 uma publicação no Investigador Português em Londres denunciava a miséria dos artesãos por conta da entrada das mercadorias britânicas. Entretanto, a burguesia mercantil portuguesa não se sentia da mesma forma, pois o afluxo do capital inglês para os gastos com a guerra escondiam a crise gerada pelos tratados de 1810. Conclui-se que a presença britânica não foi sentida enquanto duraram as Guerras Napoleônicas e a colaboração anglo-portuguesa é vista como uma base para a projeção do país a uma posição mais elevada no concerto europeu das nações, após a de derrota de Napoleão. Isto contribuiu para o afloramento da ideologia nacionalista em Portugal. O autor utiliza um exemplo de um comentário no jornal Telégrafo Português em 1814 que exalta o papel importante que a nação portuguesa havia alcançado após seis anos de conflito.

Valentim Alexandre atribui ao nacionalismo português que surge nesse período o papel de conter os conflitos internos que agitavam a sociedade portuguesa do período. O mesmo ainda defende que por conta disso, o movimento popular, rural e urbano, de 1808 é amputado de partedo seu significado originário e aparece reduzido a um simples elemento de luta contra o invasor francês, conduzido pela burguesia. (p.14-15)

Durante as negociações para a adesão de Portugal ao Tratado de Paz com a França, ficou claro que para que as reivindicações portuguesas fossem atendidas, os lusos precisariam do apoio inglês, que não estava disposto a conceder. Dessa forma, Portugal obteve a menor das indenizações oferecidas aos países que haviam lutado contra as tropas napoleônicas. Assim, Portugal passou a ser vista como um país sob a tutela britânica, sem muito peso no cenário europeu. Essa tutela britânica não se restringia à política externa, uma vez que Beresford conseguiu ampliar os poderes que havia recebido durante a guerra, dentro de Portugal. (p.15)

Beresford promoveu oficiais ingleses dentro do exército, fazendo com que este deixasse de ser um corpo nacional e, desta maneira, aumentou seus poderes dentro de Portugal. Assim, os lusos passaram a ser vistos como mera colônia dos britânicos. Sendo assim, as publicações na imprensa lusa começa a mudar o tom ao publicar sobre as relações entre ingleses e portugueses a partir de 1814-1815. Deixa-se de publicar os textos de exaltação patriótica e inicia-se a publicação de textos com reflexões sobre a dependência estrangeira e sobre os efeitos negativos da dependência portuguesa em relação à Inglaterra. (p.15-16)

Em relação a esta situação, Alexandre defende que essas reflexões não desacreditam nofuturo do país, mas buscam fazer apelo pela busca de uma política independente e de busca pela afirmação nacional, apelo feito tanto por liberais e absolutistas reformistas. Para isso, buscava-se a revogação do tratado de comércio de 1810, tido como grande empecilho para o desenvolvimento mercantil e industrial português e como ofensa a dignidade nacional. (p.16)

A partir de 1815, torna-se claro que D. João VI não deseja voltar com a Corte para Lisboa, fazendo com que o país passasse a ser subordinado politicamente ao Brasil. Essa inversão de posições entre metrópole e colônia vinha ferir os sentimentos nacionalistas lusitanos que haviam se formado nos anos anteriores. Muitos dos mais importantes organismos haviam sido transferidos para o Rio de Janeiro e política que se visava implementar buscava reestruturar o Império tendo o Rio de Janeiro como centro, prejudicando os interesses portugueses. Além disso, a tentativa do governo no Rio em anexar Montevidéu, o que implicaria a transferência de fundos e tropas de Portugal para o Brasil. (p.18)

Contudo a união com o Brasil era desejável, porém em moldes diferentes. O sistema do império deveria ser reformulado, compensando a abertura dos portos por direitos preferenciais concedidos aos produtos nacionais e a marinha mercante portuguesa; politicamente, Portugal deveria ser tratado como parte do Reino e não como uma simples província ou colônia. Essa situação fez surgir a possibilidade de separação no reino,levando a sugir até a possibilidade de união com a Espanha. (p.19)

A ideia de união com a Espanha foi difendida por alguns periódicos do período que partilhavam da ideia de que mais valia ser sócio de uma grande nação livre do que ser colônia do Brasil. Contudo, Valentim Alexandre defende a ideia de que esta ideologia não é uma quebra dos princípios nacionalistas, pois uma possível união com a Espanha seria uma forma de se manter autônomo em relação ao Brasil e a Inglaterra. Porém a rivalidade entre portugueses e espanhóis sempre foi grande e as potências estrangeiras se utilizam disso para evitar a união entre os dois países e facilitar a dominação. Alexandre ainda aponta que a ideia de uma nova formação da União Ibérica estaria enraizada na pressão que a burguesia mercantil portuguesa sofria pela política econômica britânica. Dessa forma, o autor acredita que a ideologia nacionalista que os periódicos O Português e O Campeão Português elaboram, é levada pela própria lógica interna a formular projetos políticos de ruptura que se dariam pela eliminação de vários setores burgueses. (p.19-20)

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