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A MITOLOGIA GREGA E CULTURA RELIGIOSA JUDAICO-CRISTÃ: semelhanças entre as narrativas míticas gregas e textos da Bíblia Sagrada.

Por:   •  11/7/2020  •  Artigo  •  6.440 Palavras (26 Páginas)  •  59 Visualizações

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MITOLOGIA GREGA E CULTURA RELIGIOSA JUDAICO-CRISTÃ: semelhanças entre as narrativas míticas gregas e textos da Bíblia Sagrada.

Daniel Oliveira de Araújo – graduando em Teologia, PUC-Rio.

A pretensão desse trabalho é mostrar algumas semelhanças entre os relatos da mitologia grega e alguns relatos bíblicos, a saber: a criação do mundo, a criação do homem e o surgimento do mal, a montanha como lugar de encontros sagrados e de revelações entre o divino e o humano, sacrifícios, outras comparações literárias. Para tal, servimo-nos de textos de autores que relatam aspectos da mitologia na cultura grega, bem como os livros do Pentateuco, contidos na Bíblia e, também, alguns textos dos Evangelhos. Desta maneira apresentamos este conteúdo da seguinte forma: apresentação do relato da criação do mundo; a criação do homem tendo a terra (barro) como elemento primordial; o surgimento do mal a partir do surgimento da mulher; os montes como locais das manifestações divinas ao se revelarem aos humanos; relatos de sacrifícios.

INTRODUÇÃO

Desde a mais longíqua antiguidade o homem busca compreender as origens do mundo (realidade), do ser humano, do bem e do mal, bem como uma forma para explicá-las. Num tempo bastante remoto, essas explicações estavam baseadas nos relatos mitológicos. Progressivamente, passou-se utilizar a ciência como ferramenta para essa compreensão e, através dela, procurar formular teorias coerentes e contundentes acerca de tais problemas.

Na atualidade, a teoria científica mais aceita acerca da origem do mundo é a do Big Bang, na qual se diz que o universo tenha surgido a partir de uma explosão. Já, para a origem do homem e das demais espécies vivas, considera-se a teoria evolucionista de Charles Darwin. Mas, quanto à origem do mal e sua problemática, essa discussão continua sendo formulada por meio de estudos filosóficos, antropológicos, e, ainda, religiosos.

A teoria Criacionista é baseada em conceitos presentes na Bíblia, mais precisamente no livro do Gênesis, segundo a qual o mundo e o homem foram criados por Deus. O relato da criação descrita no livro do Gênesis consiste numa narrativa mitológica também vista em outros povos antigos. Além da criação do mundo e do homem, as narrativas mitológicas, gregas e do Gênesis, também relatam o surgimento do mal no mundo.

A partir desses relatos mitológicos – gregos e bíblicos - buscamos fazer uma comparação e verificar as semelhanças e proximidades existentes entre ambos.

O RELATO DA CRIAÇÃO DO MUNDO NA MITOLOGIA GREGA E NO LIVRO DO GÊNESIS

Os relatos míticos, gregos e bíblicos, relacionados à origem do mundo estabelecem um pensamento que visa ordenar os diversos elementos da natureza segundo um processo de criação dividido em etapas, onde tudo se origina do caos (desordem), sendo sucessivamente ordenado até que se chegue à concepção do mundo tal como é visto.

Segundo a mitologia grega, mais precisamente de acordo com a Teogonia de Hesíodo, a origem do mundo se deu da seguinte forma:

CAOS — No princípio era o Caos. Caos, em grego χάoϛ (Kháos), do v. χαίνειν (khaínein), abrir-se, entreabrir-se, significa abismo insondável.133 Ovídio chamou-o rudis indigestaque moles (Met. 1,7), massa informe e confusa. Consoante Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, o Caos é “a personificação do vazio primordial, anterior à criação, quando a ordem ainda não havia sido imposta aos elementos do mundo”. […] Do Caos grego, dotado de grande energia prolífica, saíram Géia, Tártaro e Eros. GÉIA, em grego Γαîα (Gaia), cuja etimologia é muito discutida, é a Terra, concebida como elemento primordial e deusa cósmica, diferenciando-se assim, teoricamente, de Deméter, a terra cultivada. Géia se opõe, simbolicamente, como princípio passivo ao princípio ativo; como aspecto feminino ao masculino da manifestação; como obscuridade à luz; como Yin ao Yang; como anima ao animus; como densidade, fixação e condensação à natureza sutil e volátil, isto é, à dissolução. Géia suporta, enquanto Urano, o Céu, a cobre. Dela nascem todos os seres, porque Géia é mulher e mãe. […] Consoante a Teogonia, 126sq., a própria Géia gerou a Urano, que a cobriu e deu nascimento aos deuses. Esta primeira hierogamia, quer dizer, casamento sagrado, foi imitado pelos deuses, pelos homens e pelos animais. Como origem e matriz da vida, Géia recebeu o nome de Magna Maier, a Grande Mãe. Guardiã da semente e da vida, em todas as culturas sempre houve “enterros” simbólicos, análogos às imersões batismais, seja com a finalidade de fortalecer as energias ou curar, seja como rito de iniciação. (BRANDÃO, 1986, p. 184-185).

O que é o Caos? É um vazio escuro onde não se distingue nada. Espaço de queda, vertigem e confusão, sem fim, sem fundo. [...] Portanto, na origem há apenas esse Caos, abismo cego, noturno, ilimitado. Depois apareceu Terra. Os gregos dizem Gaîa, Gaia. Foi no próprio seio de Caos que surgiu a Terra. Portanto, nasceu depois de Caos e representa, em certos aspectos, seu contrário. [...] Na Terra tudo é desenhado, tudo é visível e sólido. É possível definir Gaia como o lugar onde os deuses, os homens e os bichos podem andar com segurança. Ela é o chão do mundo. (VERNANT, 2000, p. 17-18)

No relato bíblico do Gênesis, é assim a criação do mundo:

No princípio, Deus criou o céu e a terra. Ora, a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um sopro de Deus agitava a superfície das águas. Deus disse: “Haja luz”, e houve luz. Deus viu que a lua era boa, e Deus separou a luz e as trevas. Deus chamou à luz “dia” e às trevas “noite”. Houve uma tarde e uma manhã: primeiro dia. Deus disse: “Haja um firmamento no meio das águas e que ele separe as águas das águas”, e assim se fez. Deus fez o firmamento, que separou as águas que estão sob o firmamento das águas que estão acima do firmamento, e Deus chamou ao firmamento “céu”. Houve uma tarde e uma manhã: segundo dia. Deus disse: “Que as águas que estão sob o céu se reúnam em um só lugar e que apareça o continente”, e assim se fez. Deus chamou ao continente “terra” e à massa das águas “mares”, e Deus viu que isso era bom. (GÊNESIS 1, 1-9).

Podemos destacar algumas semelhanças entre os dois relatos:

- O surgimento primevo de Gaia e Urano, para os gregos, em equivalência a Terra e ao Céu do Gênesis.

- A organização e as etapas da criação: Os principais elementos são separados e colocados

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