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O aparelho formal da enunciação

Por:   •  12/8/2019  •  Trabalho acadêmico  •  877 Palavras (4 Páginas)  •  17 Visualizações

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INSTITUIÇÃO: Universidade de Franca – UNIFRAN

CURSO: Pós-graduação Strictu Sensu – Mestrado em Linguística – 2017

DISCIPLINA: Teorias Linguísticas

Docente: Profa. Dra. Luciana Carmona Garcia Manzano

Mestranda: Pâmela Tavares de Carvalho

O APARELHO FORMAL DA ENUNCIAÇÃO

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BENVENISTE, É. O aparelho formal da enunciação. In: ___. Problemas de linguística geral II. 4. ed. Campinas, SP: Pontes, 1989. p. 81-90.

No texto “O aparelho formal da enunciação”, quinto capítulo do livro Problemas de Linguística Geral II, Émile Benveniste abarca como tema central os princípios acerca da constituição do objeto da linguística e os fenômenos que lhe constituem como tal, como as questões da enunciação, do discurso e a subjetividade da linguagem.

        Benveniste, linguista francês, faz-nos o convite a uma passagem: das perspectivas do homem antropológico às do sujeito linguístico, interligados pelo ato de enunciar. Com o intento de inserir o sujeito falante na língua, o autor elucida a diferenciação entre o “emprego das formas” e o funcionamento da língua, cujas conjunções se encontram na enunciação.

Esta por sua vez, se manifesta no momento em que o sujeito se apropria da língua através do ato individual de utilização e a coloca em pleno funcionamento por meio do discurso, o que justifica o sistema da enunciação: eu, tu, aqui e agora.

Ao se apropriar do “aparelho formal”, o locutor refere e torna significantes as palavras vazias da língua, colocando-as na posição de locutor e instaurando um interlocutor, o espaço e o tempo em seu discurso.

Delineando o funcionamento da língua, pode-se dizer que, vista como um processo, a enunciação gera um enunciado, converte a língua em discurso através do emprego dado a ela pelo locutor, o que leva, desse modo, à semântização da língua.

Para tanto, faz-se necessário ressaltar que o modo semântico reside não na significância do signo como noção ampla e genérica, mas do sentido das palavras arquitetadas na enunciação. Ao compor uma frase, o signo interage com os demais que a integram, influenciando-os e sendo influenciados, e é partir destra troca que o signo desliga-se da sua generalidade para expressar algo que contêm significações intencionadas produzidas pela colocação dessas palavras no sintagma.

Diante de tal cenário podemos estabelecer o locutor como o ponto de início do processo, pois sem ele a língua, instrumento que se emprega para enunciar e produzir discurso, é senão, apenas possibilidade da língua. Contudo, para que haja a apropriação da mesma pelo locutor, o autor menciona a relação de referência e correferência, dado que este pede o outro – um tu – como co-locutor independentemente de sua presença. Observa-se assim que através da relação acima mencionada a enunciação denota, portanto, o eu como referente e o eu como referido.

Pelo fato da linguagem organizar-se de um modo que concede que cada locutor aproprie-se da língua incorporando o próprio eu, a enunciação constitui um centro de referência interno, a qual manifesta os índices de pessoa – eu/tu – e os índices de ostensão – este/ aqui -, o que pode considerar como classe de indivíduos linguísticos, pois, indicam um individuo que enuncia e, por essa circunstância, são unos e inéditos a cada enunciação.

Tecidos esses incrementos de teoria, a materialidade que temos em mãos – centro de referência – revela a categoria de tempo, inata do homem, entretanto, concretiza-se apenas pela enunciação.

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