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A ENCOPRESE E SUA RELAÇÃO COM A FASE ANAL DO DESENVOLVIMENTO PSICOSSEXUAL

Por:   •  28/2/2016  •  Artigo  •  2.139 Palavras (9 Páginas)  •  742 Visualizações

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     CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA – UNEC[pic 1]

      Mantenedora: Fundação Educacional de Caratinga – FUNEC

Faculdade de Psicologia.

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A ENCOPRESE E SUA RELAÇÃO COM A FASE ANAL DO DESENVOLVIMENTO PSICOSSEXUAL

                                                                                  Leandro Gomes de Sales¹

Magda Cristina de Assis Costa²

RESUMO: O presente artigo aborda o sintoma da encoprese e sua função no vínculo familiar, principalmente na relação mãe-filho. A psicopatologia psicanalítica relaciona o sintoma com o desenvolvimento da libido da fase anal. As mudanças que ocorrem nesta fase psicossexual do desenvolvimento podem levar a formação de sintomas relacionadas as funções excretoras, como a constipação intestinal e a incontinência anal, característica da encoprese.  Na maioria dos casos, estas patologias podem demonstrar um modo de expressar sentimentos de oposição, frustração e ansiedade.

Palavras chave: Encoprese, Fase Anal, Controle do Esfíncter

ABSTRACT: This article discusses the symptoms of encopresis and its role in family bonding, especially between mother and son. The psychoanalytic psychopathology symptom relates to the development of the libido from the anal phase. Changes that occur at this stage of psychosexual development can lead to the formation of excretory functions related symptoms, such as constipation and anal incontinence, encopresis feature. In most cases, these conditions may indicate a way to express feelings of opposed, anxiety and frustration.

Keywords: Encopresis, Phase Anal, Sphincter Control

INTRODUÇÃO:

Este trabalho tem como base o caso clínico de uma criança de 8 anos, cujo atendimento aconteceu no período de  estagio curricular, do curso de graduação em Psicologia do Centro Universitário de Caratinga, onde a queixa apresentada faz referência a distúrbios de excreção, mais específicamente a constipação e a encoprese, sendo que o segundo atualmente tem causado maior desconforto.

Segundo o DSM-IV (2002), a principal característica da encoprese é a repetida exoneração intestinal em locais inadequados, como nas roupas ou no chão. Pode ser voluntária ou involuntária, sendo a última mais frequente. O evento deve ocorrer pelo menos uma vez por mês pelo período mínimo de três meses, e a idade cronológica do paciente deve ser superior a quatro anos. Além disso, a incontinência fecal não deve acontecer exclusivamente devido a efeitos fisiológicos diretos de uma substância ingerida ou de uma condição médica geral. Esta patologia é mais comum no sexo masculino.

Para Winnicott (1936/1997) o ensino das normas de limpeza e de moralidade pode ser feito de duas maneiras: a primeira seria forçando a criança a aceitar tais normas sem integrá-las à sua personalidade, acarretando obediência, mas sem crescimento. A segunda seria facilitando as tendências inatas para moralidade, em que a criança irá, gradualmente, adquirir o sentido de envolvimento/responsabilidade, em cuja base está a culpa/preocupação.

A encoprese pode estar relacionada a uma regressão ao estágio de desenvolvimento no qual houve uma má resolução. Ou ainda pode estar ligada a fatores estressores como, ingresso na escola, nascimento de um irmão, perda da mãe, dentre outros.

DESENVOLVIMENTO:

Durante a realização do estágio curricular que ocorreu no segundo semestre do ano de 2014, foram feita várias escutas, dentre a diversidade de casos apresentados pelos pacientes atendidos, um de certa forma veio a se destacar, e virou objeto deste trabalho.

Em um dos atendimentos, compareceu no Casu para triagem e posterior atendimento por profissionais da psicologia, o paciente G.S.P. de oito anos de idade, acompanhado por sua mãe J. que trouxe como queixa, a dificuldade de seu filho em controlar o esfíncter. Segundo a fala da mãe, o paciente em questão há aproximadamente 5 meses entrou em um processo de retenção das fezes, passou a evacuar a cada três dias em média, fato que a deixou muito preocupada e fez com que procurasse por atendimento médico, o qual solicitou fazer vários exames, que posteriormente, não detectariam nenhuma patologia, mesmo assim devido ao relato e a preocupação da mãe o médico que fez o atendimento, achou por bem que fosse introduzido ao tratamento uma droga para que auxiliasse o mesmo a evacuar.

Gradativamente a mãe pode perceber no seu filho uma remissão dos sintomas que apresentava anteriormente, G.S.P. já estava aumentando a freqüência com que evacuava, porém com o uso contínuo do medicamento ele passou de um quadro de constipação para um quadro de encoprese, o que novamente fez com que esta mãe retornasse com seu filho ao médico, que por sua vez, suspendeu o uso do medicamento, mas desde então, apesar da suspensão do tratamento pela via medicamentosa, a criança em questão não teve mais controle sobre suas fezes. A mãe foi orientada então a procurar atendimento psicológico para seu filho, já que o profissional que o acompanhou neste período acredita tratar-se de um problema emocional.

Durante o atendimento pude perceber a preocupação desta mãe em relação a seu filho, ela disse estar sem saber o que fazer diante da situação, pois seu filho passou por um período em que ficava dias sem evacuar, onde ela percebeu que algo errado estava acontecendo, mas agora a situação se inverteu, ele não consegue se controlar, e acaba fazendo suas necessidades na roupa onde quer que esteja, com isso seus colegas se afastaram, ele não quer mais freqüentar as aulas e não quer sair de casa. “ Inclusive, por orientação de sua professora, já fiquei com ele dentro da sala de aula, para que pudesse sentir mais segurança, a princípio deu certo, mas com o passar do tempo percebemos que isto passou também a incomodá-lo, devido as freqüentes perguntas feitas pelos demais alunos sobre a minha presença”- disse a mãe, que completando sua fala acrescentou: “sigo sem saber que atitude tomar, já que estou vendo meu filho cada vez mais se isolando, espero que possam vir a me ajudar”. Perguntei a ela como era o convívio familiar, dentre os fatos apresentados, percebi um evento que poderia ter relação com o sintoma apresentado: a mãe tem um relacionamento amoroso com um homem (padrasto), onde certa vez após uma discussão este veio a sair de casa ficando por um período afastado de todos, neste momento a criança teria comentado com a mãe que foi melhor o padrasto ter saído de casa, já  que ele era alcoólatra, mas tempos depois o casal se reconciliou, e pela cronologia apresentada os primeiros sintomas da queixa se apresentaram neste mesmo período, fato este que foi levado à supervisão e discutido amplamente.  

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