Gênero, Feminismo e Serviço Social
Por: candy candy • 22/3/2026 • Trabalho acadêmico • 861 Palavras (4 Páginas) • 10 Visualizações
RESUMO EXPANDIDO
Gênero, Feminismo e Serviço Social: encontros e desencontros ao longo da história da profissão
O artigo "Gênero, feminismo e Serviço Social: encontros e desencontros ao longo da
história da profissão", de Teresa Kleba Lisboa, propõe-se a discutir a crescente e inadiável demanda por intervenções do Serviço Social em questões de gênero, ao mesmo tempo em que problematiza o descompasso histórico e os desencontros entre a trajetória da profissão e o desenvolvimento dos estudos feministas e de gênero. O texto busca apontar como as teorias feministas se constituem em um aporte teórico-metodológico significativo para a
instrumentalidade e a compreensão da realidade social pelo Serviço Social.
Introdução e Contextualização Histórica: A autora inicia o artigo destacando a
visibilidade e o dinamismo que os estudos da mulher e de gênero conquistaram no Brasil, especialmente a partir dos anos 1980, em resposta às interpelações do movimento
feminista. Essa expansão, contudo, não foi acompanhada por uma formalização
equivalente no ensino universitário, gerando um paradoxo de pesquisa de qualidade dissociada de uma implantação sistemática de cursos regulares – um ponto que a autora metaforiza como a "estratégia da corda bamba". O texto situa o Serviço Social nesse
contexto, ressaltando a predominância feminina na profissão e a sua intrínseca relação com a "questão social", que inevitavelmente se manifesta de forma generificada. É nesse
entrecruzamento que se torna imperativo para o Serviço Social incorporar a análise de gênero para decifrar as diversas formas de opressão e desigualdade.
Os Desencontros Históricos: Apesar da proximidade temática e da predominância
feminina, Lisboa argumenta que a relação entre Serviço Social e feminismo foi marcada por desencontros e subordinações. Historicamente, a profissão foi influenciada por
abordagens que não questionavam as estruturas de poder patriarcais, muitas vezes aceitando modelos de família e papéis de gênero tradicionais. A autora critica o
"submetimento" do Serviço Social a teorias androcêntricas (centradas no masculino) que exerceram poder e dominação na produção de conhecimento, negligenciando a análise das relações de poder entre os sexos. Isso resultou em uma atuação profissional que, por vezes, reproduziu, ao invés de questionar, as desigualdades de gênero. A ausência de uma base teórica feminista robusta no currículo da formação profissional é apontada como um fator chave para essa defasagem.
A Emergência da Perspectiva Feminista no Serviço Social: A partir da década de 1980, com a emergência e o avanço dos movimentos sociais feministas e dos estudos de gênero, começou a se desenhar uma nova possibilidade de diálogo. O feminismo, em suas diversas vertentes, passou a oferecer categorias analíticas cruciais para o Serviço Social, como a
construção social do gênero, a interseccionalidade (embora o termo não seja explicitamente usado por Lisboa, a ideia de múltiplas opressões transparece), e a crítica à naturalização
das desigualdades. A perspectiva de gênero permite ao assistente social compreender que as experiências sociais são diferentes para homens e mulheres, e que essas diferenças são socialmente construídas, não naturais.
O Dilema Igualdade x Diferença e as Áreas Críticas: Um dos pontos centrais abordados pela autora é o dilema entre a busca pela igualdade e o respeito às diferenças. Lisboa
destaca que o feminismo não advoga por uma homogeneização, mas por uma igualdade de direitos e oportunidades que reconheça e valorize a diversidade das experiências femininas (e humanas). Esse é um debate essencial para o Serviço Social, que lida cotidianamente
com a diversidade de sujeitos e de expressões da "questão social".
O artigo também aponta diversas "áreas críticas" onde a desigualdade de gênero se manifesta e onde a atuação do Serviço Social, munida de uma perspectiva feminista, se faz urgente:
- Violência de gênero: Entendida em suas múltiplas formas (física, psicológica,
sexual, patrimonial), demandando intervenções que rompam com a culpabilização da vítima e busquem desmantelar as estruturas de poder que a perpetuam.
- Saúde da mulher: Abordando não apenas a saúde reprodutiva, mas a integralidade da saúde feminina, incluindo aspectos mentais e sociais, muitas vezes
negligenciados ou patologizados.
- Trabalho feminino: Desigualdades salariais, dupla jornada, precarização e
invisibilização do trabalho doméstico e de cuidado, exigindo a defesa de direitos e a promoção da autonomia econômica.
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