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Quais os Visitantes Florais e Como a Dinâmica de Néctar Pode Influenciar na Visitação de Augusta Longifolia (Rubiaceae)

Por:   •  9/10/2020  •  Projeto de pesquisa  •  2.367 Palavras (10 Páginas)  •  6 Visualizações

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Quais os visitantes florais e como a dinâmica de néctar pode influenciar na visitação de Augusta longifolia (Rubiaceae)

Allan F. Villela¹*, Maria Clara S. Bicharra¹, Marcos Felipe M. Terra¹, Tamires V. T. da Costa¹

          ¹Universidade Federal de Alfenas - MG

*allanfgdovillela@gmail.com

Introdução

A família Rubiaceae possui 650 gêneros, 13.000 espécies sendo 30% deles encontrados na América do Sul, entre essas espécies estão exemplares de arbustos, árvores, cipós e ervas com principal distribuição em áreas tropicais e subtropicais [8]. A família Rubiaceae é a quarta maior família entre o grupo das fanerógamas e está dividida em três subfamílias: Rubioideae, Cinchonoideae e Ixoroideae [2][6][8]. Essa família está distribuída, em sua maioria, em regiões mais quentes, como os trópicos. No Brasil as rubiáceas são representadas por cerca de 2 mil espécies pertencentes a 110 gêneros. Dentre os gêneros encontrados no Brasil, damos destaque ao gênero Augusta devido ao escasso estudo sobre sua biologia floral e polinização.

Devido a biologia floral da espécie Augusta longifolia sua polinização é feita mais efetivamente por beija-flores. A alimentação de beija-flores é baseada em néctar, ou seja, são dependentes da floração das plantas. Durante a sua alimentação, os beija-flores desempenham uma função importante como agentes polinizadores de diversas espécies vegetais [3][7][9][10]. As plantas que são polinizadas por beija-flores apresentam flores com características específicas que são pertencentes a “síndrome de ornitofilia” [4][5]. Seguindo a síndrome de ornitofilia, essas flores apresentam antese diurna, néctar abundante na base do tubo floral, pendentes ou horizontais, tubulares, com a coloração avermelhada e inodoras. Apesar de desempenhar um papel importante como agentes polinizadores os beija-flores podem visitar outras flores não ornitófilas, atuando como visitantes pilhadores de néctar [1].

O presente estudo tem como objetivo observar os visitantes florais e como as visitas influenciam na dinâmica de produção de néctar de Augusta longifolia.

Metodologia

O estudo foi desenvolvido ao longo do Complexo Claro de cachoeiras situado no sudoeste de Minas Gerais no município de Delfinópolis, às margens do parque nacional da Serra da Canastra. A vegetação predominante é de campos rupestres, com manchas de cerrado e matas ciliares, com altitude próxima dos 1500 metros e o clima regional é caracterizado pela sazonalidade, com chuvas no verão e inverno seco. A temperatura média dos meses mais frios é inferior a 18º C e a dos meses mais quentes ultrapassam 24º C. O período de dezembro a fevereiro é o mais chuvoso e o índice pluviométrico anual entre 1.300 e 1.700 mm. Os pontos de amostragem foram divididos em três agrupamentos de indivíduos de Augusta longifolia que são encontrados próximos à cursos d’água.

A biologia floral, a dinâmica de néctar e os visitantes florais da espécie A. longifolia foram estudados entre os dias 23 e 28 de novembro de 2018. Características como a apresentação, produção de néctar e a receptividade do estigma foram registrados durante o período de antese das flores. O teste para receptividade do estigma foi dado através da observação da presença de atividade catalítica com H2O2 ao longo do período de antese da flor. O volume de néctar foi tomado com seringa-capilar graduado em  μL e a concentração de açúcares no néctar foi dada em porcentagem através de um refratômetro portátil.

Para verificar se a taxa de secreção de néctar varia em função do tempo de vida da flor e ao longo do dia, foram medidas as concentrações de açúcares e o volume de néctar de cada flor amostrada em quatro turnos de coletas havendo um intervalo entre eles de duas horas, tendo seu começo às 07:00 e final às 16:00. Para a manutenção do número de flores amostradas ao longo dos dias de estudos e observação da taxa de secreção de néctar em diferentes períodos de vida floral, foram adicionadas novas flores todos os dias, sendo que todas passaram por etiquetagem. Para estabelecer alguns parâmetros entre a dinâmica de néctar e visitas por polinizadores, foram utilizados três tipos de tratamento. Uma parcela de flores foram ensacadas, onde era retirado o volume de néctar produzido ao longo do dia sem que houvesse a interferência de visitantes florais (Standing crop). Outra parcela, foi destinada a coletas de néctar em flores não ensacadas e, por fim, um lote de flores ensacadas e destinadas a retirada do volume acumulado de néctar em um dia.        

O período de atividade e o comportamento dos animais visitantes às flores de A. longifolia foram registrados através de observações diretas, de fotografias e de filmagens durante todo o período de antese das flores. Tivemos uma somatória de 24 horas de observação direta ao longo de três dias, totalizando 8 horas por dia. Essa carga diária foi subdividida em quatro turnos de 2 horas com um intervalo de uma 1 hora para cada turno e com início às 07:00 e fim às 18:00. Todos os dados coletados na observação direta, como horário da visita e números de flores pilhadas foram registrados em uma caderneta de campo.

Resultados

O período de antese da Augusta longifolia tem duração de três dias. Essas flores tem como característica funcional a apresentação secundária do pólen, onde o pólen é realocado das anteras para o entorno do estigma quando ocorre o processo de abertura do botão. No primeiro dia da antese o estigma se encontra fechado, portanto, não receptivo. No segundo dia, o pólen que se encontrava aderido ao estigma, é removido por efeito das visitas realizadas por polinizadores e pilhadores, ocorrendo também a abertura do estigma neste dia. Ao final da antese, no terceiro dia, as flores ainda se encontram receptivas caso não tenham sido polinizadas até o final do segundo dia, contudo se não houver a deposição do pólen, essa flor é descartada pela planta.

Através da observação direta, foi possível registrar os visitantes florais de A. longifolia, sendo visualizado com maior frequência, beija-flores como polinizador efetivo da espécie e algumas abelhas e borboletas de pequeno porte, sendo essas, pilhadoras. Através da observação dos beija-flores, foram registradas visitas realizadas por apenas duas espécies, o Thalurania sp. e Phaethornis pretrei (rabo-branco-acanelado). Desses, o P. pretrei é a espécie que realiza maior número de visitas em A. longifolia, podendo ser visualizado frequentemente durante o tempo de observação e ambos apresentaram um comportamento territorialista inter e intra específico.  

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