Resenha Crítica sobre Lúcio Costa
Por: Ringringring • 29/4/2026 • Resenha • 1.963 Palavras (8 Páginas) • 11 Visualizações
[pic 1]RESENHA CRÍTICA
Ana Luiza Gaspar dos Santos
[pic 2]Londrina
2025
SUMÁRIO
SÍNTESE
DESENVOLVIMENTO
2.1. Contextualização
2.2. Principais críticas
2.3. Qualidades gerais
2.4. Qualidades específicas
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SÍNTESE
O texto "PUPPI, Marcelo. Modernidade e Academia em Lucio Costa - ensaio de historiografia. Revista de História da Arte e da Cultura, Campinas, SP”, analisa a historiografia da arquitetura brasileira, focando na influência de Lúcio Costa. O autor argumenta que, embora Lúcio Costa seja creditado pela criação de uma arquitetura moderna de "caráter local" e como teórico do movimento, sua metodologia histórica, que moldou grande parte dos estudos da arquitetura brasileira, não é reconhecida como tal. O texto destaca que Lúcio Costa, um defensor da arquitetura moderna e crítico da arquitetura acadêmica, utilizou a história como meio para validar suas ideias. Ele construiu um modelo histórico evolutivo e totalizante, onde a arquitetura moderna é o ponto culminante, negligenciando a pesquisa concreta em favor de uma interpretação global que dispensava a análise aprofundada do passado por outros arquitetos. A conclusão do ensaio aponta que as ideias de Lúcio Costa, embora sinuosas e por vezes contraditórias, tinham o objetivo de demonstrar a inevitabilidade histórica da arquitetura moderna. O texto finaliza ressaltando que, apesar dos aplausos internacionais à arquitetura moderna brasileira darem lugar a críticas após Brasília, o modelo de Lúcio Costa permaneceu influente na historiografia, mesmo em um contexto profundamente modificado pela industrialização e homogeneização cultural.
A análise feita por Puppi tem como base três textos principais: "O Aleijadinho e a arquitetura tradicional" (1929), "Documentação necessária" (1937) e "Considerações sobre Arte Contemporânea" (1952). No primeiro, Lúcio Costa desqualifica Aleijadinho, priorizando a arquitetura anônima e funcional, e introduz a funcionalidade histórica dos estilos. Em 1937, ele propõe um programa de pesquisa para a casa colonial, valorizando a arquitetura "popular" portuguesa na colônia como antídoto ao artificialismo acadêmico e base para a arquitetura moderna nacional, criticando a falta de busca por "boas técnicas" no passado. Em 1952, em "Considerações sobre Arte Contemporânea", Costa apresenta uma teoria da história da arte com "intenção plástica" e um evolucionismo dialético (orgânico-funcional e plástico-ideal), culminando na arte moderna. Ele reavalia o barroco e o Aleijadinho, integrando-os e reconhecendo o "gênio nacional" na arquitetura brasileira, exemplificado por Niemeyer.
DESENVOLVIMENTO
2.1. Contextualização
Citado no podcast “Arquicast #110 - Lúcio Costa”, a grande mudança de Lúcio Costa do estilo eclético para o modernista pode ser considerada a Casa Ernesto Fontes. O projeto é iniciado num estilo histórico (eclético), mas Lúcio Costa entrega outro projeto, modernista, que no fim é rejeitado. Em seguida fez alguns projetos modernistas ao lado de Warchavchik, tendo um período “errático” até 1936 sem ter muitos projetos de casas “sem dono” e se dedicando ao estudo. Na mesma época da construção do Palácio Capanema, como citado por Ana Luiza Nobre, Lúcio Costa constrói uma imagem “nova”, ao mesmo tempo que o Brasil está em busca de uma nova imagem. Participando do SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) (atualmente sendo o IPHAN) simultaneamente, há uma construção não só do futuro, mas também de um passado: “[...] um passado lacunar, que exclui por exemplo o neocolonial, evidentemente. E só vai admitir alguns exemplares ecléticos tardiamente [...]”, “[...] também é uma construção ideológica, sem dúvida, política, sem dúvida. Funciona muito bem em um determinado momento porque tem uma ‘constelação’, não é o Lúcio Costa sozinho [...]”.
Lúcio Costa, figura central na arquitetura brasileira do século XX, desenvolveu uma concepção histórico-evolutiva e totalizante que culminava na arte moderna. Em sua tese, cada elemento da história da arquitetura se encaixava progressivamente, levando inevitavelmente à modernidade. Essa perspectiva era crucial para ele na busca pela criação de uma arquitetura moderna que fosse "autenticamente" nacional, rompendo com as influências estrangeiras e acadêmicas que, em sua opinião, haviam dominado o cenário arquitetônico brasileiro. Como um fervoroso defensor da arquitetura moderna, Costa frequentemente priorizava a defesa de sua causa acima de um estudo aprofundado e imparcial da história da arquitetura (que, honestamente, nunca fora e nunca será feito). Sua militância em favor do moderno o levou a interpretar o passado arquitetônico através de lentes que justificassem o advento e a primazia de sua corrente ideológica. Como apresentado no documentário “Crônica da Demolição”, de 2015, que conta como foi o processo de demolição do Palácio Monroe, Costa foi um dos principais nomes por trás. Gregori Warchavchik, arquiteto modernista, afirma que o grande motivo do modernismo se instaurar com tanta força no Brasil foi a falta de tradição, “o passado no Brasil não pesa”. Esse mesmo arquiteto que, no passado, fora inspiração para Costa e ambos trabalharam em conjunto em diversas obras. A demolição do Palácio é a culminação da narrativa criada por Lúcio Costa. O ecletismo era “bastardo”, “medíocre” e “um hiato na arquitetura”, palavras citadas por ele em “Problema mal posto”. Ao mesmo tempo, também era um interesse político, do então “presidente” Ernesto Geisel, durante a época da ditadura. O interesse político, econômico e ideológico fora colocado acima da preservação da história e de toda a imagem do passado do Brasil que o Palácio Monroe representava.
...