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Alfabetização e letramento na Educação Infantil

Por:   •  25/10/2013  •  Tese  •  2.488 Palavras (10 Páginas)  •  170 Visualizações

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A alfabetização deve ser compreendida c omo processo que vai muito além da aquisição do código. Estar alfabetizado significa atribuir significado e sentido às funções sociais vinculadas à escrita. Estar plenamente alfabetizado é ser capaz de compreender diferentes tipos de textos, possuir um repertório de procedimentos e habilidades para relacioná-los em um campo social determinado.

A aquisição do sistema da escrita não promove o desenvolvimento do intelecto mas, sim, a reflexão e o uso da multiplicidade de funções da escrita. Os adultos não alfabetizados, apesar de não dominarem o código escrito, estão em um universo letrado que oferece pistas e possibilidades pa ra um pensamento alfabetizado.

Durante muito tempo, acreditou-se que, primeiro, os educandos deveriam conhecer as letras, saber juntá-las, relacioná-las com a pauta sonora, saber pontuação, regras gramaticais etc. Só depois conseguiriam lidar com a linguagem escrita, ou seja, com a elaboração e compreensão dos textos.

No campo da alfabetização de adultos, essa concepção ainda é muito freqüente. Mesmo os adeptos da análise da realidade, quando no trabalho com a escrita, retrocedem ao ensino hierarquizado (primeiro, letras, depois, sílabas, palavras etc.).

O processo de ensino e aprendizagem da língua visa ao desenvolvimento da competência discursiva (ampliar a capacidade de produzir e interpretar textos orais e escritos), para possibilitar a resolução de problemas do cotidiano, a participação no mundo letrado, contribuindo para o exercício pleno da cidadania. Os textos orais e escritos e seus usos sociais e comunicativos assumem relevância como unidade básica do ensino. O trabalho com a língua escrita na escola deve estar estreitamente vinculado a suas funções comunicativas e sociais, aspectos discursivos e finalidade, sem anular suas características. É através do trabalho com a produção e interpretação de textos de uso social (orais e escritos) com a prática de leitura e escrita que a competência textual é desenvolvida nos adultos pouco escolarizados.

Existem formas de discurso e competências apropriadas para diferentes propósitos: para escrever uma carta, uma receita, registrar pensamentos ou regras de jogo, comunicar notícias... O que deve ser ensinado é a possibilidade de uma escrita, leitura e fala autônoma na diversidade de circunstâncias, o que implica em desenvolver formas organizativas e discursivas diferenciadas e realizar atividades distintas com o ler, escrever e falar: re-escrever, parafrasear, citar, revisar, reproduzir, ler para se divertir, ler para buscar informação, ouvir .

Nos diferentes cenários da sociedade atual, a relação entre cultura e educação sugere novas formas de interação entre pessoas e conhecimento. Tais relações têm sido cada vez mais mediadas pelas tecnologias e, consequentemente, novas linguagens estão sendo construídas e que nos levam à pergunta: o que é estar alfabetizado hoje?

Além de dominar a leitura e a escrita, é necessário pensar nas possibilidades de ver, interpretar de maneira crítica as imagens da TV, dos filmes, das publicidades, das notícias e dos jornais. Saber usar o computador, operar as diversas funções do celular, navegar pelas redes da Internet de forma segura, e compartilhar conteúdos de forma responsável. Nesse universo, a mediação educativa é um dos grandes desafios da mídia-educação.

Sabemos que as mídias hoje são elementos importantes de práticas culturais das pessoas e asseguram formas de socialização e transmissão simbólica.

Nesse quadro, as mídias clássicas e digitais e suas tecnologias da informação e comunicação não podem mais estar excluídas das experiências escolares de ensino-aprendizagem. É uma condição da cidadania, seja ela de pertencimento, seja instrumental, a mídia-educação significa uma possibilidade de educar para ou sobre as mídias, com as mídias e através das mídias, a partir de uma abordagem crítica-reflexiva, metodológico-instrumental e expressivo-produtiva. Ou seja, precisamos trabalhar educativamente com esse universo midiático de forma crítica, aprender a operar com seus diferentes códigos, a nos expressar utilizando as múltiplas linguagens e compartilhar tais produções de forma responsável.

Nesse sentido, a mídia-educação pode contribuir com uma educação para a cidadania capacitando crianças, jovens e professores para uma apropriação ativa das mídias. Isso significa ir além, construir uma atitude mais crítica em relação aos programas que assistem, aos sites em que navegam e às interações que estabelecem nas redes, no sentido de problematizar a cultura midiática que consomem, produzem e compartilham.

Para tal, precisamos nos perguntar em que medida, nós, adultos (pais, mães e professores) estamos alfabetizados nessas linguagens

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