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SUSTENTABILIDADE E PLANEJAMENTO NOS CANTEIROS DE OBRA - UMA VISÃO DE FUTURO

Por:   •  20/2/2014  •  9.216 Palavras (37 Páginas)  •  2.035 Visualizações

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FACULDADES OSWALDO CRUZ

CURSO MBA EM PERÍCIA, AUDITORIA E GESTÃO AMBIENTAL

DIRCEANE DE QUEIROZ JUSTINIANO

SUSTENTABILIDADE E PLANEJAMENTO NOS CANTEIROS

DE OBRA - UMA VISÃO DE FUTURO

João Pessoa

2012

DIRCEANE DE QUEIROZ JUSTINIANO

SUSTENTABILIDADE E PLANEJAMENTO NOS CANTEIROS

DE OBRA - UMA VISÃO DE FUTURO

Monografia apresentada à Faculdade Oswaldo Cruz como parte dos requisitos para a conclusão do curso MBA em Perícia, Auditoria e Gestão Ambiental.

Orientador:

João Pessoa

2012

DIRCEANE DE QUEIROZ JUSTINIANO

SUSTENTABILIDADE E PLANEJAMENTO NOS CANTEIROS

DE OBRA - UMA VISÃO DE FUTURO

Monografia apresentada à Faculdade Oswaldo Cruz como parte dos requisitos para a conclusão do curso MBA em Perícia, Auditoria e Gestão Ambiental.

Trabalho aprovado em ______ de ___________ de 2012.

_________________________________________________

Orientador

_________________________________________________

Presidente da Banca Examinadora

_________________________________________________

Membro da Banca Examinadora

AGRADECIMENTOS

Ao Deus, criador e doador da vida, por ter me agraciado com a capacidade e vontade de aprender sempre mais.

Aos meus Pais, por toda educação e cuidado com que me presentearam apesar de todas as dificuldades.

À minha família, pelo amor e carinho que sempre me sustenta emocionalmente.

Aos professores do Curso MBA em Perícia, Auditoria e Gestão Ambiental pelos ensinamentos inestimáveis nas diversas áreas de conhecimento.

A todos os amigos e pessoas que contribuíram de forma direta ou indireta para a realização deste trabalho.

JUSTINIANO, Dirceane de Queiroz. Sustentabilidade e Planejamento nos Canteiros de Obras – Uma Visão de Futuro. 2012. 47p. Trabalho de Conclusão de Curso MBA em Perícia, Auditoria e Gestão Ambiental – Faculdade Oswaldo Cruz, João Pessoa, 2012.

RESUMO

A atenção dispensada pela sociedade, poder público e mercado às questões ambientais têm levado inúmeras empresas a assumir suas responsabilidades ambientais. A busca da qualidade ambiental pode representar um incentivo ao desenvolvimento de inovações, as quais podem resultar em uma maior eficiência do processo produtivo, com redução de custos ou agregação de valor ao produto, sendo responsáveis por incrementos de competitividade para as empresas. Este trabalho aborda a aplicação do conceito da sustentabilidade e de gestão de processos nos canteiros de obras. Mostra-se o papel das construtoras enquanto agentes vetores de mudanças na cadeia produtiva da construção civil. Ainda que o foco principal das iniciativas de sustentabilidade na construção tenha sido no escopo do projeto arquitetônico, o canteiro de obras — a área onde as empresas construtoras têm mais poder de decisão — pode contribuir significativamente para a redução dos passivos da indústria. O objetivo do presente trabalho é analisar o tema da Sustentabilidade nos Canteiro de Obras, mostrando os impactos que o ambiente pode sofrer durante a fase de construção de um edifício, assim como, desenvolver um conjunto de métodos e técnicas adequados para a gestão da Qualidade, adequados às peculiaridades das empresas de construção civil, minimizando assim, os impactos desde o momento da concepção de um projeto, que serão aplicadas com o início da construção de um edifício até o final de seu ciclo de vida, visando à elevação dos níveis de qualidade e produtividade do setor da Construção. Sendo assim, o setor da construção civil vem exigindo qualificação e técnica mais aprimoradas e vantajosas para construir edifícios mais confortáveis e que causassem o menor impacto ambiental possível, e que seu planejamento resultasse numa melhor utilização do espaço físico disponível, de forma a possibilitar que homens e máquinas trabalhem com segurança e eficiência, principalmente através da minimização das movimentações de materiais, componentes e mão-de-obra. O tema em questão foi pesquisado através de livros, observação “in loco”, entrevistas com profissionais do mercado, artigos publicados e pesquisas em internet. Após a explanação de conceitos e definições, foi realizado um estudo de caso a fim de contextualizar e ilustrar o tema. A crescente preocupação com a qualidade ambiental tem levado as indústrias brasileiras a buscarem alternativas tecnológicas mais limpas e matérias primas menos tóxicas, a fim de reduzir o impacto e a degradação ambiental. A conscientização da sociedade e a legislação ambiental têm induzido as empresas a uma relação mais sustentável com o meio ambiente. Verifica-se que grande parte das empresas ainda desconhece os benefícios do uso de indicadores de desempenho, como ferramenta para o planejamento ambiental, com isso é possível que elas estejam deixando de aproveitar oportunidades, como: aumento da produtividade, melhoria da competitividade e da qualidade ambiental, além de atingir efetivamente a sustentabilidade produtiva.

Palavras-Chave: Canteiro de Obras, Construção Sustentável, Questões Ambientais

JUSTINIANO, Dirceane de Queiroz. Planning and Sustainability in Construction Sites Construction - A Future Vision. 2012. 47p. Trabalho de Conclusão de Curso MBA em Perícia, Auditoria e Gestão Ambiental – Faculdade Oswaldo Cruz, João Pessoa, 2012.

ABSTRACT

The attention given by society, government and market environmental issues have led many companies to take their environmental responsibilities. The quest for environmental quality may represent an incentive to the development of innovations, which can result in increased efficiency of the production process, reducing costs or adding value to the product, accounting for increments of competitiveness for companies. This paper discusses the application of the concept of sustainability and management processes at construction sites. It shows the role of builders vectors as agents of change in the supply chain of construction. Although the main focus of sustainability initiatives in the construction has been scoped architectural design, the construction site - the area where the construction companies have more decision-making power - can contribute significantly to the reduction of the liabilities of the industry. The aim of this paper is to analyze the theme of Sustainability in Construction Works, showing the impact the environment can suffer during the construction phase of a building, as well as develop a set of methods and techniques suitable for quality management, suited to the peculiarities of construction companies, thus minimizing the impacts from the moment of conception of a project that will be implemented with the start of construction of a building by the end of its life cycle, aimed at raising levels of quality and productivity of the construction sector. Thus, the construction industry has required more skill and technique improved and advantageous to construct buildings more comfortable, that caused the least possible environmental impact, and that his plan would result in a better use of the space available, to enable men machines and work safely and efficiently, mainly by minimizing movement of materials, components and labor-intensive. The subject in question was researched through books, watching "spot" interviews with market professionals, and research articles published on internet. After the explanation of concepts and definitions, we conducted a case study in order to contextualize and illustrate the theme. The growing concern for environmental quality has led Brazilian industries to pursue alternative technologies cleaner and less toxic raw materials in order to reduce the impact and environmental degradation. The awareness of society and environmental legislation have induced firms to a more sustainable relationship with the environment. It appears that most companies are still unaware of the benefits of using performance indicators as a tool for environmental planning, therefore it is possible that they are failing to take advantage of opportunities such as: increased productivity, improved competitiveness and quality environmental, and effectively achieve sustainability productively.

Keywords: Construction Construction, Sustainable Construction, Environmental Issues

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – Modelo de transformação nos canteiros de obras 21

Figura 2 – Principais etapas de execução de obras 22

Figura 3 – Exemplo de requisitos definidos no checklist 27

Figura 4 – Resultados da aplicação do checklist em 10 canteiros na cidade

de Patos-Paraíba 29

Figura 5 – Exemplo de programação das etapas de padronização de canteiros 37

Figura 6 – Banheiros químicos em um canteiro de obras 49

Figura 7 – Visão parcial da área de um canteiro de obras 49

Figura 8 – Equipamentos utilizados no canteiro de obras 50

Figura 9 – Preparação do terreno e execução da obra em um canteiro 50

Figura 10 – Varrição do canteiro aproveitando a água da chuva, evitando a 51

geração de poeira.

Figura 11 – Resíduos separados em baia para reciclagem segundo Resolução 51

da CONAMA.

Figura 12 – Depósitos individuais para cada tipo de resíduos 52

Figura 13 – Utilização de masseiras plásticas reduz o desperdício 52

Quadro 1 – Tipos de canteiros, adaptado de Illingworth (1993) 24

LISTA DE SIGLAS

PCMAT – Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho

PIB – Produto Interno Bruto

PO – Pontos Obtidos

PP – Pontos Possíveis

SGA – Sistema de Gestão Ambiental

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO 10

1.1 PLANEJAMENTO E QUALIDADE AMBIENTAL 12

1.2 O OBJETO DE ESTUDO 14

1.3 JUSTIFICATIVA 15

1.4 A METODOLOGIA EMPREGADA 16

2 REVISÃO DE LITERATURA 17

2.1 HISTÓRICO 17

2.2 SUSTENTABILIDADE PARA O SETOR DA CONSTRUÇÃO

CIVIL 17

2.2.1 Ações Estratégicas 18

2.3 ETAPAS DO PROCESSO CONSTRUTIVO 19

2.4 DEFINIÇÃO DE PLANEJAMENTO DE CANTEIROS 23

2.4.1 Tipos de Canteiros 23

2.4.2 Objetivos do Planejamento de Canteiros 25

3 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO DE CANTEIROS DE OBRA 26

3.1 DIAGNÓSTICO DE CANTEIROS DE OBRA S 26

3.1.1 Elaboração de Croquis do Layout do Canteiro 29

3.1.2 Registro Fotográfico 31

3.2 PADRONIZAÇÃO 32

3.2.1 Benefícios da Padronização 32

3.3 PLANEJAMENTO DO CANTEIRO 33

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES 38

CONCLUSÃO 42

REFERÊNCIAS 45

APÊNDICES 48

EXEMPLOS DE FOTOGRÁFIAS DE CANTEIROS DE OBRAS 49

INTRODUÇÃO

O presente trabalho pretende apresentar uma análise sobre o tema sustentabilidade e planejamento nos canteiros de obra – uma visão de futuro, com o objetivo de mostrar os impactos que o ambiente pode sofrer durante a fase de construção de um edifício. Foram levantados os principais processos de certificação para um empreendimento sustentável e, com a realização de estudos, onde são demonstradas algumas soluções que amenizam estes impactos.

As características de uma construção sustentável interferem diretamente na relação do homem e meio ambiente com questões que podem ser minimizadas no momento da concepção de um projeto, que serão aplicados desde a construção de um edifício até o final do seu ciclo de vida.

Sendo assim, o setor da construção civil vem exigindo qualificações e técnicas mais aprimoradas e vantajosas para se construir edifícios que fossem mais confortáveis e que causassem o menor impacto possível, surge então, as edificações concebidas com responsabilidade social, ou seja, as edificações sustentáveis.

As edificações sustentáveis tem sido tema de muitos assuntos discutidos atualmente, esta pesquisa visa focar a sustentabilidade durante a fase de construção do empreendimento. Essa fase não tem merecido a sua devida atenção, mas é de fundamental importância para a preservação ambiental.

Um empreendimento sustentável não é definido só pelos benefícios ambientais e sociais no seu uso e operação, mas também na sua construção. Essa fase pode causar sérios danos e impactos à vizinhança e ao meio ambiente, como esgotamento com o consumo excessivo ou desperdício de recursos naturais e o aumento da poluição por uma má gestão de canteiro de obras.

O crescimento da preocupação ambiental por parte da sociedade, a legislação cada vez mais restritiva a processos e produtos poluentes e mecanismos introjetados nas relações de comércio têm levado vários setores da indústria a se posicionarem e adotar medidas de proteção e recuperação ambiental.

Ao buscarem maior qualidade ambiental as empresas podem gerar inovações que resultem no aumento da eficiência produtiva, em novas oportunidades de negócios ou em produtos menos agressivos ao meio ambiente, ao mesmo tempo em que, contribuem para a competitividade da empresa.

Uma empresa sustentável atua num ramo de produção que é social e culturalmente aceito pelo ambiente humano em que está inserida. A ética das ações e a aceitação dos processos produtivos deve ser plena.

Os empreendimentos que se baseiem nas premissas e nos conceitos de sustentabilidade devem ser capazes de impactar positivamente os grupos humanos por ele afetados; imediatamente e no futuro. Através da interligação entre esses empreendimentos e a qualidade de vida das pessoas afetadas por eles, podem ser observadas através do uso racional dos recursos ambientais e com o trato dos resíduos decorrentes da implantação do referido empreendimento sustentável.

O setor da construção civil vem contribuindo e muito para a modificação do espaço físico em que vivemos, podendo alterar todo o clima e produzir resíduos e sedimentos que impactam de maneira crucial o meio ambiente. Por isso, existe a grande necessidade da criação de estratégias que amenizem ou anulem esses impactos.

Adotando as premissas para a realização de um empreendimento sustentável, é possível atender as necessidades atuais de habitação e de infraestrutura sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades.

Observa-se neste trabalho que a fase de construção de um empreendimento é responsável por grande parte dos impactos ambientais. O canteiro de obras merece atenção especial e devem ser observados todos os possíveis danos que possam ser gerados por ele durante a construção e assim, analisar o que pode ser evitado. Nas áreas urbanas, onde há a maior concentração de construções civis deve-se ter cuidados para a preservação do meio ecológico, já existente, a fim de não provocar bruscas mudanças climáticas, e cuidados com a poluição gerada, que degrada o ambiente e prejudica a vizinhança.

A motivação para realizar o trabalho analisando as contextualizações que envolvem os impactos ambientais gerados pelo canteiro de obras com a exposição de algumas intervenções para minimizar tal efeito, integrando os conceitos de construção sustentável, surgiu após a experiência vivenciada pela aluna durante o curso.

1.1 PLANEJAMENTO E QUALIDADE AMBIENTAL

Diversos estudos demonstram que a legislação, além de ser um importante instrumento de controle e fiscalização das atividades industriais, contribui para a melhoria da gestão das empresas, inclusive para a implantação de medidas que resultam em proteção ambiental. O controle da atividade humana e a proteção dos ambientes naturais são regidos por leis, decretos e normas técnicas. As legislações têm como objetivo assegurar a qualidade do meio ambiente, bem como garantir a proteção da saúde das populações.

A empresa que passa a preocupar-se com as questões ambientais assume a sua interferência sobre o meio ambiente e, ao mesmo tempo, busca formas para minimizar os efeitos da poluição. Uma nova postura passa a ser adotada com relação aos processos executados, até então não levada em conta, ou seja: “como os processos afetam o meio ambiente?” A ordem passa a ser: mudar o processo para acabar com o resíduo; agir nas fontes geradoras; minimizar a emissão; valorizar o resíduo para reaproveitá-lo e, só em último caso, tratá-lo e descartá-lo.

A implantação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) é a resposta dada pelas empresas para controlar os impactos causados, isto é, representa uma mudança organizacional, motivada pela internalização ambiental e externalização de práticas que integram o meio ambiente e a produção. Dentre os inúmeros benefícios alcançados destacam-se alguns, como: a melhoria da imagem perante os diversos atores que interagem com o empreendimento; redução dos custos ambientais; menores riscos de infrações e multas; aumento de produtividade; melhoria da competitividade e surgimento de alternativas tecnológicas inovadoras.

Ao implantar o SGA a empresa adquire uma visão estratégica em relação ao meio ambiente, passando a percebê-lo como oportunidade de desenvolvimento e crescimento.

Ao mesmo tempo, deve ser ressaltado que estratégias sustentáveis asseguram a proteção ambiental, tanto do local de trabalho quanto dos operadores, além de contribuir para a eliminação ou minimização de impactos ambientais.

A Indústria da Construção Civil, em especial o subsetor edificações, é frequentemente citada como exemplo de setor atrasado, com baixos índices de

produtividade e elevados desperdícios de recursos, apresentando, em geral, desempenho inferior à indústria de transformação. Um dos principais reflexos desta situação é os altos índices de perdas de materiais e geração de resíduos (estima-se que cerca de 80 milhões de toneladas de rejeitos da construção sejam movimentados no País ao ano), conforme constatado em estudos realizados por Soilbelman (1993) e Pinto (1989) e ainda pela pesquisa feita no Jornal Gazeta Mercantil (1607/2004).

Segundo Pinto (1989) e Gonzales (2005), a Construção Civil é reconhecida como uma das mais importantes atividades para o desenvolvimento econômico e social correspondendo a 15,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e garante cerca de 15 milhões de empregos direto, e, por outro lado, comporta-se, ainda, como grande geradora de impactos ambientais, quer seja pelo consumo de recursos naturais, pela modificação da paisagem ou pela geração de resíduos.

A mão-de-obra da construção é com frequência citada como a responsável por este quadro de baixo desempenho, sendo comum rotular-se os operários de displicentes ou incapazes. Entretanto, os operários, muitas vezes, não sabem o que devem executar e não dispõem dos adequados instrumentos e materiais de trabalho, ou mesmo de um local em boas condições para executar seus serviços (HANDA, 1988). Assim, é uma atitude simplista culpar a mão-de-obra pela ineficiência da construção, existindo diversos estudos que apontam a ausência ou insuficiência de planejamento como uma das principais causas desta situação.

O planejamento do canteiro, em particular, tem sido um dos aspectos mais negligenciados na indústria da construção, sendo que as decisões são tomadas à medida que os problemas surgem no decorrer da execução (HANDA, 1988). Em conseqüência, disso os canteiros de obras muitas vezes deixam a desejar em termos de organização e segurança.

Apesar das vantagens operacionais e econômicas necessitarem de um eficiente planejamento sobre os canteiros, estas são mais óbvias em empreendimentos de maior porte e complexidade (RAD, 1983), é ponto pacífico que um estudo criterioso do layout e da logística do canteiro deve estar entre as primeiras ações para que sejam bem aproveitados todos os recursos materiais e humanos empregados na obra, qualquer que seja seu porte (SKOYLES; SKOYLES, 1987; TOMMELEIN, 1992; MATHEUS, 1993; SOILBELMAN, 1993; SANTOS, 1995).

Embora seja reconhecido que o planejamento do canteiro desempenha um papel fundamental na eficiência das operações, cumprimento de prazos, custos e qualidade da construção, os gerentes geralmente aprendem a realizar tal atividade somente através da tentativa e do erro, ao longo de muitos anos de trabalho (TOMMELEIN, 1992). Já Rad (1983) concluiu que raramente existe um método definido para o planejamento do canteiro, observando, em pesquisas junto a gerentes de obras, que os planos eram elaborados com base na experiência, no senso comum e na adaptação de projetos passados para as situações atuais.

Considerando a necessidade de que o planejamento de canteiro siga procedimentos estruturados, o presente trabalho apresenta um método para o planejamento de canteiros de obra, incluindo diretrizes para a execução de cada uma das etapas do processo de planejamento.

1.2 O OBJETO DO ESTUDO

O presente trabalho pretende apresentar uma análise sobre o tema da Sustentabilidade nos Canteiro de Obras, mostrando alguns impactos que o ambiente pode sofrer durante a fase de construção do edifício, assim como, desenvolver um conjunto de métodos e técnicas adequados para a gestão da Qualidade, adequados às peculiaridades das empresas de construção civil, particularmente àquelas de pequeno porte, minimizando tais impactos desde o momento da concepção de um projeto, que serão aplicadas com o início da construção de um edifício até o final de seu ciclo de vida, visando à elevação dos níveis de qualidade e produtividade do setor da Construção.

1.3 JUSTIFICATIVA

A história do mundo nos revela que a construção civil sempre existiu para atender as necessidades básicas e imediatas do homem, e nesse tempo de crescimento acelerado, não se importou muito com as técnicas construtivas e preservação ambiental.

Tendo em vista o aumento da degradação do meio ambiente, resultando em graves riscos para toda a sociedade, e sabendo que mais de 60% dos resíduos sólidos gerados em centros urbanos são provenientes do canteiro de obras (CREDÍDIO, 2008), surge então a necessidade de se desenvolver técnicas e soluções para mitigar estes impactos.

O homem pode ser qualificado diferencialmente dos demais seres vivos por inúmeras características, entre elas se inclui o dinamismo de planejar, produzir e transformar continuamente suas técnicas através de aperfeiçoamento e estudo contínuo dos resultados.

Sendo assim, o setor da construção civil vem exigindo qualificação e técnica mais aprimoradas e vantajosas para construir edifícios que fossem mais confortáveis, que causassem o menor impacto ambiental possível, e que seu planejamento resultasse numa melhor utilização do espaço físico disponível, de forma a possibilitar que homens e máquinas trabalhem com segurança e eficiência, principalmente através da minimização das movimentações de materiais, componentes e mão-de-obra.

As edificações sustentáveis tem sido tema de muitos assuntos discutidos atualmente. Este projeto visa focar a sustentabilidade e o planejamento nos canteiros de obras durante a fase de construção do empreendimento. Essa fase não tem merecido a sua devida atenção, mas é de fundamental importância para a preservação ambiental.

Um empreendimento sustentável não é definido só pelos benefícios ambientais e sociais no seu uso e operação, mas também na sua construção. Essa fase pode causar sérios danos e impactos de vizinhança e ao meio ambiente, como esgotamento com o consumo excessivo ou desperdício de recursos naturais e o aumento da poluição por má gestão do canteiro de obras.

1.4 A METODOLOGIA EMPREGADA

O tema em questão foi pesquisado através de livros, observação “in loco”, entrevistas com profissionais do mercado, artigos publicados e pesquisas em internet especificados na bibliografia no final deste trabalho. Após a explanação de conceitos e definições, foi realizado um estudo de caso a fim de contextualizar e ilustrar o tema.

O presente trabalho privilegia uma visão holística do canteiro de obras. Estuda-se a literatura existente sobre sustentabilidade e os programas de gestão ambiental sempre do ponto de vista da etapa de produção das edificações. Nesse processo, procura-se adotar uma desvinculação das posturas dominantes que fazem das políticas globais e do projeto os focos da sustentabilidade, explorando, ao contrário, a importância das decisões tomadas no canteiro.

Aborda-se esse processo decisório do ponto de vista do conceito de sistema de aprendizado, o qual sugere que melhorias nos processos ocorrem graças à criação de condições para que os agentes envolvidos aprendam e internalizem as boas práticas desejadas. Estas, por sua vez, não devem ser vistas como um marco estático, mas como um objetivo móvel, o qual deve ser continuamente aprimorado à medida que a indústria for atingindo patamares mais satisfatórios.

2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 HISTÓRICO

Tendo em vista o panorama histórico de contínua degradação ambiental provocada por necessidades humanas, como a de se fixar um território, a sua ambição em crescer e expandir, foram realizados encontros onde muito se discutiu sobre este tema. Até então não se tinha avaliado as consequências da ação humana provocadas ao meio ambiente.

Os debates sobre os riscos da degradação ambiental e soluções propostas para amenizar esse problema começaram, de forma pontual e esparsa, a partir de 1960. Nos anos que se sucederam ganharam certa densidade, possibilitando então alguns encontros de caráter internacional.

A atenção dispensada pela sociedade, poder público e mercado às questões ambientais têm levado inúmeras empresas a assumir suas responsabilidades ambientais.

A busca da qualidade ambiental pode representar um incentivo ao desenvolvimento de inovações, as quais podem resultar em uma maior eficiência do processo produtivo, com redução de custos ou agregação de valor ao produto, sendo responsáveis por incrementos de competitividade para as empresas.

2.2 SUSTENTABILIDADE PARA O SETOR DA CONSTRUÇÃO CIVIL

Tendo como base a atual conjuntura mundial em relação à proteção do meio ambiente, no setor da construção civil também tem crescido a procura de ampliar métodos sustentáveis. Surge assim um grande aumento de construções sustentáveis em todo o mundo, inclusive no Brasil. A construção sustentável se preocupa com o uso racional dos recursos naturais, pois o setor da construção civil é uma das atividades humanas que mais afetam o meio ambiente, sendo responsável pelo consumo de 40% dos recursos naturais, 34% do consumo de água e 55% do consumo de madeira.

Há também a preocupação com os resíduos gerados pelas obras, que depois são jogados em áreas inadequadas, poluindo as cidades. Considerando este problema, o CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE (2002), publicou a Resolução n.º 307/2002, a qual fornece as diretrizes básicas para a gestão por parte dos Municípios.

Este documento define os resíduos da construção civil da seguinte maneira:

São os provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos, tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica etc., comumente chamados de entulhos de obras, caliça ou metralha.

A gestão dos resíduos pode contribuir para a redução do custo das obras por meio de três fatores: a diminuição das perdas, a redução da quantidade dos insumos por meio do reaproveitamento dos resíduos e a redução dos custos de transporte e destinação do entulho.

Sendo assim, essas construções devem ser concebidas e planejadas a partir de várias premissas. Dentre elas, a escolha de materiais ambientalmente corretos e com baixas emissões de CO2; com menor geração de resíduos durante a fase de obra; o cumprimento das normas, principalmente as de desempenho; que suprimam menores áreas de vegetação; que demandem menos energia e água em todas as fases (construção e uso) e que possam ser amplamente reaproveitadas no fim de seu ciclo de vida.

2.2.1 Ações estratégicas

As ações que contribuem com a implantação de um canteiro sustentável podem ser divididas por temas e práticas específicas: Projeto de gestão ambiental; Compra responsável; Relação com a comunidade; Gestão de saúde e segurança ocupacional; Projeto de gestão da qualidade; Redução das perdas de materiais; Gestão de resíduos sólidos; Uso e ocupação do solo (implantação do canteiro); Consumo de água; Consumo de energia e transporte; Conservação de fauna e flora local; e Educação dos colaboradores (intrínsecos aos demais itens).

O projeto de gestão ambiental é o mecanismo de prevenção e minimização dos impactos ambientais no processo como um todo. Este consiste em um documento que deve avaliar o programa de execução da obra em todas as suas etapas em relação aos seus aspectos ambientais de forma integrada, estabelecer metas e padrões de conduta a serem seguidos e possibilitar a avaliação contínua dos serviços verificando a eficácia das soluções adotadas, gerando registros, e possibilitando um melhor monitoramento para a prevenção de acidentes ambientais.

Um elemento importante para este desenvolvimento é a Compra responsável que é o comprometimento da empresa em exercer a sua responsabilidade e influência para garantir a compra de materiais de fornecedores e prestadores de serviço que não utilizem em seus processos mão-de-obra infantil, ou escrava, que utilizem processos de fabricação mais limpos, e materiais de jazidas licenciadas.

Durante o processo construtivo a empresa deve procurar não causar transtornos para a vizinhança, com o controle da emissão de ruídos, da geração de poeira e lama, ou de problemas de tráfego causados pela entrega de materiais e concretagens. Apesar de serem impactos ambientais de curta duração, eles causam transtornos e estresse à vizinhança durante o período da obra, e afetam a imagem das empresas envolvidas no processo construtivo.

2.3 ETAPAS DO PROCESSO CONSTRUTIVO

Dentre as diversas etapas do processo construtivo, a execução de um edifício ou empreendimento merece especial atenção porque sintetizar a sua concepção e seus projetos, é o momento onde os maiores impactos são gerados (demanda pela extração de recursos , geração de resíduos, geração de renda) e o momento e local onde os diversos componentes da indústria da construção mais interagem entre si.

Por ter essas características é que a etapa de construção, do canteiro de obras, é o

momento chave para disseminar os princípios da sustentabilidade por toda a cadeia, por meio do fortalecimento das ferramentas de aprendizagem que contribuem para a mudança de paradigma.

As ações a serem realizadas pelas construtoras para promover o desenvolvimento sustentável devem ter o seu foco na sua própria área de atuação e possuir relação com o seu negócio, que no caso são as atividades ligadas aos canteiros de obras. Esse é o ambiente onde são realizadas as suas atividades principais e onde estão os seus principais recursos financeiros e humanos, merecendo, portanto, maior atenção e onde as ações surtirão maiores efeitos (Porter e Herzog 2007).

Outro aspecto importante para focar a atuação sustentável das empresas construtoras nos seus canteiros de obras é o fato destas nem sempre serem as responsáveis pelos projetos executados. Com exceção das incorporadoras, que influenciam diretamente as decisões de projeto e podem modificá-lo, as demais construtoras são contratadas somente para a etapa de execução e possuem autonomia apenas para modificar o seu processo de produção, desde que essas modificações no processo não alterem o projeto ou as características do produto final.

O canteiro de obras é onde os recursos transformadores (pessoas e instalações) processam os recursos a serem transformados (matéria-prima, água, energia, meio ambiente, informações) em produtos (bens e serviços). Entretanto, além do produto, o processo de transformação também gera impactos ambientais (resíduos, efluentes, emissões), sociais (renda, relação com a comunidade, acidentes de trabalho) e educacionais (desenvolvimento técnico, melhoria contínua), que são genericamente chamados, junto com o produto, de saídas do processo de transformação, conforme a Figura 1.

Figura 1- Modelo de transformação nos canteiros de Obras

Conforme apresentando na figura 1 um processo de transformação sustentável é atento tanto às suas entradas quanto às suas saídas, por meio de ações do seu processo interno (Nascimento, Lemos et al. 2008). Em relação às entradas, deve-se atentar para a origem dos seus recursos de modo a garantir a sua qualidade, procedência ambiental e legal. Em relação às saídas deve-se atentar para a qualidade final do produto, reduzir os seus impactos ambientais, aprimorar a renda dos trabalhadores, garantir boas relações com a comunidade vizinha da obra, diminuir os acidentes de trabalho, aprimorar o desenvolvimento técnico, e gerar conhecimento que retroalimente o processo de melhoria contínua.

O início das atividades é marcado pela contratação da mão-de-obra e seu treinamento, aquisição dos recursos (materiais e equipamentos), e construção das estruturas auxiliares essenciais para a realização dos serviços, tais como vestiários, refeitório, ferramentaria, carpintaria, escritório e almoxarifado. O planejamento da obra e o início das atividades são aquilo que na Figura 1 é chamado de entradas do processo.

A etapa de entrega da obra é marcada pelo comissionamento das estruturas de acordo com as exigências dos clientes, e fundamentada pela elaboração do Manual do Cliente que facilita a manutenção posterior das estruturas pelos usuários, e pelo desmonte do canteiro de obras. As etapas de realização dos serviços e de entrega da obra correspondem juntas à fase de transformação da Figura 1.

Assim sendo, a realização de um empreendimento como um todo possui diversas etapas, assim como, a etapa de execução da obra também possui as suas sub-etapas do processo. A execução da obra compreende: planejamento, início das atividades, realização dos serviços (execução dos projetos), e entrega da obra, conforme mostra a Figura 2.

Figura 2 - Principais etapas de execução da obra

A etapa de planejamento da obra é primordial para a qualidade do empreendimento e deve atender aos prazos e custos, prever os impactos ambientais, elaborar diretrizes e padrões a serem seguidos durante a execução dos projetos. Esse planejamento é realizado basicamente com o estudo e a análise crítica dos projetos, de elaboração dos cronogramas financeiros, de atividades e treinamentos, e o estudo do layout do canteiro de obras de modo a aperfeiçoar a realização das atividades previstas.

A realização dos serviços é a etapa onde se executam os projetos em si. Além de se construir as estruturas. Nessa etapa a atividade de verificação dos serviços é essencial para garantir a qualidade das tarefas realizadas e a sua rastreabilidade. Também deve ser realizada a proteção dos serviços para evitar que atividades e serviços subsequentes os danifiquem ou os intoxiquem.

Para um canteiro de obras ser sustentável é necessário que as dimensões econômica, ambiental, social, educacional e cultural da sustentabilidade estejam incorporados em cada etapa de execução da obra. (Quelhas e Lima 2006). Ao considerarem-se esses diversos aspectos da sustentabilidade e a complexidade da sua prática, é preciso compreender que não é possível materializar todos os aspectos de uma só vez pelas empresas (Safatle 2007). Assim, faz-se necessário estabelecer quais ações devem ser implantadas e quais são os seus respectivos objetivos.

2.4 A DEFINIÇÃO DE PLANEJAMENTO DE CANTEIROS

Planejamento de um canteiro de obras pode ser definido como o planejamento do layout e da logística das suas instalações provisórias, instalações de segurança e sistema de movimentação e armazenamento de materiais. O planejamento do layout envolve a definição do arranjo físico de trabalhadores, materiais, equipamentos, áreas de trabalho e de estocagem (FRANKENFELD, 1990).

De outra parte, o planejamento logístico estabelece as condições de infraestrutura para o desenvolvimento do processo produtivo, estabelecendo, por exemplo, as condições de armazenamento e transporte de cada material, a tipologia das instalações provisórias, o mobiliário dos escritórios, as instalações de segurança e o destino dos resíduos gerados pela construção.

2.4.1 Tipos de Canteiro

De acordo com Illingworth (1993), os canteiros de obra podem ser enquadrados dentro de um dos seguintes tipos: restritos, amplos e longos e estreitos.

Tipo Descrição

1. Restrito

Exemplos A construção ocupa o terreno completo ou uma alta percentagem deste. Acessos restritos.

Construções em áreas centrais da cidade, ampliações e reformas.

2. Amplos

Exemplos A construção ocupa somente uma parcela relativamente pequena do terreno. Há disponibilidade de acessos para veículos e de espaços para áreas de armazenamento e acomodação de pessoal.

A construção de plantas industriais, conjuntos habitacionais horizontais e outras grandes obras como barragens ou usinas hidroelétricas.

3. Longos e estreitos

Exemplo

São restritos em apenas uma das dimensões com possibilidade de acesso em poucos pontos do canteiro.

Trabalho em entrada de ferro e rodagem, redes de gás e petróleo, e alguns casos de obras de edificações em zonas urbanas.

De acordo com as informações contidas no “Quadro 1– Tipos de Canteiros” observa-se que o primeiro tipo de canteiro (restrito) é o mais frequente nas áreas urbanas das cidades, especialmente nas áreas centrais. Devido ao elevado custo dos terrenos nessas áreas, as edificações tendem a ocupar uma alta percentagem do terreno em busca de maximizar sua rentabilidade. Em decorrência disto, Illingworth (1993) afirma que os canteiros restritos são os que exigem mais cuidados no planejamento, devendo-se seguir uma abordagem criteriosa para tal tarefa.

Illingworth (1993) destaca duas regras fundamentais que sempre devem ser seguidas no planejamento de canteiros restritos:

(a) sempre atacar primeiro a fronteira mais difícil;

(b) criar espaços utilizáveis no nível do térreo tão cedo quanto possível.

A primeira regra recomenda que a obra inicie a partir da divisa mais problemática do canteiro. O principal objetivo é evitar que se tenha de fazer serviços em tal divisa nas fases posteriores da execução, quando a construção de outras partes da edificação dificulta o acesso a este local. Os motivos que podem determinar a criticalidade de uma divisa são vários, tais como a existência de um muro de arrimo, vegetação de grande porte ou um desnível acentuado.

A segunda regra aplica-se especialmente a obras nas quais o subsolo ocupa quase a totalidade do terreno, dificultando, na fase inicial da construção, a existência de um layout permanente. Exige-se, assim, a conclusão, tão cedo quanto possível, de espaços utilizáveis ao nível do térreo, os quais possam ser aproveitados para locação de instalações provisórias de armazenamento, com a finalidade de facilitar os acessos de veículos e pessoas, além de propiciar um caráter de longo prazo de existência para as referidas instalações.

2.4.2 Objetivos do Planejamento de Canteiros

O processo de planejamento do canteiro visa a obter a melhor utilização do espaço físico disponível, de forma a possibilitar que homens e máquinas trabalhem com segurança e eficiência, principalmente através da minimização das movimentações de materiais, componentes e mão-de-obra. Tommelein (1992) dividiu os múltiplos objetivos que um bom planejamento de canteiro deve atingir em duas categorias principais:

(a) objetivos de alto nível: promover operações eficientes e seguras e manter alta a motivação dos empregados. No que diz respeito à motivação dos operários destaca-se a necessidade de fornecer boas condições ambientais de trabalho, tanto em termos de conforto como de segurança do trabalho. Ainda dentre os objetivos de alto nível, pode ser acrescentada à definição de Tommelein (1992) o cuidado com o aspecto visual do canteiro, que inclui a limpeza do mesmo como também a não degradação do meio ambiente, causando um impacto positivo perante funcionários e clientes.

(b) objetivos de baixo nível: minimizar distâncias de transporte, minimizar tempos de movimentação de pessoal e materiais, minimizar manuseios de materiais e evitar obstruções ao movimento de materiais e equipamentos.

3. O PROCESSO DE PLANEJAMENTO DE CANTEIROS DE OBRA

O planejamento do canteiro deve ser encarado como um processo gerencial igual a qualquer outro, incluindo etapas de coleta de dados e avaliação do planejamento. É sob essa ótica que foi elaborado o método apresentado nesse trabalho, o qual considera a existência de quatro etapas para o planejamento de canteiros:

(a) Diagnóstico de canteiros de obra existentes;

(b) Padronização das instalações e dos procedimentos de planejamento;

(c) Planejamento do canteiro de obras propriamente dito;

(d) Manutenção da organização dos canteiros, baseando-se na aplicação dos princípios dos programas 5S.

Nas próximas seções são apresentados os procedimentos de implantação, os benefícios e as interfaces entre as etapas.

3.1 O DIAGNÓSTICO DE CANTEIROS DE OBRAS

O diagnóstico dos canteiros de obra existente deve ser a primeira atividade executada em um programa de melhorias, uma vez que são gerados subsídios para a realização das etapas de padronização e planejamento. O método de diagnóstico proposto consiste da aplicação conjunta de três ferramentas: uma lista de verificação (checklist), elaboração de croqui do layout e registro fotográfico.

A lista de verificação é a mais abrangente dentre as ferramentas, permitindo uma ampla análise qualitativa do canteiro, no âmbito da logística e do layout, segundo os seus três principais aspectos: instalações provisórias, segurança no trabalho e sistema de movimentação e armazenamento de materiais.

Cada um desses três grupos envolve diversos elementos do canteiro. Um elemento do canteiro é definido como qualquer aspecto da logística no âmbito dos três grupos que mereça atenção no planejamento, tais como, por exemplo, refeitório, elevador de carga ou armazenamento de cimento. Todos os elementos devem satisfazer certos requisitos ou padrões mínimos de qualidade para o desempenho satisfatório de suas funções.

Os requisitos foram definidos da forma mais objetiva possível, tentando-se, assim, possibilitar a verificação visual da sua existência ou não, dispensando medições, consultas a outras pessoas ou a projetos da obra. Exemplos do que foi exposto, são mostrados na Figura 3 dois dos requisitos de qualidade que a lista estabelece para o elemento elevador de carga.

Sim Não Não se aplica

B12) Elevador de carga

B12.1) A torre do guincho é revestida com tela.

B12.2) As rampas de acesso à torre são dotadas de guarda-corpo e rodapé, sendo planas ou ascendentes no sentido da torre (NR-18)

Figura 3 - Exemplo de requisitos definidos no checklist

Embora a lista destine-se a uma análise qualitativa dos canteiros, o resultado dela pode ser expresso quantitativamente através de uma nota. É possível atribuir uma nota para o canteiro como um todo e uma nota para cada grupo, sendo que a nota global do canteiro é a média aritmética das notas dos grupos. A existência de notas fornece parâmetros para a comparação entre diferentes canteiros e propicia a formação de valores para benchmarking .

O sistema de pontuação adotado estabelece que cada requisito de qualidade, de qualquer elemento, possui valor igual a 1 ponto. O item recebe o ponto caso esteja assinalada a opção “sim”. Existe uma tabela na lista de verificação, ao final de cada grupo, onde devem ser anotados os Pontos Obtidos (PO), os Pontos Possíveis (PP) e a nota do grupo, a qual é a relação entre PO e PP. Os pontos obtidos correspondem ao total de itens com avaliação positiva, enquanto os pontos possíveis ao total de itens com avaliação positiva ou negativa. Para os fins de atribuição da nota são desconsiderados os itens marcados com “não se aplica”.

Quanto à nota global do canteiro, calcula-se a mesma fazendo a média aritmética das notas dos três grupos. Embora esta nota possa ser calculada, seu significado para a análise do desempenho do canteiro é secundário, se comparado ao significado das notas dos grupos. As notas dos grupos são mais úteis por agregarem somente o desempenho de elementos do canteiro semelhantes, devendo, por isso, serem priorizadas na comparação entre diferentes canteiros.

Qualquer empresa que utilizar a lista como uma ferramenta de controle, pode estabelecer o seu próprio sistema de pontuação, baseando-se na realidade de seus canteiros e nas suas prioridades estratégicas. Entretanto, se a empresa deseja comparar-se com o desempenho de um concorrente ou com a média do setor, é necessário optar por um sistema comum de pontuação. É neste contexto que se insere a ferramenta proposta, pretendendo-se que a mesma seja utilizada na comparação de diferentes obras e empresas.

Especialmente no grupo segurança, o número de requisitos não aplicáveis pode variar significativamente conforme a fase da obra e o tipo de transporte vertical utilizado (por exemplo, grua ou guincho), podendo distorcer, de certa forma, a comparação entre diferentes obras.

A visita ao canteiro para aplicação da lista deve ser feita sem pressa, visto o extenso rol de itens e a atenção requerida para a correta compreensão do conteúdo da lista e seu preenchimento. Contudo, tais exigências não impedem que a aplicação demande pouco tempo, variando com o porte da obra e com a experiência do aplicador no uso da ferramenta. A partir de estudos realizados, pode-se estimar o tempo para aplicação da lista em torno de uma hora para edificações de porte médio (quatro a oito pavimentos).

Caso o aplicador não seja funcionário da empresa ou não trabalhe na obra em questão, é imprescindível que, na ocasião da visita ou com antecedência, explique-se ao mestre-de-obras ou engenheiro da obra os objetivos do levantamento e os procedimentos para a coleta de dados.

A Figura 4 apresenta as notas médias resultantes da aplicação da lista em um grupo de dez canteiros de obra, situados na cidade de Patos-Paraíba. O cálculo das notas obedeceu aos critérios explicados anteriormente.

Figura 4 - Resultados da aplicação do checklist em 10 canteiros em Patos-PB.

Os canteiros analisados pertencem a cinco empresas construtoras de pequeno porte envolvidas há alguns anos na implantação de ações de melhorias, seja através de parcerias com universidades, SEBRAE, certificação com base nas normas da série ISO 9000, consultorias ou mesmo de forma autônoma. Com base nestas características, pode-se considerar que as empresas destacam-se positivamente no setor em termos de avanços gerenciais e tecnológicos, representando exemplos das melhores práticas em Patos-Paraíba.

3.1.1 Elaboração de Croquis do Layout do Canteiro

A análise da(s) planta(s) de layout é útil para a identificação de problemas relacionados ao arranjo físico propriamente dito, permitindo observar, por exemplo, a localização equivocada de alguma instalação ou o excesso de cruzamentos de fluxo em determinada área. A necessidade desta ferramenta surge do fato de que a grande maioria dos canteiros não possui uma planta de layout, situação que acaba obrigando a elaboração de um croqui na própria obra, durante a visita de diagnóstico. Considerando essa necessidade, são apresentadas a seguir algumas diretrizes para a elaboração de croquis do layout do canteiro. Tais diretrizes também são aplicáveis à elaboração das plantas de layout.

Inicialmente, recomenda-se desenhar croquis de todos os pavimentos necessários à perfeita compreensão do layout (subsolo, térreo e pavimento tipo, por exemplo).

Sugere-se utilizar folha A4 e consultar o projeto arquitetônico, disponível no próprio escritório da obra. Nos canteiros convencionais, uma aproximação da escala 1:200 será suficiente, não sendo, porém, necessária muita rigidez na transferência de escala. Nos croquis, devem constar no mínimo os seguintes itens:

(a) definição aproximada do perímetro dos pavimentos, diferenciando áreas fechadas e abertas;

(b) localização de pilares e outras estruturas que interfiram na circulação de materiais ou pessoas;

(c) portões de entrada no canteiro (pessoas e veículos) e acesso coberto para clientes;

(d) localização de árvores que restrinjam ou interfiram na circulação de materiais ou pessoas, inclusive na calçada;

(e) localização das instalações provisórias (banheiros, escritório, refeitório, etc.), inclusive plantão de vendas;

(f) todos os locais de armazenamento de materiais, inclusive depósito de entulho;

(g) localização da calha ou tubo para remoção de entulho;

(h) localização da betoneira, grua, guincho e guincheiro, incluindo a especificação do(s) lado(s) pelo(s) qual(is) se fazem as cargas no guincho;

(i) localização do elevador de passageiros;

(j) localização das centrais de carpintaria e aço;

(l) pontos de içamento de fôrmas e armaduras;

(m) localização de passarelas, rampas e/ou escadas provisórias com indicação aproximada do desnível; e

(n) linhas de fluxo principais.

3.1.2 Registro Fotográfico

Na apresentação dos resultados do diagnóstico é interessante incluir registros visuais da situação encontrada, podendo ser utilizadas tanto filmagens quanto fotografias. Uma vez no canteiro, é comum que o observador fique em dúvida sobre o que fotografar e, em consequência, deixe de registrar importantes problemas que acabam passando desapercebidos. Para evitar este problema, foi elaborada uma listagem dos principais pontos do canteiro que devem ser fotografados, escolhidos com base na sua importância logística e pelo fato de serem tradicionais focos de problemas. A listagem é composta por treze itens:

(a) armazenamento de areia;

(b) armazenamento de tijolos;

(c) armazenamento de cimento;

(d) entulho (em depósito ou não);

(e) condições do terreno por onde circulam caminhões;

(f) refeitório, vestiários e banheiros com as respectivas instalações;

(g) detalhamento do sistema construtivo das instalações provisórias;

(h) fechamento de poços de elevadores;

(i) corrimãos provisórios de escadas;

(j) sistema de fixação das treliças das bandejas salva-vidas na edificação;

(l) acesso ao guincho nos pavimentos;

(m) proteção contra quedas no perímetro dos pavimentos; e

(n) sistema de drenagem.

Na reunião de apresentação dos resultados do diagnóstico as fotografias podem desempenhar um importante papel como instrumento de apoio à argumentação, visto que se constituem em um registro indiscutível da realidade observada. O relatório pode incluir ao lado de cada fotografia de uma situação negativa, uma outra, fotografia, a qual mostre um exemplo de solução para a deficiência encontrada. Se possível, os exemplos positivos devem ser de outras obras da empresa, indicando a fácil disponibilização das soluções.

3.2 PADRONIZAÇÃO

Em meio às diversas estratégias gerenciais cujo uso se disseminou no movimento pela qualidade total, a padronização destaca-se como uma das mais importantes e mais eficientes, podendo trazer uma série de benefícios à empresa, facilitando as atividades de planejamento, controle e execução. Contudo, a padronização não é uma estratégia a ser utilizada indiscriminadamente em qualquer situação, fazendo-se necessário um estudo criterioso da sua real necessidade e profundidade de implantação. Assim, empresas que trabalham com diversos tipos de obras, em diferentes regiões, devem avaliar quais são os serviços e procedimentos comuns passíveis de padronização, adotando-se padrões somente para estes.

3.2.1 Benefícios da Padronização

Pode haver variações significativas nas instalações de canteiro, conforme o tipo de obra. Um prédio de apartamentos, um conjunto habitacional, uma estrada, uma usina hidroelétrica ou uma planta industrial, podem apresentar canteiros tão distintos quanto às tecnologias empregadas. Deste modo, a padronização deve ser encarada como uma estratégia a considerar em maior ou menor grau, sendo mais recomendada para empresas que constroem obras com tipologia e tecnologia semelhantes, como é o caso da grande maioria das construtoras e incorporadoras de edificações.

Especificamente no que diz respeito às instalações de canteiro, a padronização pode trazer os seguintes benefícios:

(a) diminuição das perdas de materiais, como decorrência do reaproveitamento, da melhor qualidade e da utilização mínima de componentes nas instalações (somente o especificado pelo padrão, nada mais);

(b) facilidade para o planejamento do layout dos novos canteiros, pois muitos dos padrões são dados necessários à realização da atividade;

(c) contribuição para a formação de uma imagem da empresa no mercado, lembrando que a qualidade do padrão é o fator que determina se esta imagem é positiva ou negativa;

(d) conformidade com os requisitos da NR-18 (SEGURANÇA, 2003, p. 45) evitando multas e prevenindo acidentes;

(e) possibilidade de elaboração de um modelo básico do Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho (PCMAT) a partir dos padrões estabelecidos. Desta forma o PCMAT refletirá a realidade da empresa, ao contrário do que aconteceria se a elaboração do mesmo não considerasse as reais práticas (padrões) da empresa;

(f) estabelecimento da base, a partir da qual o processo de introdução de melhorias nos canteiros é implantado.

3.3 PLANEJAMENTO DO CANTEIRO

O planejamento de canteiro deve ser realizado através de um procedimento sistematizado, compreendendo cinco etapas básicas:

(a) análise preliminar: esta etapa envolve a coleta e a análise de dados, sendo fundamental para a execução qualificada e ágil das demais etapas. A não realização completa e antecipada da análise preliminar pode provocar interrupções e atrasos durante as etapas posteriores, visto que faltarão as informações necessárias para a tomada de decisões. As empresas que possuem suas instalações de canteiro padronizadas realizarão com maior facilidade esta etapa, uma vez que boa parte das informações requeridas estão prontamente disponíveis. As principais informações que devem ser coletadas nessa etapa são as seguintes:

- Programa de necessidades do canteiro: devem ser listadas todas as instalações de canteiro que deverão ser locadas, estimando-se a área aproximada necessária para cada uma delas. Para tanto, recomenda-se o uso de um checklist como o apresentado na Figura 3.

- Informações sobre o terreno e o entorno da obra: devem estar disponíveis informações tais como a localização de árvores na calçada e dentro do terreno, pré-existência de rede de esgoto, passagem de rede de alta tensão em frente ao prédio, desníveis do terreno, rua de trânsito menos intenso caso o terreno seja de esquina, entre outros.

Mesmo que estas informações estejam representadas nas plantas dos vários projetos, é recomendável a conferência in loco.

- Definições técnicas da obra: devem estar definidas as principais tecnologias construtivas adotadas, a fim de que se possam ter claro quais serão os espaços necessários para a circulação, estocagem de materiais e áreas de produção. São exemplos de definições desta natureza o tipo de estrutura (concreto usinado, pré-moldados, estrutura de aço, etc.), tipo de argamassa (ensacada, pré-misturada ou feita na obra), tipo de bloco de alvenaria ou tipo de revestimento de fachadas;

- Cronograma de mão-de-obra: deve ser estimado o número de operários no canteiro para três fases básicas do layout, ou seja, para a etapa inicial da obra a etapa de pico máximo de pessoal e a etapa final ou de desmobilização do canteiro;

- Cronograma físico da obra: a elaboração do cronograma de layout requer a consulta ao cronograma físico da obra, uma vez que é normal a existência de interferências entre ambos. Embora o cronograma físico original possa sofrer pequenas alterações para viabilizar um layout mais eficiente, deve-se, na medida do possível, procurar tirar proveito da programação estabelecida sem alterá-la. Entretanto são comuns situações que exigem, por exemplo, o retardamento da execução de trechos de paredes, rampas ou lajes para viabilizar a implantação do canteiro. Além destas análises de atrasos ou adiantamento de serviços, o estudo do cronograma físico permite a coleta de outras informações importantes para o estudo do layout, como, por exemplo, a verificação da possibilidade de que certos materiais não venham a ser estocados simultaneamente a outros (blocos e areia, por exemplo), o prazo de liberação de áreas da obra passíveis de uso por instalações de canteiro, prazo de início da alvenaria (para reservar área de estocagem de blocos), entre outros;

- Consulta ao orçamento: com base no levantamento dos quantitativos de materiais e no cronograma físico, podem ser estimadas as áreas máximas de estoque para os principais materiais.

(b) arranjo físico geral: a etapa de definição do arranjo físico geral, também denominado de macro-layout, envolve o estabelecimento do local em que cada área do canteiro (instalação ou grupo de instalações) irá situar-se, devendo ser estudado o posicionamento relativo entre as diversas áreas. Nesta etapa, por exemplo, define-se de forma aproximada, a localização das áreas de vivência, áreas de apoio e área do posto de produção de argamassa;

(c) arranjo físico detalhado: envolve o detalhamento do arranjo físico geral, ou a definição do micro-layout, no qual é estabelecida a localização de cada equipamento ou instalação dentro de cada área do canteiro. Nesta etapa define-se, por exemplo, a localização de cada instalação dentro das áreas de vivência, ou seja, as posições relativas entre vestiário, refeitório e banheiro, com as respectivas posições de portas e janelas;

(d) detalhamento das instalações: definido o arranjo físico do canteiro, faz-se necessário planejar a infraestrutura necessária ao funcionamento das instalações. Desta forma, com base nos padrões da empresa, devem ser estabelecidos, por exemplo, a quantidade e tipos de mesas e cadeiras nos refeitórios, quantidades e tipos de armários nos vestiários, técnicas de armazenamento de cada material, tipo de pavimentação das vias de circulação de materiais e pessoas, local e forma de fixação das plataformas de proteção, etc.;

(e) cronograma de implantação: este cronograma deve apresentar graficamente o seqüenciamento das fases de layout, além de explicitar as fases ou eventos da execução da obra (concretagem de uma laje, por exemplo) que determinam uma alteração no layout. O cronograma de implantação pode estar inserido no plano de longo prazo de produção, sendo útil para a divulgação do planejamento, para a programação da alocação de recursos aos trabalhos de implantação do canteiro, e, ainda, para o acompanhamento da implantação, facilitando a identificação e análise de eventuais atrasos.

Obviamente que as interferências do canteiro nos outros projetos não irão implicar em mudanças radicais na concepção inicial dos projetos. Embora as mudanças devam se limitar as intervenções de pequeno impacto, elas podem ser fundamentais para a viabilização de um layout eficiente. Dentre os assuntos que podem ser objeto de intervenção podem ser citadas a largura ou o dimensionamento de uma rampa para passagem de caminhões ou a execução de um detalhe na fachada para viabilizar a colocação de uma grua.

O planejamento do canteiro deve preferencialmente ser coordenado pelo gerente técnico da obra. Além deste, é fundamental a participação do mestre-de-obras e de representantes dos empreiteiros envolvidos. Caso o estudo seja feito ainda durante a etapa de anteprojeto, deve ser elaborada uma planta de anteprojeto do canteiro para ser encaminhada a todos os projetistas, a fim de que todos verifiquem a existência de eventuais interferências com seus projetos.

A seguir observa-se na figura 5 que esta traz os exemplos inerentes a programação das etapas de padronização de um canteiro, já tratadas anteriormente.

Figura 5 - Exemplo de programação das etapas de padronização de canteiros

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

É comum que exista entre os profissionais da construção civil a percepção de que canteiros de obra são locais destinados a serem sujos e desorganizados características determinadas pela natureza do processo produtivo e pela baixa qualificação da mão-de-obra. Os diagnósticos realizados junto a alguns canteiros de obra confirmaram que, na maior parte destas obras, a desorganização destes realmente confirma esta percepção.

Entretanto, algumas obras mostraram-se significativamente superiores às demais em termos de limpeza e organização. A causa identificada para essa melhor situação foi à existência, nestas empresas, de programas de envolvimento dos funcionários à gestão do canteiro. Tais programas, através de treinamento, colocação de metas, avaliação de desempenho e premiações, conscientizavam e estimulavam os trabalhadores a manter a obra limpa e organizada.

A maioria das propostas de melhoria leva em consideração o fator tempo e organização do trabalho, assim sendo, estabelecer um planejamento e controle de produção (especificando volumes de matérias a serem produzidos, responsáveis e o tempo) para ajudar a racionalizar o número de atividades do processo que não agregam valor, ou seja, aquelas atividades que consomem tempo, recursos e espaço e não somam para o andamento e agilidade do processo, como as identificadas. Um fator de grande relevância para o sucesso dos canteiros de obras e o treinamento com o pessoal envolvido em todo o processo para esclarecimentos do desempenho de suas atividades, assim como, a redução de perda de tempo em movimentos ou ações não produtivas.

Em relação às questões ambientais, as propostas foram baseadas nos três níveis de abordagem da gestão ambiental: corretiva, preventiva e estratégica propostas por Barbieri (2004).

A abordagem corretiva visa evitar acidentes locais, controlar a poluição, recuperar os dados ambientais causados e atender a legislação ambiental. A Ação Corretiva são etapas orientadas por quatro características básicas do processo de gestão ambiental: Monitoramento e Medição, Não-conformidades e Ações Corretivas e Preventivas, Registros, e Auditoria do SGA.

Já a gestão dos riscos implica uma antecipação preventiva, portanto, a ação de prevenção está ligada à certeza, ao perigo concreto, ou seja, ocorrendo a ação, esta irá gerar efeitos danosos e conhecidos e assim sendo, conhecido os efeitos, cabe ser tomadas medidas preventivas de modo a controlar os efeitos.

Quanto à gestão estratégica entende-se que esta procura reunir o planejamento estratégico e a administração em um único processo, portanto, esta ação corresponde ao conjunto de atividades planejadas e intencionais, estratégicas e organizacionais, que visa integrar a capacidade interna ao ambiente externo. Uma vez que, a gestão estratégica é uma referência direcional, pois tanto o ambiente externo como o interno são dinâmicos e, em algumas de suas dimensões, de difícil previsibilidade.

A pesquisa tem como intuito, apresentar que a sustentabilidade é possível dentro dos canteiros de obras, por isso, é importante ressaltar a dinâmica básica que deve ser adotadas em um c

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