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Trabalho Sobre o Teatro Brasileiro

Por:   •  9/9/2019  •  Trabalho acadêmico  •  2.171 Palavras (9 Páginas)  •  8 Visualizações

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Faculdade Casa da Artes de Laranjeiras – CAL

Disciplina: História do teatro Brasileiro II

Professor: Álvaro de Sá.

Aluno: José Lindemberg Farias da Silva.

Questão: 04 – Qual a importância de Ziembinski e a encenação de Vestido de noiva de Nelson Rodrigues no panorama do tetro Brasileiro?

Ziembinski ou conhecido como Zimba para os mais íntimos nasceu na Polônia em 1908, saído de seu país fugindo da segunda grande guerra mundial, ele se instala no Brasil, onde dá continuidade a suas atividades teatrais e artísticas, aqui ele trabalhou no teatro como ator e diretor, como também trabalhou na televisão produzindo e atuando em diversos trabalhos, com a encenação de mais de 94 peças e casos especiais na TV.

Ao chegar ao Brasil Ziembinski já tinha em sua bagagem anos de serviço prestados ao teatro Polonês, junto ao teatro nacional da Polônia, mais foi frente a encenação do TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) na montagem do texto de Nelson Rodrigues “Vestido de noiva” que se considera um marco importante da modernização da teatralidade da cena brasileira. Podemos citar o trecho do livro (PRADO, D. Apresentação do Teatro Moderno Brasileiro. São Paulo: Perspectiva, da página 16 , ano 2001) onde se diz:

Até a década de 1940, os atores dispensavam os ensaios de palco, uma vez que recorriam ao ponto – figura essencial no teatro de revista, responsável por ler as falas que o ator repetia e representava no palco. A chegada de Ziembinski no país mudou essa concepção. O diretor polonês introduziu o ensaio de mesa e a construção do personagem e da interpretação. Nesta perspectiva, introduzia o papel do encenador, elemento fundamental do teatro moderno que diferia do ensaiador. O ensaiador tinha pouca visibilidade para o público devido à presença do ponto; sua função principal era administrar as finanças do teatro, além de organizar os atores em cena e extrair da atuação o máximo de comicidade de cada um. (PRADO, 2001, p.16).

A partir dessa nova concepção desse construtor, digamos até como um carpinteiro, um modelado, um organizador de ação de cena, onde chamamos de encenador, figura essa que não só ensaiava, mas também era um pedagogo do fazer teatral, onde se unia a sensibilidade do que o texto cênico pedia, a transposição para o palco, para a cena, dando essa vivacidade ao trabalho do ator, da representação e do conjunto em si. Além da contribuição com essa mudança de configuração e a postura do papel do diretor cênico, Ziembinski tinha em sua visão que o diretor teatral mantivesse laços com o autor dos textos, essa aproximação permitiu alinhavar detalhes da obra que seria encenada, como podemos aqui citar a montagem de “Vestido de noiva” onde criou um diálogo com o autor, em que contrastavam de forma brilhante e entre si, o imaginário, o sonho e a realidade.

Um postura e rigor na buscar na qualidade dos elementos técnicos frente ao desenvolvimento cênico dos seus trabalhos, e na própria construção e aproximação do diálogo também entre ator e diretor, dando caminhos ao ator que só repetia as falas até então, dando ao ator elementos para que cada vez pudesse vivenciar em cena o seu papel, sugerindo ações, movimentações e entendimento da cena.

O que foi de fato que fez o texto de Nelson Rodrigues e a direção de Ziembinski, ser essencialmente uma obra-espetáculo que simboliza essa mudança nos palcos do Brasil? Qual diferencial ocorreu na montagem antes não realizado? Para entendermos melhor esse panorama, vamos adentrar no texto de Vestido de Noiva e entender os viés que o texto em si pede e como se organizou essa encenação.

Em 1943 vestido de Noiva é um texto então não possível de ser encenado, pois não se tinha uma ideia clara de como fazer essa transposição, vamos assim chamar “TRANSPOSIÇÂO” para o palco, pois a ação dramática da peça acontece em ações simultâneas em três planos – da realidade, da alucinação e da memória. A inovação na forma do acontecimento da peça de Nelson Rodrigues, é um marco na história da dramaturgia nacional. O autor rompe com a lógica temporal (começo, meio e fim) e instaura o sentido lógico, quebrando com o tempo/espaço e a realidade cronológica, criando um espaço tempo psicológico, coisa que ainda não tinha sido realizado no teatro brasileiro até então, uma vez que necessitava de planos de ação no mesmo espaço da representação, sua estrutura psicológica, plano real e o da memória que se configuram e se entrelaçavam diante do espectador, nessa época a noção de como desenvolver esse lugar espacial e psicológico era algo ainda a ser discutido e colocado em prática, mas pela ousadia e trabalho,

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