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RESENHA CRÍTICA DO TEXTO: AGRESSÃO FÍSICA E GÊNERO NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

Por:   •  3/12/2014  •  1.165 Palavras (5 Páginas)  •  649 Visualizações

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O artigo da autora Alba Zaluar, Agressão Física e Gênero na Cidade do Rio de Janeiro, publicado em abril-2009 na revista RBCS, traz os resultados de um inquérito domiciliar realizado pelo NUPEVI – Núcleo de Pesquisa das Violências – cujo universo foi a população de 15 anos e mais na cidade do Rio de Janeiro.

A pesquisa, através do recolhimento de dados sistêmicos, faz uma abordagem sobre a experiência de vítimas de violência no Rio de Janeiro, especificamente a agressão, em que são considerados diversos aspectos como: gênero, renda, grau de instrução, momento do dia e da semana que as agressões ocorreram entre outros. A pesquisa traz ainda dados específicos de subáreas da cidade do Rio de Janeiro, categorizadas pela autora como “cidade” e “favela”.

Com relação à metodologia, a pesquisa foi realizada com moradores em suas respectivas residências. Essa perspectiva metodológica é muito positiva, uma vez que possibilita ao entrevistado tranquilidade para realizar sua fala com total liberdade de expressão, que por ventura não teriam se o local da entrevista fosse a rua ou local de trabalho. Outro ponto importante dessa metodologia é relativo às dificuldades que as “cifras ocultas” proporcionam ao trabalho do pesquisador. Em razão dessa dificuldade tal metodologia é uma forma de minimizar os problemas de dados, uma vez que a autora traz um número impressionante com relação a este tema: 81,5% das pessoas agredidas, que fizeram parte da amostra e que foram entrevistadas na pesquisa não procuraram a polícia para registrar as agressões que sofreram. Este fato mostra a dificuldade do pesquisador em lidar com bancos de dados que muitas vezes não refletem na totalidade a realidade que se busca em uma pesquisa acadêmica.

A autora apresenta apenas dados sobre as agressões físicas sofridas por pessoas de 15 anos e mais nos doze meses anteriores à pesquisa e as que sofreram durante toda sua vida. Analisando os dados recolhidos na pesquisa observa-se que as mulheres, residentes em favelas foram mais agredidas do que os homens nos últimos doze meses anteriores à entrevista. Vale ressaltar que esses dados foram produzidos nas favelas cariocas e em comparação a cidade do Rio de Janeiro esses números ainda dobram.

Segundo a pesquisa, quanto ao local das agressões, tanto na cidade quanto na favela, observa-se na pesquisa um padrão diferente do roubo e do furto e são diferentes entre homens e mulheres. Entre os homens, os locais predominantes são as ruas do bairro onde moram e, entre as mulheres, são as próprias residências ou nas residências de vizinhos. No caso especifico de agressões entre vizinhos, agressões recorrentes acontecem mais nas favelas. Quanto aos horários e dias da semana, observa-se também um padrão diferente entre roubo e furto e entre homens e mulheres. Entre os homens, a maior incidência é no fim de semana durante a noite, mostrando que se trata de uma atividade noturna e vinculada as atividades de lazer em fins de semana quando os homens buscam se encontrar e dividem espaços públicos e atividades rotineiras. Entre as mulheres, a maior incidência de agressão são nos dias da semana à noite e a tarde, voltando a subir um pouco no final de semana a noite. Para ambos, a menor incidência da violência ocorre nas madrugadas dos dias de semana. Nas favelas, os dados apresentados entre homens e mulheres são mais parecidos entre si do que na cidade.

A autora aponta ainda quanto à cor ou raça, os pretos e os pardos foram mais agredidos do que os brancos, os que possuem grau de instrução ensino fundamental, mais do que os que possuem formação superior, nos últimos doze meses, segundo dados da pesquisa. Quanto à idade, na cidade, as mulheres com idade reprodutiva (entre 20 e 40 anos) são as mais agredidas, já os homens estão numa faixa etária mais jovem (de 15 a 30 anos). Na favela, as mulheres são mais agredidas a partir de 15 anos, pois se casam mais cedo e, os homens mais agredidos ficam aproximadamente entre a faixa etária de 20 a 39 anos. A autora mostra também que no caso das mulheres agredidas, a maioria conhece seus agressores, o que mostra o caráter familiar das agressões sofridas, enquanto os homens não os conhecem. A pesquisa mostra também que entre as mulheres agredidas que não prestaram queixa, não o fizeram por medo de represália, principalmente

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