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Resenha Crítica - Cultura Um Conceito Antropológico

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Por:   •  9/4/2014  •  1.261 Palavras (6 Páginas)  •  838 Visualizações

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Cultura: um conceito antropológico", de Roque de Barros Laraia, professor emérito da UnB, é uma obra clássica, publicada pela primeira vez em 1986. O autor a inicia com uma breve apresentação, na qual situa o leitor quanto aos seus propósitos: discutir o conceito antropológico de cultura por meio de um texto didático e, portanto, bastante claro e simples. Para isso, utiliza exemplos ricos e variados, tomados emprestados de autores nacionais e estrangeiros.

O livro está dividido em duas partes: a primeira traz um breve histórico do desenvolvimento do conceito de cultura, desde os iluministas até os autores modernos; a segunda parte procura demonstrar como a cultura influencia o comportamento social e diversifica enormemente a humanidade, apesar de sua comprovada unidade biológica. Traz ainda, em anexos, dois textos independentes que enriquecem o conteúdo da obra, além de uma vasta bibliografia, caso o leitor queira aprofundar mais seus conhecimentos sobre o tema.

De acordo com o autor, desde a Antigüidade, os homens se preocupavam com a diversidade de modos de comportamento existentes entre os diferentes povos, e foram comuns as tentativas de explicar tais diferenças a partir das variações dos ambientes físicos. Mas os exemplos citados por Laraia servem para mostrar que as diferenças de comportamento entre os homens não podem ser explicadas pelas diversidades somatológicas ou mesológicas; para ele, tanto o determinismo geográfico como o determinismo biológico são incapazes de explicar as diferenças entre os homens.

Segundo o antropólogo, o comportamento dos indivíduos depende de um aprendizado, de um processo denominado endoculturação. Ou seja, um menino e uma menina agem diferentemente não em função de seus hormônios, mas em decorrência de uma educação diferenciada. O autor também mostra aos leitores que é possível e comum existir uma grande diversidade cultural em um mesmo ambiente natural.

Conforme Laraia, a primeira definição de cultura formulada do ponto de vista antropológico pertence a Edward Tylor, e aparece no primeiro parágrafo de seu livro Primitive Culture (1871). A esta, seguiram-se centenas de definições que mais confundiram do que ampliaram os limites do conceito. Por isto, diz o autor, uma das tarefas da antropologia moderna é reconstruir o conceito de cultura, fragmentado por tantas e tão diversas definições.

Tylor, diz Laraia, definiu cultura como sendo todo o comportamento aprendido, tudo aquilo que independe de uma transmissão genética, como diríamos hoje. Além disso, Tylor procurou demonstrar que a cultura pode ser objeto de estudo sistemático, pois se trata de um fenômeno que possui causas e regularidades, permitindo um estudo objetivo e uma análise capazes de proporcionar a formulação de leis sobre o processo cultural.

No que se refere à origem da cultura, Laraia busca a resposta em diversos autores, dentre eles, Claude Lévi-Strauss. Esse destacado antropólogo francês considera que a cultura surgiu no momento em que o homem convencionou a primeira regra, a primeira norma. Para Lévi-Strauss, essa seria a proibição do incesto, padrão de comportamento comum a todas as sociedades humanas. Todas elas proíbem a relação sexual de um homem com certas categorias de mulheres (entre nós, a mãe, a filha e a irmã). Leslie White, antropólogo norte-americano contemporâneo, considera que a passagem do estado animal para o humano ocorreu quando o cérebro do homem foi capaz de gerar símbolos.

Conforme Laraia, os autores que comenta em seu livro apresentam explicações de natureza física e social para a origem de cultura. Algumas delas tendem implícita ou explicitamente a admitir que a cultura apareceu de repente, num dado momento. Um verdadeiro salto da natureza para a humanidade. O que difere da explanação formulada por alguns pensadores católicos, preocupados com a conciliação entre a doutrina e a ciência, segundo a qual o homem adquiriu cultura no momento em que recebeu do Criador uma alma imortal. Mas o conhecimento científico atual está convencido de que o salto da natureza para a cultura foi contínuo e incrivelmente lento. Em outras palavras, a cultura desenvolveu-se simultaneamente com o equipamento fisiológico do homem.

No último capítulo da primeira parte do livro, Laraia apresenta várias teorias modernas sobre cultura e o finaliza dizendo que para uma compreensão exata do conceito de cultura é necessário compreender a própria natureza humana, tema perene da incansável reflexão humana. E acrescenta, ainda, que só lhe resta afirmar mineiramente como Murdock (1932): "Os antropólogos sabem de fato o que é cultura, mas divergem na maneira de exteriorizar este conhecimento".

Na segunda parte do livro, o autor discute como indivíduos de culturas diferentes vêem o mundo de maneiras diferente. Segundo ele, os diferentes comportamentos sociais são produtos de uma herança cultural, ou seja, o resultado da operação de uma determinada

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