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Resenha Critica - Documentário Carne e Osso

Por:   •  15/4/2020  •  Resenha  •  1.432 Palavras (6 Páginas)  •  43 Visualizações

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Resenha crítica do documentário Carne e Osso (2011).

O documentário lançado em 2011 Carne e Osso, escrito por Caio Cavechini e dirigido por  Carlos Juliano Barros e Caio Cavechini procura revelar a realidade dos trabalhadores de frigoríficos em seu cotidiano e para isso coletou depoimentos de trabalhadores e ex-trabalhadores das principais regiões brasileiras cuja cultura da indústria bovina e avícola são mais fortes, no sul e o no centro oeste enquanto realizava entrevistas buscando as posições médicas, assim como responsáveis pela fiscalização e previdência social, no objetivo de demonstrar o descompasso entre o que se apresenta como indústria exemplar e os prejuízos mentais, físicos e econômicos sofridos pelos trabalhadores em questão.

As imagens impactantes apresentadas trazem sérias reflexões sobre o ritmo de trabalho permitido e vivido nos frigoríficos, a rapidez exigida numa perspectiva de superação de tempo infindável, a tentativa de se acompanhar a máquina e cumprir a meta mensal, muitas vezes através de horas extras nem sempre remuneradas com o propósito de cumprir a produção produz uma sobrecarga de trabalho de medidas incalculáveis. Muitas vezes o trabalhador chega no outro dia de trabalho sem se sentir descansado o suficiente do dia anterior, e isso se torna uma rotina, logo finais de semana também já não são suficientes, e o mesmo é exposto a uma carga horaria de oito horas em silêncio por um receio constante de perder o emprego.

Outro sofrimento evidente encontrado está relacionado ao exercício repetitivo e constante do trabalho, o trabalhador exerce o mesmo exercício cuja finalidade é realiza-lo no menor tempo possível, o que acarreta inúmeras vezes em dores, problemas físicos sérios, e por vezes na inabilitação para trabalhar. Em um trabalho por exemplo em que por uma medida de segurança deveriam ser realizados 35 movimentos por minuto, tem-se comum que sejam realizados de 80 até 120 movimentos por minuto segundo o documentário, porém quando um trabalhador começa a reclamar de qualquer sofrimento, a empresa tem dois movimentos, o primeiro é externalizar o motivo da dor, de que a depressão foi devido a algum luto familiar ou divórcio, ou de que a dor na mão seria por dirigir a moto até o trabalho, o segundo movimento da empresa é demitir antes que o problema se intensifique.

Quando um trabalhador é demitido por problemas de saúde, o que é comum nesse ramo trabalhista, dificilmente consegue outro emprego, visto que não passa nos exames físicos, ficando sem carteira assinada e não tendo opções a não ser se manter na informalidade ou deixar o mercado de trabalho e recorrer a previdência, quando pela idade ainda poderia trabalhar muitos anos se não fossem os problemas provocados na indústria.

Frente a essa e outras realidades desses trabalhadores o que se encontra em relação ao estado é pouca fiscalização e baixas multas, que acabam por ser consideradas validas visto o lucro de um ritmo fora do comum ou as consideradas percas financeiras em mudar as condições de trabalho.

Destarte a todos esses problemas é que cabe ao psicólogo do trabalho identifica-los e desenvolver propostas de intervenção que tragam a empresa uma nova perspectiva, reconhecendo os problemas causados pelas condições de trabalho e podendo alterar então o sistema trabalhista, trazendo conscientização que gere um ambiente de trabalho menos hostil, assim como pensado pelo documentário, se as condições de trabalho fossem melhores, a rotatividade de empregados diminuiria, reduziria todo o gasto com treinamentos de tantos funcionários novos, isso poderia se dar com pausas, diminuição do ritmo de produção, diminuição da carga horaria, o que evitaria não só as demissões, quanto os afastamentos, substituições por ausência, dentre outros problemas, o que trás a tona a importância do psicólogo no ambiente de trabalho.

QUESTÕES REFETENTES AO TEXTO "ABORDAGENS TEÓRICO-METODOLÓGICAS EM SAÚDE/DOENÇA MENTAL & TRABALHO” DE M. DA GRAÇA JAQUES.

1.Identificar os pressupostos de cada abordagem e explicar os conceitos principais.

Teorias sobre estresse:

 Utiliza do referencial teórico cognitivo comportamental.

Tal teoria, traz para a psicologia do trabalho o conceito de estresse, que tem origem da física para definir o desgaste de materiais. O conceito foi utilizado na biologia para se referir a chamada “síndrome geral de adaptação”. Esse processo de exaustão também foi trabalhado pelo neuro endocrinologista Vasconcelos, onde estudou e pesquisou as interconecções entre o córtex cerebral, hipotálamo, hipófise glândulas suprarrenais e as alterações bioquímicas resultantes no organismo.

O conceito de estresse psicológico, é uma aplicação do conceito de estresse para além da dimensão biológica, que busca identificar a relação entre a pessoa e o ambiente considerado prejudicial ao seu bem-estar.

A avaliação cognitiva da situação, é um conceito utilizado para se referir ao motivo e em quais momentos determinada situação será estressora para o indivíduo.

Por último, o conceito de coping, que é utilizado para se referir ao conjunto de estratégias cognitivas e comportamentais utilizadas para avaliar e gerenciar as exigências internas e/ou externas, com base nas experiências pessoais e nas especificidades do estímulo.

Psicodinâmica do trabalho:

 Possui os pressupostos teóricos na psicanalise. Vai utilizar o termo sofrimento como um processo de significação do sujeito com o local de trabalho, portanto, o sofrimento na lógica dejouriana vai para além de uma psicopatologia, e se torna relativo a própria subjetividade do trabalhador. Dejours caracteriza o termo “sofrimento psíquico” como um processo de vivência subjetiva, intermediaria entre o adoecimento e o conforto psíquico. Tal processo, da origem as estratégias defensivas, que são construídas organizadas e gerenciadas de forma coletiva.

Abordagens com base epidemiológica/diagnostica:

Utiliza dos pressupostos marxistas ou histórico-critico. Trabalha os conceitos que em grande parte são originados da epidemiologia, que utilizam dos dados de distribuição, determinação de modos de expressão dos dados (como de adoecimento no trabalho) para fins de planejamento, prevenção e produção de conhecimento.

Também utiliza do conceito de “determinação social da doença” que permite comprovar a origem social do processo saúde/doença.

Estudos e pesquisa em subjetividade:

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