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Ficha Técnica da Obra

Por:   •  28/2/2026  •  Resenha  •  3.150 Palavras (13 Páginas)  •  11 Visualizações

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Ficha Técnica da Obra

  • Título: Região e Geografia
  • Autora: Sandra Lencioni
  • Ano: 1999
  • Editora: Edusp (Editora da Universidade de São Paulo)
  • Número de Páginas: 214 

Sobre a Autora e a Proposta do Livro

Sandra Lencioni é uma geógrafa brasileira de grande expressão, com sólida formação na Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutorado na Universidade de Paris I (Panthéon-Sorbonne). Sua obra é marcada pela profundidade teórica e pela ênfase na geografia regional, metrópole e indústria .

Em "Região e Geografia", Lencioni não busca oferecer uma definição pronta e acabada de região. Pelo contrário, a autora conduz o leitor por uma análise contundente sobre a historicidade do conceito, mostrando como a noção de região foi se modificando em paralelo às transformações da sociedade e às diferentes correntes do pensamento geográfico. A obra é, portanto, uma viagem pela história do pensamento geográfico a partir da perspectiva regional .

Estrutura e Conteúdo Detalhado

A obra está organizada em capítulos que percorrem cronologicamente a evolução do conceito de região, desde suas origens mais remotas até os debates contemporâneos.

1. As Origens do Conhecimento Geográfico (Capítulo 1)

Lencioni remonta aos primórdios da geografia, destacando que a preocupação em descrever e diferenciar as porções da superfície terrestre é antiga. A autora menciona que a palavra "região" ganhou destaque nos estudos corográficos dos gregos, que buscavam compreender as diferenças e contrastes da Terra. Hecateu de Mileto, por exemplo, é citado como um dos primeiros a traçar um mapa-múndi e a propor uma regionalização do planeta baseada nas zonas climáticas. A autora também destaca a contribuição de geógrafos árabes, como Al-Idrisi, que detalharam a divisão do mundo conhecido .

2. A Geografia como Ciência e a Região como Objeto (Capítulo 2)

Este é o núcleo do livro, onde a autora analisa a consolidação da geografia como ciência no século XIX, sob a influência do Iluminismo e do pensamento alemão. Ela discute o papel de pensadores como Kant, Humboldt, Ritter e Ratzel na fundamentação do conhecimento geográfico . É nesse contexto que a região se firma como objeto central de estudo, especialmente com a escola de geografia regional francesa.

Um dos principais méritos deste capítulo é a análise das duas principais matrizes filosóficas que influenciaram o estudo regional:

  • Influência Neokantista: A geografia regional, particularmente com Paul Vidal de La Blache, buscava compreender o singular, o único, a personalidade dos lugares. A região era vista como um produto da interação entre o homem e o meio (possibilismo), resultando em estudos (monografias regionais) que valorizavam a descrição minuciosa e a individualidade de cada região .
  • Influência do Pensamento Ratzeliano: Em contraponto, a obra de Friedrich Ratzel é apresentada por sua visão de unidade entre homem e natureza. Para Ratzel, a síntese regional era a tarefa máxima do geógrafo .

Lencioni também aponta os impasses gerados por essa geografia tradicional, como a dicotomia entre a geografia regional (preocupada com o único) e a geografia geral (preocupada com o estabelecimento de leis e princípios gerais) .

3. A Região na Geografia Teorético-Quantitativa

A partir da década de 1950, a "revolução teorético-quantitativa" propõe um novo paradigma para a geografia. Lencioni explica como, nessa perspectiva, a região deixa de ser compreendida em sua singularidade para ser tratada como um recorte espacial funcional, um polo de desenvolvimento ou um espaço passível de análise por meio de modelos matemáticos e estatísticos. O foco se desloca para a busca de regularidades e leis gerais de organização espacial, e a região é vista como uma categoria de análise para o planejamento estatal .

4. A Crítica Marxista e a Região

A obra também aborda a influência do pensamento marxista na geografia a partir dos anos 1970. Nessa visão, a região é compreendida como uma expressão da divisão territorial do trabalho e da reprodução das relações sociais de produção. O espaço é afirmado como uma construção social, e a região, portanto, não pode ser entendida fora da dinâmica da sociedade e dos processos de acumulação capitalista. O interesse se volta para a análise da dinâmica econômica e da estrutura social que produzem e reproduzem as desigualdades regionais .

5. A Perspectiva Fenomenológica e a Região como "Mundo Vivido"

Em contraponto ao positivismo lógico e ao estruturalismo marxista, Lencioni discute a abordagem fenomenológica. Esta corrente busca resgatar a dimensão subjetiva e cultural do espaço, priorizando a percepção, os valores sociais e o "mundo vivido" dos indivíduos. A região é investigada a partir da experiência e do sentimento de pertencimento dos seus habitantes, incorporando aspectos estruturais, funcionais e, sobretudo, subjetivos. A autora, no entanto, aponta as fragilidades dessa corrente, como a falta de uma metodologia consistente e o risco de acentuar a divisão entre geografia humana e física .

A Síntese Proposta e a Conclusão da Obra

Nas considerações finais, Lencioni oferece uma reflexão original e crucial para o debate contemporâneo. Para a autora, não se sustenta mais a ideia de região nos moldes clássicos, como uma porção do espaço perfeitamente delimitada e homogênea .

Ela argumenta que o atual processo de globalização, longe de aniquilar as regiões, gera um movimento dialético de fragmentação e diferenciação regional. A homogeneização promovida pela globalização provoca, como reação, a emergência de movimentos regionalistas que afirmam suas identidades e particularidades.

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