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VALE DO GUAPORE

Por:   •  12/12/2016  •  Trabalho acadêmico  •  1.274 Palavras (6 Páginas)  •  22 Visualizações

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Introdução

Todos os povos detêm em sua essência, uma identidade cultural própria que lhes identifique. A identidade pode ser entendida como a soma do passado que os identifique entre si e para os demais. As configurações culturais vigentes na atualidade em qualquer povo/grupo possuem uma trajetória, sendo estes fundamentais na compreensão do mesmo, não sendo possível ter presente sem passado. Esse passado deve ser analisado criticamente, tendo em vista compreender as transformações ocorridas ao longo dos anos e suas causas. O estudo de História pode ser compreendido como o estudo do homem ao longo do tempo. Esse esboço colabora entre outros, no enriquecimento do saber tanto na esfera cultural (a história da cultura da École des Annales) e no âmbito regional.

Ao abordar a identidade cultural do homem amazônico e seu patrimônio histórico, busca-se compreender o processo histórico do mesmo e a formação de inúmeras culturas abrigadas no cerne de seu espaço geográfico.

Desenvolvimento

A ampla extensão territorial da Amazônia e a abundancia de recursos naturais possibilitou a ocupação da mesma por diversos grupos humanos, favorecendo também o surgimento de variadas identidades culturais. A “identidade é algo único, distinto e completo”. Ela só pode ser reconhecida enquanto tal, da minha parte e daqueles que são o outro. Também é responsável por criar aproximações e distanciamentos.

Contudo, a ideia de formação cultural no Brasil está associada ao conceito das três raças: os brancos europeus, os negros africanos e os indígenas nativos. Esse conceito foi utilizado por Getúlio Vargas e suas origens são mais antigas, remetendo à monarquia lusitana. Entretanto, a formação da cultura brasileira é mais complexa, bastando lembrar os diferentes grupos diferentes inseridos neste processo: portugueses, italianos, alemães, espanhóis, polacos, japoneses, sírio-libaneses, ucranianos, jês, tupi-guaranis, tabajara, bororo, tucano, congo, angola, bantu e uma infinidade de outras culturas, sobretudo indígenas.

A grande presença indígena na Amazônia do período colonial e pré-colonial pode ser constatada tanto pelos relatos do período que chegaram aos dias atuais, quanto pelos estudos mais recentes na área. Entretanto, não havia a predominância de grupos étnicos: inúmeras culturas indígenas ocupavam o Vale Amazônico. Não por acaso, encontra-se a grande quantidade de troncos lingüísticos. A porção ocidental da Amazônia contava também com sociedades ceramistas, o que requer uma estrutura social mais complexa. Há também teorias que sustentam a ideia de que os grupos amazônicos possuíam contatos com os incas, o que pode ser confirmado pelas ruínas da Serra da Muralha, no atual município de Porto Velho (RO). Era provavelmente uma base de comércio entre os incas e as populações amazônicas. Pode ser confirmado também pelos vestígios de peças de metal encontrados ao longo da Amazônia: a população não dispunha de conhecimentos de praticas metalúrgicas.

As sociedades amazônicas também podem ser divididas em: de várzea e de terra firme. As populações de várzea aproveitam o ciclo anual das chuvas (época das cheias) para a prática de agricultura. Este ciclo natural tornava os solos férteis e propícios para o cultivo após o retroceder das águas, podendo assim fazer plantações. No momento das cheias, dedicavam-se a outras atividades. Foi desenvolvido pelas mesmas, o cultivo da castanha. Seu valor nutricional e a alta produtividade fizeram dessa planta uma das maiores fontes de alimentos da época. Não eram plantadas em linha reta, produziam a partir dos 30 anos e vivem cerca de 300 anos.

Ao chefiar uma expedição pelo Rio Amazonas, saindo do Maranhão em 1637, Pedro Teixeira assegura a coroa portuguesa, o domínio sobre dois terços do território amazônico. O Tratado de Madri, assinado posteriormente entre Portugal e Espanha, ao adotar o principio de uti possidets efetiva o direito lusitano sobre a região. A partir de então, as ordens religiosas, sobretudo jesuítas, mas também franciscanos, capuchinhos, mercedários e carmelitas, passaram a instalar missões religiosas na região. Os aldeamentos serviam, entre outros para a catequese e também dispunham de mão-de-obra na extração de drogas do sertão. A principal ordem religiosa, os jesuítas, abrangia toda margem direita do Rio Amazonas. Eram os religiosos os responsáveis pelos “descimentos” e pelos aldeamentos, onde se ensinava o oficio religioso e os trabalhos braçais esperados. Suas atividades se encerraram em 1757,

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