O Desenvolvimento Da Oralidade Em Salas De Aula Da EJA
Por: nega111 • 3/1/2026 • Monografia • 6.155 Palavras (25 Páginas) • 12 Visualizações
FACULDADE DO ESTADO DA BAHIA
ADILSON MODESTO DOS SANTOS
OTOMILTO RODRIGUES DE ANDRADE
ROZENILZA SILVA BURNO ALVES
TEREZINHA DE ANDRADE SOUZA
O USO DOS CONTOS POPULARES NO DESENVOLVIMENTO DA ORALIDADE EM SALAS DE AULA DA EJA
Jacobina
2014
ADILSON MODESTO DOS SANTOS
OTOMILTO RODRIGUES DE ANDRADE
ROZENILZA SILVA BURNO ALVES
TEREZINHA DE ANDRADE SOUZA
O USO DOS CONTOS POPULARES NO DESENVOLVIMENTO DA ORALIDADE EM SALAS DE AULA DA EJA
Trabalho de Conclusão de Curso, sob a forma de Monografia, apresentado à Faculdade do Estado da Bahia (UNEB), como requisito obrigatório para a conclusão do curso de Letras Vernáculas do programa PARFOR.
Orientador(a): Prof. dra. Márcia Rios
Jacobina
2014
O USO DOS CONTOS POPULARES NO DESENVOLVIMENTO DA ORALIDADE EM SALA DE AULA
ADILSON MODESTO DOS SANTOS¹
OTOMILTO RODRIGUES DE ANDRADE²
ROZENILZA SILVA BURNO ALVES³
TEREZINHA DE ANDRADE SOUZA
INTRODUÇÃO
Esse trabalho resulta de uma pesquisa bibliográfica que buscou estudar a importância do uso dos contos populares para o desenvolvimento da oralidade em sala de aula. Ele parte da inquietação de seus autores, todos professores da rede pública municipal de ensino há mais de dez anos, ao observar em alguns alunos de diversas turmas características semelhantes de silenciamento. A insegurança e a timidez fizeram destes pessoas apáticas, sem o brilho da juventude presente, características facilmente visíveis nas atitudes em sala de aula. Nas situações em que a leitura era necessária os alunos o faziam em voz quase inaudível, gaguejavam com o nervosismo que intercortava suas frases. Precisavam buscar o fôlego com mais frequência para obter o ar que lhes parecia faltar nos pulmões.
Constatamos então que, quando tratávamos de temas ligados à sua cultura, à sua região, ou pequenos diálogos de seus cotidianos esses alunos participavam melhor, se arriscavam em falas mais enfáticas por se sentirem mais à vontade. Munidos desta constatação, trabalhando a temática dos “contos populares”, pudemos perceber que grande parte já trazia construtos decorrentes da cultura local, frutos da oralidade no seio das famílias que, em sua maioria, possuía o hábito de socializar seus “causos” em eventos como mutirões, folguedos, velórios, casamentos etc, momentos estes que influíam positivamente na aprendizado escolar do aluno.
Vislumbramos, assim, a possibilidade de trabalho com os contos populares, textos narrativos de estrutura simples, criados pela imaginação popular, para o desenvolvimento da oralidade dos alunos. Para tanto, escolheu-se a Educação de Jovens e Adultos (EJA), pela justificativa de que os alunos desta modalidade já trazem uma carga riquíssima de saberes pelas experiências vividas.
Outro fator que influiu na escolha da EJA foi a sua eminente necessidade de revisão conceitual, metodológica e de conteúdos, visto que, por se tratar de um alunado majoritariamente constituído de estudantes que não tiveram a oportunidade de estudar no período adequado, seja pela falta de acesso ou necessidade de trabalho para o sustento de sua família e também visto sua enquanto modalidade de ensino, exige um sistema métodos que não desprezem seus conhecimentos tácitos.
[CITAÇÃO QUE JUSTIFIQUE AS AS AFIRMAÇÕES DE DECADÊNCIA DA EJA]
Estruturalmente, este trabalho está subdivido em três capítulos: no primeiro aborda-se os contos populares, destrincha-se sua origem, variações, classificação e a importância da arte da contação de histórias no desenvolvimento da humanidade; no segundo trata-se da oralidade e faz-se um recorte teórico de sua importância na educação, inclusive das concepções que trazem os documentos Oficiais a respeito; finalmente, no terceiro capítulo, aborda-se e propõe-se o uso dos contos populares para o desenvolvimento da oralidade em salas de aula da EJA.
Assim, pretende-se despertar o olhar de educadores acerca da importância do trabalho específico de oralidade utilizando os contos populares para tal.
CONTOS POPULARES: UM RECORTE HISTÓRICO
Desde o princípio de sua trajetória o homem se confronta com a necessidade de conhecer para sobreviver, explicar os fatos e fenômenos da natureza ou justificar o porquê de sua existência. Surge daí o conhecimento, resultado do acúmulo das experiências vividas.
Para o professor Carlos Rodrigues Brandão,
“A cultura é um conjunto de diversas, múltiplos maneiras de produzir sentido, uma infinidade de formas de ser, de viver, de pensar, de sentir, de falar, de produzir e expressar saberes, não existindo, por conta disso, uma só cultura, ou culturas mais ricas ou evoluídas que outras, tampouco, gente ou povos sem cultura” (René Marc, cultura popular e educação, p.15)
Tudo o que somos é porque temos contato com outros seres humanos, dentro de uma realidade específica, que se torna nossa verdade; mas que se desenvolve apenas na interação entre os indivíduos, e esta interação começa na família. O ser humano não nasce “ser social”, ele torna-se “ser social” em contato com outras pessoas.
[COMPLEMENTAR E FECAR A IDEIA DANDO ESPAÇO DE CONEXÃO COM A CULTURA POPULAR]
Historicamente, a cultura popular tradicional não é tida como conhecimento. A maneira folclorizada que ainda hoje é representada nas manifestações de nossa cultura popular na escola, seja pública ou privada, é um exemplo de preconceito que ainda persiste na instituição, uma herança eurocêntrica que influencia a maioria dos programas. Para a grande maioria, a cultura popular tem sido lembrada na escola somente na Semana do Folclore, dia da Consciência Negra, festas juninas, aniversário da cidade limitando-se a uma abordagem superficial de seus elementos não sendo um saber legal, valorizado.
...