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A Etologia

Por:   •  12/5/2013  •  6.469 Palavras (26 Páginas)  •  1.416 Visualizações

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Índice

Índice de Imagens…………………………………………………………………...…………2

1.Introdução………………………………………………………………………….…………3

2. Definição e objecto de estudo da Etologia…………………………………….…………4

3. Contributo das Teorias Maturacionista e Evolucionista para a Etologia………………5

3.1. A Teoria Evolucionista…………………………………………...………………5

3.2. A Teoria Maturacionista …………………………………………………………8

4. Fundadores da Etologia ………………………………………………………………….11

5. Proposta etológica…………………………………………………………………………14

5.1. Conceitos fundamentais da Etologia………………………………………….16

5.1.1 Cunhagem ou Imprinting e Vinculação……………………17

5.1.2. Padrões fixos de ação ou PFA……………………………………..18

5.2. Metodologia……………………………………………………………………...19

5.3. Repercussões da Etologia na psicologia……………………………………..21

6. Apreciação critica …………………………………………………………………………22

7. Conclusão…………………………………………………………………………………..24

Referências bibliográficas…………………………………………………………………...25

Índice das Imagens

Imagem 1 Charles Darwin…………………………………………………………………….6

Imagem 2 Evolucionismo Vs Criacionismo ………………………………………………...8

Imagem 3 Jean-Jacques Rousseau .......................................……………………………9

Imagem 4 O maturacionismo e os estádios da aprendizagem …………………………10

Imagem 5 Frisch, Lorenz e Tinbergem – Prémio Nobel

da Fisiologia e Medicina e 1973 ……………………………………………………………12

Imagem 6 Veiculação de patos às botas de Lorenz ……………………………………..17

Imagem 7 Padrão Fixo de Ação – recolocação do ovo no ninho…………….…………18

Imagem 8 Padrão Fixo de Ação – reflexo de agarrar o primeiro objecto tocado…..…19

1. Introdução

O presente trabalho aborda o tema da Etologia subordinada ao tema da perspectiva histórica da Psicologia. Apresenta-se uma definição de etologia e a delimitação do objecto de estudo da mesma. Para melhor compreendermos a etologia, consultámos literatura relativa às teorias que mais contribuíram para o estabelecimento da mesma e debruçámo-nos sobre os fundadores da etologia enquanto contribuidores essenciais para a etologia de ontem e de hoje. Procurámos explicitar qual a proposta da etologia explicitando qual o seu objetivo e como o pretende atingir. Para tal abordámos alguns conceitos fundamentais da etologia, explicitámos a metodologia aplicada pela etologia e como não poderíamos deixar de fazer, abordámos as repercussões da Etologia na Psicologia.

Desta forma explorámos a etologia de ontem e a de hoje, deixando até espaço para hipóteses acerca do futuro desta disciplina. Ao longo do percurso fomos percebendo que não interessa apenas conhecer os factos, mas interessa também o porquê e o como é que os etólogos e outros investigadores foram respondendo às questões que encontraram pela frente.

Apresentamos aqui um trabalho cujo tema é a Etologia mas temos consciência que esta não surgiu do nada e que também levantou muitas questões que por sua vez originaram outras perspectivas científicas.

2. Definição e objecto de estudo da Etologia

A disciplina Etologia deve o seu nome à junção dos termos gregos êthos que significa conduta, costumes e/ou comportamento, e logos que significa estudo. No seu sentido mais amplo, a etologia consiste no estudo biológico do comportamento. O termo etologia foi cunhado pelo zoólogo francês Isidore Geoffroy Saint-Hilaire (1805-1861) em 1951 e remetia para o estudo dos comportamentos dos animais nas condições do meio natural. A definição coincide com o que Haeckel, biólogo do século XIX, apelidava de ecologia. Para Lorenz (s.d.,: 111) "Pode-se definir a etologia como a aplicação, ao estudo do comportamento, de tudo o que foi obtido pela investigação biológica desde Darwin…", e para Hinde (1959:14) “…a etologia deve começar por descrever e classificar o comportamento. Nisto consiste grande parte do trabalho preliminar em etologia, pois constitui uma primeira etapa essencial antes que seja possível empreender a análise". Na abordagem etológica a ênfase é colocada nas bases evolucionistas do comportamento e não na aprendizagem do comportamento, como o era no caso dos comportamentalistas.

Inicialmente, a etologia apresentava-se como uma ciência que se dedicava ao estudo da motivação do comportamento animal, principalmente, do comportamento instintivo e inato, para só mais tarde, abranger também o comportamento humano.

Um dos princípios fundamentais da etologia é a concepção de que o comportamento é proveito e utensílio do processo de evolução através da selecção natural, isto leva ao propósito de que o comportamento afecta o sucesso reprodutivo, permitindo a sobrevivência da espécie. A ideia do processo de evolução e de selecção natural teve forte influência da teoria Darwinista que contradiz a tradição antiga de que as espécies são eternas e imutáveis.

Importante é também recordar que a etologia perspetiva o comportamento como biologicamente determinado, tanto na dimensão filogenética da espécie, quanto ontogeneticamente para o indivíduo. Este consiste num ponto extremamente sensível já que as ideias da evolução da espécie, da selecção natural, da sobrevivência do mais forte, que estão na base do desenvolvimento da biologia, facilmente são interpretadas como ideologias reaccionárias como o darwinismo social, que defendia

que as sociedades humanas acompanhavam as mesmas leis da evolução natural.

Nesta perspectiva, a etologia pode ser encarada como sendo mesmo perigosa. No entanto, os próprios etólogos têm consciência da situação e Hãdecke citado na obra de Eibl-Eibesfeldt (1972) advertiu mesmo que os etólogos devem defender-se contra a utilização ideológica de conceitos etológicos, já que se não o fizessem o antigo princípio de seres humanos dominadores e dominados poderia ressurgir a qualquer momento na história da Humanidade.

3. Contributo das Teorias Maturacionista e Evolucionista para a Etologia

Várias foram as teorias que contribuíram para o estabelecimento da Etologia enquanto disciplina com o seu próprio objecto de estudo, a sua metodologia, o seu objectivo e as suas conclusões. No entanto, a literatura tende a destacar tanto a Teoria da Evolução, de Charles Darwin, como a Teoria Maturacionista, de Jean-Jacques Rousseau, como as maiores contribuições para a etologia.

3.1. A Teoria Evolucionista

Charles Darwin nasceu em Shrewsbury, a 12 de fevereiro de 1809 e faleceu em Downe, a 19 de Abril de 1882. Darwin formulou um mecanismo que procurava explicar a evolução dos seres vivos. Tal como outros antes dele, acreditava que os animais (incluindo os homens) e as plantas da época descendiam de formas anteriores (Psicologia: 2011). Um dos aspectos em que Darwin se baseou foi a existência de fósseis que mostravam a transformação gradual das formas extintas há muito tempo para as existentes na sua época. Darwin procurou saber o que teria causado tais alterações evolutivas. Constatou que em cada espécie havia variações entre os indivíduos e que essas variações eram importantes para a sobrevivência e a reprodução. Para Darwin, o animal conseguia vencer na luta pela existência e mais tarde deixar descendência. Tome-se o exemplo de um cavalo mais rápido que outro: a sua rapidez pode ajudá-lo a fugir dos predadores e em consequência ter mais hipóteses de sobreviver e ter descendência. Note-se que a rapidez não garante a subsistência do animal, apenas a torna mais provável. O que Darwin também

percebeu é que que a evolução não significava que o ser seria melhor que o seu antecessor mas apenas que estaria mais adequado ao ambiente, que também ele

mudava continuamente. A selecção natural entender-se-ia então como a sobrevivência dos mais aptos num determinado ambiente. No entanto, a evolução não dependia somente da sobrevivência individual, era também necessário ter sucesso reprodutivo, i.e., ter descendência que passasse os genes à geração seguinte. O cavalo, previamente mencionado, apenas teria sucesso se sobrevivesse e tivesse descendência. Desta forma, Darwin afirmava que a sobrevivência individual era um pré-requisito da sobrevivência genética.

Imagem 1: Charles Darwin

Nesta perspectiva vemos que o que era importante era que a aptidão era determinada por todas as características que aumentavam o sucesso reprodutivo: fosse as belíssimas penas da cauda do pavão que atrai as fêmeas ou as características de determinados gansos (estatura, força, agressividade, entre outras) que também atraem as fêmeas. Neste sentido, qualquer que fosse a característica de um dado atributo, a sua contribuição para a aptidão do animal seria o valor que aumentava o seu sucesso reprodutivo.

Darwin chamou a atenção para o facto de que a seleção natural não era consequência apenas de algumas características mas também de alguns comportamentos e que determinados comportamentos seriam característicos das

espécies e dependiam dos genes. Se esses genes fossem muito ou pouco frequentes dependia do chamado valor adaptativo – que origina a sobrevivência e a consequente

reprodução – dos comportamentos a que dão origem. Assim, de acordo com a teoria evolucionista, tem maior possibilidade de sobreviver e de ter descendentes, aquele que herde o(s) gene(s) responsáveis pela predisposição do comportamento e sabendo que o comportamento pode mudar em consequência da selecção natural, a questão seria: que tipo de predisposições inatas se poderiam esperar no homem? Para a teoria evolucionista, a sobrevivência é dos mais aptos, sendo que mais aptos apenas significa ter maior possibilidade de ter descendência viável. Há que ter em conta que esta teoria nada diz sobre ser-se solitário ou egoísta como a visão dos adeptos da teoria de Hobbes, que pensavam que as pessoas eram animais egoístas por pura necessidade e seres solitários e que apenas acasalavam e tinham vida social para satisfazer motivos egoístas como a luxúria e a fome. Pelo contrário, Darwin acreditava que certos instintos sociais aumentariam a sobrevivência e a reprodução e que estes seriam realçados pela seleção natural. É precisamente aqui que se vê na teoria evolucionista um precursor da etologia, já que a maior parte dos estudos que defendem a visão do comportamento social foi mais tarde desenvolvida no campo da Etologia.

Darwin convenceu uma parte da comunidade científica da ocorrência da evolução e propôs uma teoria que explicava como é que essa evolução dos seres se dá por meio da seleção natural e sexual. Darwin observou longamente a natureza e todos os seres que encontrou, estudando especificamente a diversificação das espécies, o que o levou a presentar a apelidada Teoria da Seção Natural, em 1938. Consciente de que o contexto social, religioso e político não era propício às suas ideias, Darwin só publicou a sua teoria, juntamente com a de Alfred Russel Wallace que se assemelhava em alguns pontos à sua, em 1859. Na verdade já outras teorias semelhantes como a de Jean-Baptiste Lamarck tinham sido rejeitadas pela comunidade científica britânica e associadas à noção de radicalismo político.

Na obra A Origem das Espécies (1859), do original, em inglês, On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life), Darwin apresentou a ideia de evolução a partir de um ancestral comum, por meio de seleção natural. Esta tornou-se a explicação científica dominante

para a diversidade de espécies na natureza. Darwin foi admitido na Royal Society e continuou as suas pesquisas escrevendo todo um conjunto de obras sobre plantas, animais e a espécie humana.

Embora Darwin fosse compreendido e aceite por alguns dos seus congéneres, outros houve que não aceitaram a sua teoria evolucionista e ele estava convencido de que a ideia da transmutação de espécies era considerada uma blasfémia. De forma a encontrar respostas para os contra-argumentos que pudessem surgir contra a sua teoria, fez bastante pesquisa de campo, trabalhando lada a lado com animais e seus criadores.

Imagem 2: Evolucionismo Vs Criacionismo

3.2. A Teoria Maturacionista

O Maturacionismo consiste numa filosofia educacional da infância que teve como um dos seus primeiros defensores Arnold Lucius Gesell (21 junho 1880 - 29 maio 1961), que afirmou que a maturação, i.e. o conjunto de processos neuro-psicológicos que a criança atravessa para adquirir a aprendizagem, deriva dos genes e da biologia que determinam os traços do comportamento e as tendências do desenvolvimento, e que os factores ambientais, como os professores ou os pais, pouco podem fazer para alterar o seu progresso, particularmente no que diz respeito à aquisição da linguagem.

Jean Jacques Rousseau (28 de junho 1712 - 2 de julho 1778) foi um filósofo franco-suíço que ficou mundialmente conhecido pelo seu trabalho em diversas áreas e que desenvolveu estudos aprofundados na área da teoria maturacionista.

Imagem 3: Jean-Jacques Rouseau

Tal como referido anteriormente, esta teoria tinha como base a ideia que a maturação era geneticamente determinada e que cada indivíduo se desenvolvia naturalmente à medida que crescia. Na perspectiva maturacionista as crianças nasciam com o seu próprio destino genético. Para Gesell o desenvolvimento de cada criança era um processo com diversos estádios que seguia um percurso já mapeado pela natureza. Imaginemos, por exemplo a seguinte situação: uma professora explica determinada matéria mas nenhuma criança presente na sala compreende o que está a ser transmitido pela professora. Perante tal situação, poderíamos colocar as seguintes questões: Será que as crianças já conseguem, com esta idade, neste preciso momento de maturação, compreender o que a professora explica? Será que as crianças compreenderiam melhor se fossem mais velhas? Será que elas compreenderiam melhor se praticassem mais vezes o exercício que a professora está a explicar? Segundo Gesell e Rousseau, se nos baseássemos na teoria maturacionista, responderíamos positivamente à segunda questão, ou seja, independentemente da prática a criança com o passar da idade compreenderia automaticamente melhor aquele exercício já que só quando atingisse um determinado estádio de desenvolvimento é que conseguiria alcançar determinadas tarefas cognitivas. O maturacionismo está assim associado ao conceito de estádios de

desenvolvimento; em diferentes estádios de desenvolvimento, a criança estará apta a adquirir determinados conhecimentos.

Imagem 4: O maturacionismo e os estádios da aprendizagem

Desta forma, a esta teoria explica que os comportamentos e as capacidades se desenvolvem à medida que a criança cresce e que a maioria do que a criança acaba por ser já está decidido à sua nascença.

O maturacionismo consiste então numa filosofia educacional que vê a criança como

um organismo em crescimento, e que acredita que o papel da educação é de apoiar passivamente esse crescimento em vez de activamente preencher a criança com informação.

Para além de Gesell e Rousseau, os nomes mais importantes do maturacionismo são G. E Ames e Andrew Ladenheim.

4. Fundadores da Etologia

Na verdade, os estudos iniciais sobre o comportamento tiveram origem na zoologia, com três naturalistas do início do século XX: Julian Huxley (Grã Bretanha), OscarHeinroth (Alemanha) e Charles Whitman (Estados-Unidos). Estes investigadores debruçaram-se sobre o comportamento, as atitudes e os movimentos dos vertebrados chegando à conclusão que estes eram próprios de cada espécie e variavam de espécie para espécie chegando mesmo a servirem de indicadores taxonómicos. Foi assim que uma das características fundamentais da etologia se afirmou: o comportamento é tão específico da história evolutiva da espécie como os indicadores morfológicos. O comportamento estaria assim inscrito no genótipo e seria actualizado por cada membro da espécie. Tal pensamento enquadra-se perfeitamente no apresentado por Darwin na Obra On the Origin of Species (1859) e o estatuto de Darwin pode mesmo ser considerado o de precursor direto da visão biológica do comportamento com base na sua obra The expression of emotions in man and animals (1872) no sentido em que aponta para o estudo do comportamento de uma perspectiva biológica e evolucionária.

No entanto, é contra o estudo artificial do comportamento em laboratório efectivado pelo behaviorismo clássico, que a etologia se erige organizada a partir da

década de trinta do século XX. Tal acontece através das obras de três estudiosos do comportamento animal no seu habitat natural que começaram a estudar os padrões de comportamento inato ou instintivo, fazendo-o maioritariamente no ambiente natural de cada espécie. Este grupo de cientistas era formado por Konrad Lorenz, Nikolaas Tinbergem e Karl vonFrisch, que em 1973 receberam o Prémio Nobel da Fisiologia e

Medicina, concedendo à etologia o reconhecimento de disciplina científica por que esta tanto esperava.

Imagem 5: Frisch, Lorenz e Tinbergem – Prémio Nobel da Fisiologia e Medicina em 1973

Konrad Lorenz, considerado o pai da etologia como ciência, foi de facto o fundador da etologia comparativa recorrendo de forma sistemática a princípios teóricos e metodológicos. Lorenz nasceu na cidade de Viena (Áustria) a 7 de Novembro de 1903 e faleceu a 27 de Fevereiro de 1989 nessa mesma cidade. Desde pequeno demostrou bastante interesse pelos animais, chegando a ter cães, gatos, coelhos, peixes, pássaros e até macacos. Ainda Jovem fez voluntariado num jardim zoológico próximo de sua casa onde fornecia cuidados de enfermagem a animais doentes.

O seu pai era cirurgião e isso acabou por motivá-lo a iniciar o curso de medicina em Nova Iorque no ano de 1922, contudo foi na universidade da sua cidade que acabou o curso e concluiu o doutoramento em Zoologia. Dedicou-se ainda a diversas áreas como a psicologia comparada e a fisiologia. Ainda durante os seus estudos, Lorenz desenvolveu um diário de observação detalhada do comportamento de uma ave, que em 1927 veio a ser publicado no prestigiado Journal für Ornithologie. Orientado por Hienroth, no ano de 1935, trabalhou com ganços e patos efetuando preciosas observações que o levou a conclusões importantes para os trabalhos que viria a desenvolver mais tarde.

Em 1939, Lorenz fundou a famosa escola etológica do comportamento animal com Nikollas Tinbergen. Entre 1955 a 1973 dirigiu o Instituto Max Planck, instituto especializado em Fisiologia do Comportamento situado em Seewiesen e também o Departamento de Sociologia Animal do Instituto de Investigação do Comportamento de Viena. O cientista era um acérrimo defensor do meio ambiente e dirigente do movimento ecológico; era um apreciador da natureza e dava-lhe a devida importância.

Lorenz realizou diversos estudos e investigações fazendo varias descobertas sobre a organização e respostas do comportamento instintivo, tanto do ponto de vista individual como social. A sua obra é especialmente conhecida pelos estudos sobre a vida sexual e familiar do ganso cinzento e as suas teses baseadas no estudo comparado do comportamento intelectual e instintivo do ser humano são mundialmente aceitas.

No final da sua carreira, Lorenz aplicou as suas ideias ao comportamento dos humanos enquanto membros de uma espécie social. A valorização da hereditariedade, em detrimento da aprendizagem, intensamente presente na obra de Lorenz; o chamado inatismo, ou o carácter pré-programado dos comportamentos foi fortemente criticado pelos seus contemporâneos que levantaram a sua voz contra um determinismo biológico dificilmente aceitável em relação aos comportamentos humanos. Na sua obra, On Aggresion (1963), Lorenz defende mesmo que o comportamento lutador do ser humano tem uma base inata e que pode ser ritualizado em padrões de comportamento social úteis. Por outras palavras, Lorenz considerava que os problemas da civilização moderna eram o resultado das limitações de pensamento e inteligência apresentadas pelos seres humanos durante os estudos que efectuou.

Nikolaas Tinbergen nasceu dia 15 de abril de 1907 em Haia e faleceu dia 21 de dezembro, com 81 anos em Oxford. Tinbergen formou-se na Universidade de Leiden onde leccionou até 1949. Seguidamente continuou com a mesma ocupação na Universidade de Oxford até ao ano de 1974, onde criou um departamento de pesquisa do comportamento animal. Tinbergen é especialmente reconhecido pelas suas observações a longo prazo de gaivotas, o que levou a generalizações importantes sobre o namoro e o comportamento de acasalamento.

Para além da etologia, investigou outras áreas acabando por se dedicar ao estudo do autismo em crianças a partir da década de 1970. Foi também a partir das propostas de Tinbergen (1963), sobre os factores próximos e distantes que condicionam o comportamento animal, que o observação do animal no seu habitat, a

sua história evolutiva e adaptativa e o causa dos comportamentos se tornaram características essenciais da etologia.

Karl Von Frisch (1849-1917) dedicou-se ao estudo das percepções sensoriais das abelhas cunhando as expressões round dance e waggle dance, nome que deu aos movimentos que as abelhas efetuam no sentido de informar as restantes abelhas da colmeia acerca da direção e da distância a que se encontram os conjuntos de flores a alcançar. Frisch investigou exaustivamente o comportamento das abelhas em colmeia chegando, entre outras conclusões, à ideia de que as mesmas possuem um relógio biológico interno que lhes permite estar no momento certo ao alcance de uma flor que apresentará mais pólen a determinada hora, flor esta onde já estiveram anteriormente. Frisch demonstrou também que as abelhas utilizam o sol para a sua orientação geográfica.

Em 1970, o etólogo John H. Crook publicou um trabalho quase visionário onde distinguia a etologia comparativa da etologia social, afirmando que até ao momento apenas a primeira existia, já que se olhava para os animais de forma isolada enquanto que no futuro seria necessária uma concentração de estudos sobre o comportamento dos grupos sociais e da estrutura social dentro desses grupos. A obra de E. O. Wilson "Sociobiology" (1975) e desde esse momento, o estudo comportamental tem estado mais concentrado nos aspectos sociais. O estudo científico e moderno do comportamento oferece hoje um vasto leque de abordagens.

5. Proposta etológica

A etologia pretende descrever, classificar e analisar o comportamento no sentido de encontrar, pelo menos, quatro tipos de explicações em relação a esse comportamento:

causal, funcional, histórica, e evolucional. Para Tinbergen (1963) as duas primeiras são apelidadas de próximas e as duas seguintes de distantes. Apesar de cada

explicação exigir investigação diferenciada, em conjunto contribuem para explicar o comportamento de forma completa.

No que diz respeito à explicação causal, Tinbergen (1951) afirma que o problema da estrutura causal subjacente ao comportamento leva ao estudo das funções dos órgãos sensoriais, dos hormônios, do sistema nervoso, dos músculos e, sobretudo, da coordenação entre estas funções e a sua integração até formar o comportamento como um todo. Desta forma, é necessário identificar os mecanismos fisiológicos e cognitivos subjacentes ao comportamento. Por outras palavras, pode colocar-se a questão “O que faz com que um determinado comportamento aconteça?”.

Em relação à explicação funcional, é aquela que faz referência "à natureza da pressão de selecção à qual a espécie animal esteve submetida para que os indivíduos se comportem como o fazem" (Hinde, 1959, p. 9). Neste caso é necessário investigar os efeitos do comportamento na sobrevivência da espécie em causa e na sua reprodução – ou seja na perpetuação dos genes. Por outras palavras, pode colocar-se a questão “como é que este comportamento contribui para o sucesso genético do ser?.

A explicação histórica – filogenética - visa compreender filogeneticamente a origem e a evolução do comportamento em questão. Assim, coloca-se a pergunta “Como é que esse comportamento evoluiu desde a sua forma ancestral até à presente?”. Neste caso apresentasse como imperativo a colocação de hipóteses acerca de comportamentos anteriores em espécies antepassadas para reconstruir a sequência de acontecimentos desde o comportamento original até ao presente.

Na explicação evolucional – ontogenética -, compreende-se ontogeneticamente a evolução do comportamento. Inclui-se nesta situação, a investigação dos mecanismos de desenvolvimento que originaram a ocorrência do comportamento, devendo compreender-se como é que os mecanismos sensoriais e motores que produzem o comportamento são moldados à medida que o ser cresce. Neste caso a questão seria: “Como é que esse comportamento evoluiu à medida que o ser vai crescendo/envelhecendo?”.

As referidas explicações originam por sua vez quatro categorias de classificação com as mesmas denominações: causal, funcional, histórica e evolucional.

Os métodos utilizados para classificar os comportamentos como pertencentes a determinado grupo respeitam regras bem definidas. Para provar que determinados comportamentos partilham factores causais existem dois métodos: o primeiro consiste em administrar o fator considerado como causa e verificar o aumento dos comportamentos e o segundo consiste em verificar se surgem simultaneamente. Quanto à classificação funcional, é impreterível distinguir entre a pesquisa relativa à evolução de um comportamento e a pesquisa sobre o comportamento em si. No primeiro caso, para se considerar que um comportamento tem uma determinada função tem de se comprovar que este se mantem na espécie por selecção (tem de existir uma relação entre função e selecção. Um exemplo dado por Hinde (1959) a cópula é uma função relacionada com a reprodução. No segundo caso, estuda-se a função em si. Quanto à classificação histórica, agrupam-se os comportamentos segundo o método da sua origem histórica que se pensa ser comum. Na classificação evolucional – ontogénica, agrupam-se os comportamentos segundo o método da aquisição isto é em função das mudanças que tenham surgido nesse comportamento.

5.1. Conceitos fundamentais da Etologia

A Etologia utilizou ou desenvolveu alguns conceitos sem os quais seria impossível a sua definição e explicitação. Desses conceitos fazem parte vocábulos tão específicos como o comportamento, a evolução, os genes, os estímulos, o meio natural, a observação, entre muitos outros. Outros, mais complexos foram conceitos cunhados pelos etólogos ao longo dos tempos ou conceitos já existentes em outras áreas do saber mas adaptados à etologia. Destes últimos destacamos dois – a cunhagem ou imprinting e os Padrões Fixos de Ação (PFA).

5.1.1 Cunhagem ou Imprinting e Vinculação

O fenómeno de Cunhagem também apelidado de imprinting foi extensivamente estudado nas aves por Konrad Lorenz (Psicologia:2011). A cunhagem é um tipo de aprendizagem que ocorre logo no início da vida e que fornece as bases para a vinculação das crias à mãe. Normalmente este processo ocorre nos primeiros dias de vida, como no caso dos patos. Habitualmente na natureza, o primeiro estímulo que as pequenas crias vêem é a mãe ficando por esse motivo vinculados a ela, mas pode ocorrer, por exposição acidental como através de manipulação laboratorial, que se dê uma vinculação a qualquer outro objecto que seja exposto no período de ocorrência deste fenómeno. A cunhagem dá-se normalmente num período que foi denominado durante bastante tempo de período crítico passando mais tarde a ser chamado de período sensível, depois deste período é bastante complicado que este processo ocorra. Através de diversas experiências com patos, Lorenz verificou que era possível estes vincularem-se a um pequeno pedaço de maneira com rodas (parecido com a imagem de um pato) ou até mesmo às suas botas. Notou também que estes patos ficavam angustiados, chamando ansiosamente quando essa figura lhes era retirada.

A nível da psicologia, é bastante questionado se os bebés também terão este período sensível ou se, como alguns cientistas afirmam, a vinculação ocorre nos bebés quando as circunstâncias o permitem.

Imagem 6: Veiculação de patos às botas de Lorenz

5.1.2. Padrões fixos de ação ou PFA

Foram Konrad Lorenz e o seu professor Heinroth (Psicologia:2011) que concluíram que vários tipos de comportamento sociais tinham por base padrões fixos de ação geneticamente programados que eram desencadeados por estímulos-sinais geneticamente reconhecidos. O padrão fixo de acção consiste num conjunto de comportamentos comuns a todos os membros de uma espécie, determinados pela interacção de informação genética com estímulos ambientais específicos, i.e., sequências comportamentais codificadas fisiologicamente e intrinsecamente. Os estímulos que desencadeiam estes comportamentos, apesar de bastante específicos são também bastante simples. Este conjunto de comportamentos, uma vez iniciado, continua mesmo que o ambiente envolvente seja alterado, no entanto evolui de modo a aumentar as hipóteses de sobrevivência do ser.

Estes PFA foram comparados entre diferentes espécies e as semelhanças e diferenças entre o comportamento comparado e as diferenças e as semelhanças na morfologia permitiu alcançar-se uma classificação taxonómica.

Um exemplo de padrão fixo de acção que todos conhecemos é a atitude do passarinho de voltar a colocar os ovos no ninho quando estes escorregam ou ainda o pedido de alimento das gaivotas prateadas recém-nascidas que, segundo uma experiência de Tinbergen, antes de alguma vez terem visto o bico dos pais (que é longo, amarelo e com uma pinta vermelha) escolheram entre vários modelos por ele preparado, o modelo em cartolina que mais se assemelha ao bico verdadeiro.

Imagem 7: Padrão Fixo de Ação – recolocação do ovo no ninho

O ser humano também tem vários movimentos instintivos, que se manifestam geralmente no momento pós-natal imediato. São denominados de reflexos comportamentais. Um destes reflexos é o reflexo de pressão das mãos do recém-nascido, que se agarra fortemente ao objeto em que tocar imediatamente após o seu

nascimento. Na Imagem que se segue vê-se um recém-nascido cujo reflexo comportamental consiste em agarrar o primeiro objecto que as suas mãos tocam e que neste caso é um arame. Estas experiências mostraram que os recém-nascidos reagem com maior força ao contacto dos cabelos e pêlos. Esse padrão fixo de ação surgiu evolutivamente nos primatas, para fazer com que o filhote se agarrasse ao pelo da mãe e não caísse durante movimentos fortes. Colocado sobre um fio esticado, o recém-nascido agarra-se fortemente com as mãos e os pés, ficando suspenso sem a ajuda de um adulto.

Imagem 8: Padrão Fixo de Ação – reflexo de agarrar o primeiro objecto tocado

O padrão fixo de acção pode ser também denominado de comportamento estereotipado e inato ou ainda de ato motor instintivo.

5.2. Metodologia

Os etólogos advogaram desde o início principalmente um método de estudo: a observação naturalista. Na etologia dá-se grande importância à abordagem indutiva em que se começa por se observar e descrever o que animais fazem, para de seguida se perguntar: Porque é que os animais agem desta forma? Na verdade o que se deseja saber é como é que os comportamentos específicos destes animais originaram

uma reprodução diferenciada. Desde o seu nascimento, nos anos 30 do século XX, que a abordagem etológica defende uma observação dos organismos em liberdade total e direta dos animais no seu habitat. Esta metodologia revelou claramente um afastamento dos restantes investigadores do comportamento e especialmente dos behavioristas que observavam o comportamental animal predominantemente em laboratórios. Segundo Miller (2001) esta observação naturalista da etologia consistem num dos seus maiores contributos para a psicologia.

Os etólogos seguem um conjunto pré-estabelecido de passos quando estudam um organismo:

1- Etograma - descrição detalhada do comportamento de uma espécie no seu

ambiente natural;

2- Classificação – classificação dos comportamentos de acordo com a sua função (como é que eles promovem a sobrevivência);

3- Comparação - compara como são as funções comportamentais em diferentes espécies e como é que comportamentos diferentes podem ter a mesma função noutras espécies;

4- Experiencias laboratoriais - determinam as causam imediatas do comportamento descrito nos primeiros três passos anteriores.

Note-se que os quatro passos referidos vão ao encontro das quatro questões a que Tinbergen (1963) considera que todos os estudos do comportamento devem responder para serem considerados válidos e os quais já explicitámos no ponto 5 do presente trabalho – Proposta Etológica - e que se resumem da seguinte forma: Função (adaptação), Filogenia (evolução), Causa (mecanismo) e Desenvolvimento (ontogenia)

Passado quase um século, as diferenças tornaram-se ténues e quase todos os métodos têm o seu espaço na disciplina: estudos experimentais, estudos baseados na observação natural ou seminatural, o método comparativo, métodos quantitativos e até

a introspecção quando se trata de aceder à subjetividade humana (Bussab:1994). O facto de a etologia ter estabelecido relações construtivas com várias disciplinas como a sociologia, a antropologia, a política, (etc.), exige metodologicamente uma maior variedade. Na verdade com um objecto de estudo e um campo de trabalho tão vasto como o comportamento de todos os animais em seus habitats naturais seria impensável recorrer a um reduzido leque de métodos. A obra de Eibl-Ebesfeldt,

Humanethology, de 1989, com cerca de mil páginas, consiste num registo de inúmeros estudos sobre o comportamento humano, sendo um excelente exemplo da capacidade de aceitação de métodos variados.

5.3. Repercussões da Etologia na psicologia

Há em psicologia uma imensidão de teorias que tentam explicar o comportamento do ser humano. Por este motivo, para explicar a forma como uma pessoa ou até mesmo um animal se comporta, um psicólogo tem que se basear em factores causais e históricos. A etologia utiliza a teoria de evolução como pressuposto teórico para a compreensão das causas do comportamento.

A etologia tem contribuído para a recuperação da noção do homem como um ser biopsicossocial, abandonando a visão que dominou as ciências por um imenso período de tempo, que afastava o homem da natureza chegando mesmo a o opor à natureza.

Esta ciência veio também contribuir de forma bastante importante para o estudo das interacções pais-bebé tanto a nível conceptual como a nível metodológico Tanto Lorenz (1981) como Timbergen (1951) e Harlow (1966) investigaram bastante este assunto. Estas contribuições são visíveis em conceitos como o período crítico, agora denominado período sensível, e padrão fixo de acção que vieram a ter precursões muito significativas na psicologia do desenvolvimento e até na área clinica. Por exemplo, a noção de fase critica está na base de estudos importantes e bastante conhecidos de Klaus e Kennel (1982), que demostram a importância do contacto entre a mãe e o recém-nascido para a vinculação posterior entre os dois, estudos esses que

levaram a mudanças nas práticas hospitalares. As investigações nesta área etológica têm-nos transmitido muito acerca do apego, da imitação e da interacção entre crianças. O estudo da sexualidade também teve um avanço significativo a partir de estudos etológicos entre casais de diversas espécies (investigações comparativas), como por exemplo os estudos de Lorenz sobre o acasalamento dos patos. Evidências empíricas indicam que, o comportamento e a motivação sexual é diferente entre homens e mulheres, e que o grau de envolvimento nem sempre é o mesmo, o que influencia a intensidade e/ou qualidade dos atributos mais valorizados no outro. A teoria de evolução, que é a base teórica da etologia, amplia-nos a compreensão das causas do comportamento pois ajuda-nos a compreender os factores externos que podem modificar o comportamento e descobrir explicações que podem vir a ser a base de leis gerais.

6. Apreciação crítica

Como todas as perspectivas sobre o comportamento humano, a etologia não escapou às críticas. Entre as críticas que podemos entender como positivas, no sentido em que de alguma forma consideram que a etologia contribuiu para o entendimento do comportamento animal e nomeadamente do comportamento humano, estão: a importância dada aos aspectos biológicos do comportamento, ou seja a importância da genética para o comportamento e aos aspectos evolucionistas das espécies no sentido de melhor se adaptarem ao meio ambiente que também não é imutável. A observação direta (naturalista) e sistemática de comportamentos interactivos (nomeadamente nas relações pais-criança) foi também extremamente importante para compreender as vantagens da observação direta per se. O estudo dos comportamentos no ambiente natural de cada espécie, i.e., o estudo dos comportamentos no espaço natural em que eles normalmente ocorrem foi também um dos marcos desta perspectiva que viria a alterar a visão de muitos cientistas em relação à metodologia por eles utilizada.

Note-se que do ponto de vista conceitual, a etologia também forneceu conceitos como os da fase crítica e o do padrão fixo de ação, que mais tarde seriam extremamente importantes na psicologia do desenvolvimento ena psicologia clínica.

Quanto às críticas que levantaram dúvidas e às quais os etólogos responderam ou continuam a responder, estão, por exemplo, o facto de a etologia ter sido inicialmente demasiado radical por não conceder qualquer importância à aprendizagem de comportamentos, considerando os mesmos inatos, mapeados nos genes do ser. Também o facto de muitas contribuições não terem sido suficientemente explanadas deixa muito a desejar, por exemplo o facto de se afirmar que um determinado comportamento é adquirido porque um criança se encontra neste ou naquele período não explica realmente o porquê da aquisição desse mesmo comportamento. A própria generalização ao ser humano, de algumas constatações obtidas nos estudos efectuados em animais sem verificação das mesmas criou falta de credibilidade de algumas conclusões. Alguns estudos etológicos também têm sido criticados por atribuir ao processo evolutivo elementos da cognição humana que na verdade podem ser atribuídos a processos sociais (por exemplo, a preferência por determinadas características físicas nos parceiros). Também o facto de a etologia procurar padrões de comportamentos normais e comuns a todos os seres humanos limita frequentemente a observação às populações ditas normais, em detrimento dos estudos psicopatológicos.

Note-se que com o passar dos tempos, a etologia e as disciplinas que dela derivaram compreenderam muitas das críticas que acabámos de referir e de que era alvo a etologia inicial e foi nesse sentido que se foram corrigindo alguns erros do passado e colmatando lacunas como o caso da falta de estudos etológicos sobre as situações psicopatológicas, já que hoje em dia existem disciplinas que se dedicam especificamente aos grupos/indivíduos com psicopatologias.

7. Conclusão

A etologia consiste nos nossos dias numa disciplina científica reconhecida e existe numerosa literatura e grupos de estudos que de dedicam especificamente à etologia. Entre a literatura periódica sobre o assunto destacam-se a revista Ethology Journal e a revista electrónica The Human Ethology Bulletin. Em 1972, foi criada a International Society for Human Ethology – Sociedade Internacional para a Etologia Humana. Atualmente, juntamente com os etólogos, os zoólogos, os primatólogos, os antropólogos, os veterinários e os médicos, entre muitos outros, estudam a etologia e campos relacionados como a psicologia animal, os grupos sociais de animais, e a cognição animal entre outros. Alguns começaram já a estudar comportamentos animais atípicos (desordem do comportamento).

Tal como referimos no Ponto 4, a etologia inicial olhava para os animais de forma isolada mas o desenvolvimento da perspéctica etológica mostrou uma maior concentração de estudos sobre o comportamento dos grupos sociais e da estrutura social dentro desses grupos. Na verdade, a etologia moderna está longe dos seus precursores a todos os níveis: está cada vez mais preocupada com os aspectos sociais do comportamento tais como o altruísmo e a cooperação. Houve também uma reaproximação com a psicologia comparativa e consequentemente o estudo científico e moderno do comportamento oferece um espectro alargado de abordagens.

Ao longo deste breve percurso que nos trouxe até estas últimas linhas, não deixámos de reparar que para além de aprendermos algo mais, outras dúvidas, não só sobre a etologia e nem só sobre a psicologia se levantaram: umas mais frugais, outras mais intensas mas todas caminhando para respostas que nunca antes do presente trabalho pensámos serem possíveis. Voltámos assim ao início, a Etologia é um ponto no longo percurso da História da Psicologia, onde ainda muito há por desvendar.

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