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ANÁLISE PSICOLÓGICA DO FILME - PRECISAMOS FALAR SOBRE KEVIN

Por:   •  15/11/2017  •  Resenha  •  2.202 Palavras (9 Páginas)  •  2.367 Visualizações

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FERNANDO HENRIQUE DE SOUSA                                              9 TERMO B

PRECISAMOS FALAR SOBRE KEVIN

            O filme retrata a história de Kevin de uma criança desamparada emocionalmente por seus pais desde a mais tenra infância e que apresenta tendências antissociais desde cedo. Kevin não consegue estabelecer um vínculo afetivo com a mãe e possui um pai que parece ter dificuldades em estabelecer limites, além de ser omisso em algumas situações às suas necessidades. Kevin se torna um adolescente com comportamentos transgressores, cometendo um delito que marca a vida de sua mãe, Eva, em todos os âmbitos de sua vida, por matar sua família e colegas e funcionários da escola que estudava. Os tipos de violências presentes na história de Kevin, acarretaram no que o garoto se tornou.

            Kevin apresenta algumas características do transtorno de conduta com início na infância, devido a seu comportamento incomum na infância. O transtorno de conduta é definido pelo DSM-IV como um padrão repetitivo e persistente de comportamentos, no qual os direitos básicos dos outros ou normas ou regras sociais importantes e apropriadas à idade são desrespeitadas.            As características apresentadas por este transtorno Trindade (2004) destacam:

  • Pouca preocupação com o sentimento, desejo e bem-estar alheios,
  • Ausência ou prejuízo de sentimento de culpa,
  • Remorso inautêntico,
  • Responsabilidade de outras pessoas pelos seus atos,
  • Fraca tolerância à frustração,
  • Acesso de raiva e irritabilidade,
  • Imprudência
  • Pouca empatia

            Para Sarti (2004) A família desempenha papel essencial na formação e no desenvolvimento da criança e do adolescente, uma vez que ela é o lugar em que se ouvem as primeiras falas com as quais se constroem a autoimagem e imagem do mundo exterior.


            Kevin mora com os pais e e a irmã, é um menino proveniente de classe média, porém a família tem algumas questões no que tange a mãe em não se encarrega de maneira amorosa dos cuidados maternos, e do pai não representa a lei para o filho não sendo uma figura de autoridade. Franklin só gostava de se divertir com o garoto e prover bens que o garoto queria, porém, era ausente no que se refere ao exercício de suas funções de Pai. Franklin não percebia de fato as necessidades do menino, como por exemplo, o pedido de limites. Constatando que, além de Eva, Franklin também desampara o filho ao se negar a ver seus comportamentos agressivos e as dificuldades na relação estabelecida desde o início entre Kevin e sua mãe. Franklin, muitas vezes foi, de certa forma, omisso ao não perceber que Eva precisava de ajuda e que não conseguia cuidar do filho sozinha, além de achar normal as atitudes do menino. É certo que o adolescente é, tradicionalmente, um desafiador da Lei, contudo, o garoto precisa que a Lei se mantenha, tanto para dar sentido à sua rebeldia, como para barrar os excessos que ele quer ou não quer cometer (Kehl, 2004).
            Concorda-se com Goldenberg (1998) quando afirma que “a presença paterna tem a função de capacitar a criança a ter domínio da realidade, de não praticar o incesto, de não matar, de não roubar e aceitar que não pode fazer tudo que deseja sem consequências” (p. 117).
            Outro ponto que pode ser destacado se refere à dificuldade de comunicação entre os membros da família. Eva está sempre tentando conversar com Franklin sobre Kevin e expor suas preocupações com o comportamento apresentado pelo filho, mas nunca consegue ter um diálogo com o marido. Na cena em que ela tenta dizer para o marido que Kevin pode ser responsável pelo acidente da filha mais nova, ele apenas lhe diz: você precisa conversar com alguém”, isentando-se da responsabilidade de conversar sobre o filho e demonstrando a sua dificuldade em assumir uma posição frente às atitudes do mesmo.

            Na família de Kevin, no entanto, ambos os pais parecem não se sentirem confortáveis com as atribuições que os papéis de pai e mãe comportam, parecendo ter dificuldades para assumir as responsabilidades pelo garoto, uma vez que as regras não eram estabelecidas, as suas necessidades não eram ouvidas e seus problemas muitas vezes negados. Os pais não assumiam os riscos de educar o filho, assim pode-se pensar que Kevin parece ter sido vítima de um abandono materno e paterno (Kehl, 2003). Pois ninguém conseguia falar sobre Kevin.

OS TIPOS DE VIOLÊNCIA:

NEGLIGÊNCIA

            Para Azevedo e Guerra (1998), a negligência é descrita quando os pais ou responsáveis pelas crianças e adolescentes não agem no sentido de suprir as necessidades físicas, de saúde, educacionais, higiênicas de seus filhos, de não supervisionar suas atividades, as quais proporcionam um desenvolvimento biopsicossocial saudável e isento de riscos. Os autores afirmam também que a negligência ainda se apresenta como uma violência diferenciada das outras, visto que não é caracterizada pela ação dos pais, mas sim pela omissão.

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