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Análise do Filme - Precisamos Falar sobre o Kevin

Por:   •  19/10/2017  •  Resenha  •  1.291 Palavras (6 Páginas)  •  638 Visualizações

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ANÁLISE DO FILME “PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN”

Sinopse do filme: O longa conta a história de Eva, uma bem sucedida escritora que tem sua vida transformada ao descobrir uma gravidez indesejada. A trama se passa com cenas de lembranças não lineares da infância de Kevin, sua adolescência, a segunda gravidez e sua vida atual, onde busca se reestruturar depois dos acontecimentos que marcaram tragicamente a vida de toda cidade.

Análise: Lançar um olhar psicológico sobre a história narrada no filme Precisamos falar sobre Kevin, causa um certo desconforto. Baseado no censo comum de que toda mãe é amorosa, todo filho é desejado, celebrado e amado incondicionalmente com raras exceções, analisar a história de Eva e Kevin causa no mínimo alguns questionamentos. Dentro do conteúdo trazido pela temática, iremos analisar cada personagem principal para tentar entender a dinâmica desta família e como a psicologia observa os fatos neste caso.

Eva e Kevin na relação mãe e filho: Eva não aceitou a gestação desde o início, parecia estar sempre incomodada com a situação como mostra várias cenas do filme. Segundo Winnicott (1958/2000), a mulher entra em um estado psíquico de preparação nas últimas semanas de gestação. Existe toda uma organização interna sobre o papel materno a exercer, a amamentação, as trocas, o embalo, cuidado entre todos outros papéis incumbidos a mãe. Eva não estava preparada para maternidade. A não aceitação da criança fez com que Eva entrasse no contexto materno contrariada, mesmo na hora do parto a dificuldade em conduzir e saber como ajudar o processo o que pode ser interpretado como rejeição à criança.

Winnicott (1987/2002) ainda nos fala da relação mãe/bebê na cena em que Eva segura Kevin no alto, enquanto ele chora. Chegando a sentir alivio ao som ensurdecedor de britadeiras numa obra civil em comparação ao choro do filho. Existe uma dificuldade em aconchega-lo e acolhe-lo. Winnicott (1987/2002) afirma que segurar a criança com segurança ajuda no desenvolvimento emocional de cada fase do ser e ajuda a assentar a base da sua personalidade a ser construída. Também nomeia como ambiente facilitador, ou seja, “ambiente em que os processos evolutivos e as interações naturais do bebê com o meio podem desenvolver-se de acordo com o padrão hereditário do indivíduo” e Eva não parece ter conseguido oferecer tal ambiente para o filho.

À medida que Kevin crescia agressões entre mãe e filho eram frequentes. Não havia um envolvimento sadio, a cada dia Kevin se mostrava mais dissimulado, chegando a agredir e contrariar Eva propositalmente enquanto, apesar de não se observar um afeto genuíno, ele se comportava de forma mais tranquila com o pai.

Sobre a dinâmica desta família: O pai foi uma figura ausente durante todo desenvolvimento do filho, mesmo que reservasse algum momento para brincar com Kevin, sua relação não era de qualidade. A figura paterna que tem como função ser apoio da mãe e representa regras e limites para os filhos o que não era bem representada por este pai. Goldenberg (1998) quando afirma que “a presença paterna tem a função de capacitar a criança a ter domínio da realidade”. A cada nova queixa ou observação de Eva sobre o comportamento inadequado de Kevin, o pai se esquivava da responsabilidade ou da capacidade de assumir a verdadeira personalidade do filho.

Culturalmente acredita-se que a responsabilidade da formação da criança recai basicamente toda para a mãe. A maternidade segue sendo cercada por uma série de deveres, funções e prerrogativas e ainda parece assumir uma função maior de grandeza se comparada à paternidade (Badinter, 1985). Neste contexto, podemos dizer que pai e mãe não estavam confortáveis em seus papéis. Kevin não recebia neste ambiente, condições para um desenvolvimento saudável. Havia um déficit de afeto por parte da mãe e de limites por parte do pai. Nem mesmo quando Eva teve seu segundo filho e que em um acidente doméstico muito suspeito que causou a perda de um olho da irmã mais nova, despertou a consciência do pai para o desvio de comportamento de Kevin, alegando sempre ser coisas de criança e em outras ocasiões desacreditando nos relatos de Eva.

Kevin: sinais de agressividade foram observados desde a infância, contra mãe, contra a irmã, colegas de escola. Não se fez menção no filme sobre nenhum relacionamento do adolescente com alguma outra pessoa, mostrando um comportamento antissocial. Existem pesquisas e artigos que relatam casos de psicopatia infantil onde defende-se a ideia de que a criança não pode ofertar aquilo que não recebeu ou seja, se não recebeu amor e afeto em seu desenvolvimento ela não é capaz de expressar o que não conhece a outras pessoas. Kevin procurou atingir a mãe em todos os momentos e de várias formas, mesmo quando sem sucesso Eva tentava se aproximar do filho. Pode-se acreditar que Kevin esteve exposto a esse ambiente não favorável a formação de sua personalidade, apresentando sinais de transtornos de conduta desde a infância. A característica manipuladora e dissimulada que usava contra sua mãe, conseguindo manejar sua vontade pelo sentimento de culpa que Eva trazia. Sentia ter sido uma mãe negligente, desconsiderando aqui a possível depressão pós parto e o fato de que com o segundo filho a postura materna foi adequada, suficiente, aumentando sua culpa.

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