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UMA BREVE ANÁLISE PSICANALÍTICA DO LIVRO “A METAMORFOSE” DE FRANZ KAFKA

Por:   •  14/9/2018  •  Trabalho acadêmico  •  1.953 Palavras (8 Páginas)  •  30 Visualizações

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DE PORTO ALEGRE

História das Ciências da Saúde

RIVKA BARROS PEREIRA

UMA BREVE ANÁLISE PSICANALÍTICA DO LIVRO “A METAMORFOSE” DE FRANZ KAFKA

Porto Alegre

Junho/2017

INTRODUÇÃO

        Neste presente trabalho será apresentada uma análise feita sobre a obra de Franz Kafka, “A Metamorfose”, escrita em 1912. A abordagem teórica, as premissas e as ideias centrais usadas para a análise são embasadas na Psicanálise de Freud.

        É objetivo desse trabalho trazer os principais conceitos de Freud no que se refere ao Consciente, Pré-Consciente e Inconsciente, assim como também os conceitos de Id, Ego e Superego apresentados de uma forma prática na vida e realidade do personagem principal, Gregor Samsa.

        O trabalho não visa explicar a obra e também não tem o intuito de narrar a história. Sendo assim, para uma melhor organização, os comentários acerca da história serão feitos após os trechos que aqui também serão dispostos.

  1.  “A Metamorfose” - PARTE I

1.1        “Certa manhã, ao despertar de sonhos intranquilos, Gregor Samsa encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso…”

        Nesse primeiro trecho do livro é possível estabelecer duas conexões acerca das ideias de Freud escritas em seu ensaio Mal-Estar na Civilização. A primeira é em relação ao conceito de Sublimação, isto é, parte da ideia que o ser humano é essencialmente um sistema de energia e deve, portanto, comportar-se de acordo com o Princípio de Conservação de Energia, segundo essa lei, a energia não pode ser destruída, apenas transferida ou transformada. Nesse sentido, as pulsões instintivas - e aqui também se aplicam os instintos sexuais - que existiam em Gregor na sua forma humana, agora tiveram de ser transformadas no seu atual estado metamorfoseado. Pode-se dizer que essas energias agora estão concentradas no seu mais primitivo instinto animal, na busca pela sobrevivência, e no seu modo de vida como inseto, todavia, elas não foram destruídas, apenas transferidas.

        A segunda conexão estabelecida entre a metamorfose de Gregor e as ideias Freud está na terceira parte do seu ensaio o Mal-Estar na Civilização, no qual Freud discorre sobre as exigências da sociedade sobre os indivíduos e os impactos que elas causam neles. Freud afirma que as três exigências mais fortes da civilização é a beleza, a limpeza e a ordem, ou seja, voltando à obra de Kafka, é possível perceber justamente a contradição do estado de inseto de Gregor em relação à beleza (o inseto monstruoso não pode ser belo), à limpeza (o inseto come alimentos podres e rasteja no chão sujo), e à ordem (o inseto não segue um conceito de organização). Dessa forma, a metamorfose transforma Gregor no oposto daquilo que a sociedade espera de um indivíduo adequado.

1.2        “Estou no maior aperto, mas saberei trabalhar para sair dessa…”

        De modo geral, Gregor Samsa apresenta, durante toda a obra, um equilíbrio muito forte entre o Id, Ego e Superego. Na maior parte do tempo, seus pensamentos e reflexões sobre a vida se organizam no seu Consciente de forma que o ajuda a encarar as dificuldades do seu estado metamorfoseado.  Nesse trecho é possível perceber as convicções do personagem acerca da realidade e suas demandas.

1.3        “Senhor gerente, peço que o senhor não vá embora sem antes ter me dito uma palavra que seja que me mostre que o senhor pelo menos me dá um pingo de razão!”

        Essa exclamação é feita após uma longa reflexão de Gregor. De acordo com Freud, tudo aquilo que está no pensamento ou que é buscado do Inconsciente pelo indivíduo agora é Consciente. Na frase referida, Gregor está na tentativa de afirmar as ideias que estão no seu Consciente, ou seja, ele busca, pela comunicação, um recurso para confirmar que aquilo que está no seu pensamento, é de fato verdadeiro. Acerca disso, Freud diz “Tal qual as coisas físicas, as psíquicas não são necessariamente aquilo que parecem ser na realidade”. Esta poderia ser uma justificativa para a qual Gregor deseja conhecer o que de fato seria a realidade.

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