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OBRA EM ESTUDO DIRIGIDO: ARANTES, Esther M. de M. Pensando a Psicologia aplicada à Justiça. In: ______. Psicologia Jurídica no Brasil. Rio de Janeiro: NAU, 2004.

Por:   •  19/9/2019  •  Resenha  •  3.195 Palavras (13 Páginas)  •  67 Visualizações

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UNIRIO / CCJP                                                                         CURSO: DIREITO – 2019.2

DISCIPLINA: PSICOLOGIA JURÍDICA                                     PROF.: LUIZ OTÁVIO

ALUNO: VICTOR MANAIA GONÇALVES CHAVES                     MAT.: 20171361005

OBRA EM RESUMO: MAURANO, Denise. Para que serve a psicanálise? Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2010.

O texto inicia com o questionamento sobre para que serve a psicanálise, conforme nome da obra, apresentando diferentes vertentes. A primeira parte da hipótese de ser um tratamento, questionando: o que pretende tratar; no que pode ajudar, e ainda; qual a diferença entre um psicólogo e um psicanalista. A segunda vertente trata da inserção da psicanálise no universo dos dispositivos inventados pela cultura e seu papel para marcar a orientação ética na abordagem da condição humana. A resposta, segundo a autora, não é uma tarefa fácil, sobretudo porque a objetividade tão cara ao discurso científico é impotente para abordar a complexidade do psiquismo humano.

        O texto passa a tratar então da psicanálise no mundo atual. A autora argumenta numa mesa-redonda em participou um integrante argumentou que as novas tecnologias de processamento e difusão de informação - como internet, televisão, rádio e similares - seriam os efetivos espaços vivenciais contemporâneos, e, para ele, falar a um analista sobre problemas, explorar ideias, reflexões, estaria ultrapassado frente às novas inquietações e aos recursos disponíveis em nossos tempos. Menciona ainda que em um programa de televisão um cientista se disse surpreso por ter esperado que a tecnologia se desenvolvesse muito mais na direção da facilitação do trabalho, execução de tarefas, e não tanto nesse outro sentido da comunicação entre os homens. Assim, o que mais se acelerou em nossos tempos foram os laços que nos ligam, ou tentam nos ligar, uns aos outros.

Nesse sentido, a autora argumenta que se em outros momentos da história da humanidade o homem apelava a outros valores para se haver com as dificuldades da vida — como a constituição da lei, a fé em Deus, as luzes da razão —, na contemporaneidade parece ser no anseio de criar laços, de comunicar-se, que o homem aspira a encontrar a salvação para suas dificuldades e desamparo – tão desamparados e em dificuldades como nós. É apresentado no texto o caso de uma pintura onde encontram-se cegos apoiados nos ombros dos outros mas que juntos não sabem onde vão chegar. Tal cena é de forma semelhante representada na peça “Till – a saga de um herói torto”, onde três mendigos cegos perambulam pela Europa medieval em busca de comida, apoiando suas dificuldades e desamparo nos demais.

Por estas razões, a autora defende que estamos sob o império de Eros, com tendência a promoção de laços – ainda que virtuais. Além disso, que em função da inquietação da falta, vivida na contemporaneidade - como falta de amor ou insatisfação sexual – surgiu a psicanálise, que serve para tratar dos impasses decorrentes da falta ou insatisfação. E que ainda que muita coisa tenha mudado desde a invenção da psicanálise, não crê que tenhamos nos deslocado do apelo à libido como modo de operar com nossas inquietações nem resolvido tais impasses, ainda que o mundo ofereça outras alternativas diversas para responder a ideia de “bom exercício da libido” ou resolução das dificuldades da vida.

A autora argumenta ainda que diante da profusão de estratégias disponíveis, o caminho que um sujeito trilha desde a constatação de seu mal-estar até chegar a um tratamento psicanalítico costuma ser bastante alongado, usualmente depois de inúmeras tentativas fracassadas de suprimir seu mal-estar.

A psicanálise, de acordo com o texto, foi a de ser uma estratégia para tratar desse vazio, que na maior parte do tempo traduzimos por falta de alguma coisa ou falta de alguém.

“Não podemos nos livrar daquilo que constitui propriamente a nossa humanidade, a nossa diferença em relação aos outros animais. O que pode ser alterado é a maneira como vivemos a experiência da vida, a posição que ocupamos ao nos defrontarmos com a falta daquilo que supostamente iria nos tornar completos”.

Assim, nossa condição humana subverte as determinações do instinto e nos torna errantes, suplicantes de algo que nos oriente, que nos complete e acene com a possibilidade de precisão na adequação de nossas ações, dado que nunca sabemos direito se o que resolvemos fazer está certo ou não e temos de lidar com inúmeras variáveis. Como exemplo, não comemos meramente por fome; nossas atividades sexuais não se limitam às funções biológicas, e; nosso sono tampouco. As coisas não são o que são, mas o que representam para nós e o que nos rege não é propriamente um instinto, mas algo de outra natureza, que Freud propõe chamar de pulsão.

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