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Resenha Critica Sobre o Documentário: “Carne e Osso”

Por:   •  31/3/2016  •  Resenha  •  1.588 Palavras (7 Páginas)  •  9.979 Visualizações

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Resenha critica sobre o documentário: “Carne e Osso”, com base nas disposições da NR36.

O Documentário nos mostra o dia-a-dia de quem trabalha nos frigoríficos de manipulação de carnes (aves, bovinos e suínos), trabalhadores esses que se depara com uma série de riscos, riscos esses que são desconhecidos por uma grande parte da população, sendo que as pessoas sequer imaginam à que situações são submetidas esses trabalhadores.

Ainda que a exposição à instrumentos cortantes seja o óbvio a se pensar, a realização de movimentos repetitivos, na qual que podem vim à gerar graves lesões e doenças, a pressão psicológica para dar conta do intenso ritmo de produção e atingir as metas estipuladas pelo empregador, fazem parte de um ciclo no qual o trabalho que é desempenhado nos frigoríficos seja prejudicial ao trabalhador.

Esse é o duro cotidiano de trabalho nos frigoríficos brasileiros que é mostrado pelo documentário “Carne e Osso’’.

O Documentário alia imagens impressionantes a depoimentos de pessoas que trabalham nesses tipos de frigoríficos, que nos mostram uma realidade que deve ser encarada com a devida seriedade pela iniciativa privada, pela sociedade civil e pelo poder público, ostra situação trabalhista nas indústrias processadoras de proteína animal, fazendo uma “investigação multimídia” sobre os acidentes, doenças e outros problemas decorrentes do trabalho nas indústrias de abate de aves, suínos e bovinos.

Em 19 de abril de 2013 foi publicada no Diário Oficial da União a Portaria nº555, de 18 de abril de 2013, aprovando a Norma Regulamentadora nº36 - Segurança e Saúde no Trabalho em Empresas de Abate e Processamento de Carnes e Derivados.

Conhecida como NR dos Frigoríficos, a norma busca a prevenção e a redução de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais, com adequação e organização de postos de trabalho, adoção de pausas, gerenciamento de riscos, disponibilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) adequados, rodízios de atividades, entre outras.

A NR-36 foi assinada pelo ministro do Trabalho e Emprego Manoel Dias e tem prazo de até seis meses para que as mudanças entrem em vigor, com exceção de alguns itens que demandam mais tempo, como intervenções estruturais (12 meses) e alterações nas instalações das empresas (24 meses).

Uma das principais exigências da NR é a concessão de pausas aos trabalhadores distribuídas ao longo da jornada diária. O documentário “Carne e Osso'', segundo os envolvidos, contribuiu com esse processo.

Danos físicos e psicológicos causados pelas condições de trabalho

A Juliana Varandas, terapeuta ocupacional do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) de Chapecó (SC) relata que: “Cerca de 80% do público atendido aqui na região é de frigoríficos. Ainda é um pouco difícil porque o círculo vicioso já foi criado. O trabalhador adoece e vem pro INSS. Ele não consegue retornar, ele fica aqui. E as empresas vão contratando outras pessoas. Então já se criou um círculo que agora para desfazer não é tão rápido e fácil''.

Ritmo frenético de produção

Ex-funcionários de um dos frigoríficos mostrado no documentário, fazem um misto de reclamações com desabafos curiosos, relatando que quem trabalha nesses frigoríficos começam desossando três coxas e meia, depois de um tempo que estão lá, o empregador começa a exigir que eles aumentem a produção de uma forma em que o bem-estar do trabalhador fique em segundo plano, só pensando nos lucros financeiros da empresa.

Quando o funcionário saí, ele já desossava sete coxas por minuto, o mesmo não tem liberdade para ir ao banheiro, não pode sair da bancada de produção sem pedir ordem para o supervisor dele ou para o seu encarregado.

Problemas com a Justiça e o desinteresses por parte do empregador em resolver os problemas

Ouvindo o desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª região (TRT-3), Sebastião Geraldo de Oliveira, o mesmo fala que; “O trabalho é o local em que o empregado vai encontrar a vida, não é o local para encontrar a morte, doenças e mutilações, e isso no Brasil, infelizmente, continua sendo uma questão séria”.

Esse é um problema de interesse do conjunto da sociedade, não é só de um setor, no qual o Estado tem que se posicionar, não se pode fazer de forma tão vaga e impune em relação às ações em que levam ao adoecimento e à incapacidade tantos trabalhadores.

Basicamente, é conscientizar essas empresas para planejarem e projetar melhor essas tarefas, adequando as condições do trabalho nesses frigoríficos às recomendações da NR 36.

Para que se consiga êxito com o objetivo da NR 36, é preciso haver uma fiscalização de forma eficiente e inteligente, fazendo um paralelo com o valor da multa aplicada e o valor da despesa da empresa para que ela se adeque à boas condições de trabalho de seus funcionários, pois, um ponto relatado no documentário é de que, o valor da multa hoje aplicada é bem menor daquele que a empresa gastaria para se adequar as condições exigidas pela NR 36, fazendo com que essas empresas achem mais viáveis fazer o pagamento da multa aplica, do que virem a se adequar as condições.

O Documentário “Carne e Osso”, mostra como é feito o trabalho nos frigoríficos de abete de aves, bovinos e suínos, de uma forma mecanizada, na qual não dispensa os esforços humanos para a realização dos cortes perfeitos, artísticos, decorrentes de repetição anticriativa, da retirada das vísceras dos animais, em tempos absolutamente cronometrados sob olhares vigilantes de inúmeros fiscais, pelos os quais nos fazem lembrar do tempo da escravidão, que, sequer, dão às trabalhadoras chances de trocarem informações enquanto executam suas tarefas repetitivas, cansativas, ao mesmo tempo em que são proibidas de expedir tempo superior a três minutos para fazer suas necessidades fisiológicas em casos extremos.

O trabalho desempenhado nesses frigoríficos, meramente mecânico, resulta à seus funcionários uma série de problemas como, intensa depressão, agravada por salários miseráveis dispostos em longas jornadas de trabalho, enquanto os empresários cuidam de descartar as possibilidades dessas doenças, que, dizem, são próprias dos desocupados.  O número excessivo de acidentes, por conta desse cotidiano desumano, só comprova a selvageria a serviço da produtividade, permanente fonte de infelicidade dos trabalhadores do setor, aos quais, pouca atenção tem sido dada por parte das autoridades governamentais, dos políticos, dos estudiosos, conforme expõe o documentário CARNE E OSSO, sendo considerado por parte dos críticos como um verdadeiro inferno gelado.

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