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Resenha Filme Triste Fim De Policarpo Quaresma

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Por:   •  12/10/2013  •  646 Palavras (3 Páginas)  •  1.336 Visualizações

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Através da mistura de “raças”, foi-se construindo a identidade cultural, identidade essa que tem matrizes fincadas, segundo os filmes, na figura do índio, do português e do negro (Afro). Mas, apesar dessa construção ter sido derivada de diferentes origens, o povo brasileiro se comporta como um povo uno, com identidade própria ratificada na mistura de diferentes povos.

No contraponto com a visão, acerca do papel exercido pelo índio na cena de fundação da nossa cultura, o indianismo revisitado de Quaresma desvia-se do eixo da discussão que perfaz o caminho da integração das raças, para se fixar, na absorção dos valores socioculturais do índio - sua língua, seus costumes, na tentativa de desrecalcá-los. Ao aproximarmos o indianismo de Quaresma ao de Darcy, que é uma fonte de sua motivação nacionalista, temos um cruzamento de discursos que, se alimentando ambos de uma retórica idealista, atingem, porém planos socioculturais e políticos bastante diferenciados. Enquanto “Povo Brasileiro” discute a formação do povo brasileiro, “Policarpo Quaresma”, presentifica a questão indianista, alojando-a no seio de uma recente e conturbada sociedade republicana e, com isso, desloca o indianismo do plano do imaginário, de extração literária e nacionalista, para o campo dos embates sociais e políticos do seu tempo.

A retórica mítico-ufanista, com o personagem, Major Quaresma, atualiza-se num plano da realidade imediata, concreta, num visionário projeto de feição reformista, mas socialmente engajado, com claras implicaçoes políticas. Nesse “quixotesco” deslocamento de planos temporais e formais não é mais possível à presença física do índio em encenações históricas; nao há mais a presença de um herói ou de uma raça autóctone; o que se evoca então na matriz indianista de Quaresma são apenas valores linguísticos e sociais de um índio distante e marginalizado, em contraposição aos valores já estabilizados do colonizador. Uma situação comum pode ser detectada: o apagamento, a ausência do índio propriamente dito no contexto em que as obras são produzidas. O índio estaria na “origem”, teria uma cultura, mas já nao tem presença humana concreta, já nao contracena com os pares da sociedade oitocentista.

Do índio Darcyriano restou sobretudo um passado mítico, uma figuração idealizada e a-histórica; já em Policarpo Quaresma, subsiste fragmentariamente o espectro de seus valores culturais, ironicamente pontuados na contramão da história do colonizador.

Do enquadramento nacionalista de Policarpo Quaresma ficam de fora o negro e sua cultura. Isto é curioso porque, no contexto em que o filme transcorre distante é a figura do índio enquanto que o negro é uma presença bastante visível. Além do que, a abolição foi uma das bandeiras do movimento republicano e nada seria mais plausível do que a incorporação do negro no projeto nacionalista de Policarpo Quaresma, que era um defensor do poder constituído, (defesa que se mantém em função daquilo que ele considera como altamente patriótico). Num certo sentido, a elisão do negro do projeto de Quaresma ecoa as dificuldades que então rondavam o exercício intelectual no que concerne a representação da cultura negra.

Os dois filmes aqui discutidos (Povo Brasileiro e Policarpo Quaresma), no entanto usam de um discurso modelador para enquadrar as matrizes e determinar como

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