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Reflexão - Precisamos Falar Sobre Kevin

Por:   •  18/9/2015  •  Resenha  •  686 Palavras (3 Páginas)  •  421 Visualizações

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Precisamos falar sobre Kevin (2011), mostra a história de um casal que não consegue conversar sobre seu filho, Kevin, nem ao menos reconhecer seu comportamento atípico. É um suspense psicológico que nos mostra pelas lembranças de uma mãe, Eva, sobre o nascimento, desenvolvimento e desfecho da história de seu filho mais velho. O filme não tem ordem cronológica, misturando acontecimentos vividos por Eva após o evento catastrófico planejado por seu filho, com memórias desde antes de seu nascimento e cenas onde predominam a cor vermelha. Durante a trama muitas vezes podemos ver o andamento de um pesadelo que, na verdade, é real.  O filme provoca o sentimento de tensão até o limite de nossa capacidade de pensar e sentir, fazendo com que sintamos a transmissão das emoções dessa dupla mãe-filho que vivem um relacionamento vazio e violento.
Durante o filme, vão surgindo questões a se pensar, como: o relacionamento entre pais e filhos, a imposição de limites, a dificuldade de comunicação sobre afeto, possíveis problemas que a depressão pós parto pode ocasionar e sobre a dificuldade dos pais em admitir anormalidades psíquicas em seus filhos.
O garoto vem ao mundo nos braços de uma mãe que aparentemente nunca o desejou. O filme mostra o relacionamento de violência entre os dois e em seguida corta para as imagens com tentativas da mãe de reparar seus erros, seja raspando a tinta vermelha jogada em sua casa após a tragédia, seja na infância de Kevin, quando tentava ser amável com ele. Kevin mostra grande desapego pelo mundo fica evidente em vários momentos e em situações de seu desenvolvimento. Ele cresce com diversas manifestações de crueldade, sem qualquer tipo de afinidade, primeiramente com sua mãe e depois com seus colegas de escola. Sem qualquer tipo de relacionamento, seja com o pai, seja com outras pessoas, como o pediatra que o acha totalmente normal e outra médica, que comenta ser Kevin um menino muito corajoso. A ausência do pai predominante durante toda a história, que se mostra incapaz de reconhecer a agressividade do em pequenos atos da infância, sempre suavizando dizendo "coisas que meninos fazem", até o momento que o incentiva à perfeição da prática da fatal arte do arco-e-flecha. Também fica claro a ausência de limites em toda a criação de Kevin, explicitada da forma mais cruel quando os pais acobertam o fato de Kevin ter supostamente causado a perda de um olho de sua irmã mais nova. Ao mesmo tempo em que Kevin se relaciona com toda família de forma quase exclusivamente violenta, sua mãe é a única realmente o conhece. Seu pai conhece apenas o seu lado bom, mas Kevin faz questão de demonstrar seu comportamento ruim com sua mãe. Eva é a única que percebe a maldade de seu filho, desde muito cedo, mas não consegue fazer nada para conter ou alterar esse caminho. Kevin mistura dissimulação, inteligência com detalhes de crueldade e ao longo da história vai preparando sua triste “obra-prima”. Eva relembra os inúmeros eventos realizados por Kevin e, de certa forma, se vê nele. Eva enxerga sua própria agressividade em seu filho e isso a imobiliza ainda mais. A mãe vem de uma carreira bem-sucedida como escritora de livros turísticos e uma vida exclusivamente a dois; desde antes do parto, a maternidade parece se configurar como um fardo muito difícil de ser carregado. Em vários pontos de vista, é nítido que Eva passa por uma profunda depressão pós-parto; contudo, o filme vai muito além disso, mostrando todos os desdobramentos do triste encontro entre características inatas e um ambiente pouco favorável. Mesmo quando sua maldade fica evidente, ninguém parece percebê-la.
Será que Kevin, sua família e toda a sociedade teriam se beneficiado, se suas dificuldades tivessem sido abordadas o mais cedo possível? Poderia uma abordagem terapêutica entre mãe e filho ter alterado o percurso de seu desenvolvimento? Até que ponto a ausência de um trabalho terapêutico focado no entendimento desse relacionamento e na expressão do afeto poderia ter alterado o desfecho fatal? Essas dúvidas vão ficar conosco, pois ainda não sabemos quanto do comportamento antissocial é decorrente do ambiente e quanto já é inato ao indivíduo.

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