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Resenha C. Wright Mills

Por:   •  22/3/2026  •  Resenha  •  1.791 Palavras (8 Páginas)  •  7 Visualizações

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Serviço Público Federal [pic 1][pic 2]

Ministério da Educação

Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

 

 

                                               A IMAGINAÇÃO SOCIOLÓGICA A promessa

 

 

Paloma Dalava Olivato

1. INTRODUÇÃO

 

O sociólogo norte-americano, que escreve na década de 60, tem em sua sociologia uma perspectiva crítica, de defesa intransigente dos valores da autonomia e liberdade individuais, e pelo desejo de ampliação da participação democrática do cidadão comum nas decisões sobre os rumos de sua própria sociedade. A obra de C. W. Mills, na qual o autor trata a respeito da imaginação sociológica, é um dos maiores clássicos das ciências sociais do século XX. A pratica da imaginação sociológica consiste na tomada de consciência sobre a relação entre o indivíduo e a sociedade mais ampla. A obra apresenta uma crítica cultural das Ciências Sociais onde o autor mostra uma defesa coerente da tradição de análise sociológica clássica, no intuito de conscientizar, sociólogos, e todos os envolvidos, das relações existentes entre o ambiente social pessoal imediato e o mundo social impessoal que está em sua volta e que colabora para moldar as pessoas. Mills chamou atenção para a particularidade do modo de pensar da sociologia, onde o pensamento sociológico não deve ser algo exclusivo para os sociólogos de formação, e sim uma qualidade que deve ser exercida por todos.  

Mills aposta enfaticamente na Sociologia como trajeto para o desenvolvimento da razão na busca pela solução de problemas sociais, ele diz “Se aceitarmos a definição grega do termo idiota como um homem totalmente privado, poderemos concluir então que muitos cidadãos de muitas sociedades são realmente idiotas”. [1] Para compreender as modificações de muitos ambientes pessoais, temos a necessidade de olhar além deles, ter a consciência da ideia da estrutura social e analisá-la.  

 

 

2. Contexto histórico do pensamento sociológico  

“O mundo Moderno depende da Sociologia para ser explicado, para compreender-se. Talvez se possa dizer que sem ela esse mundo seria mais confuso, incógnito” (IANNI, 1989, p.1).  

 As contribuições filosóficas que antecederam o século XIX, deram luz a razão como fator de esclarecimento da realidade social, bem como os fatos e os dilemas da sociedade que se desenvolvia. No entanto, foi a partir das condições criadas a decorrente as revoluções mais marcantes da humanidade, como a Revolução Francesa e Industrial, que se fez a necessidade de explicar a realidade social de forma racional e científica. A Sociologia apresenta-se, desde sua origem, como uma ciência que pensa a sociedade.  

 A sociologia reflete-se sobre a si mesma, desconstruindo-se e reconstruindo-se ao mesmo tempo. Com isso, diferentes correntes de pensamento e narrativas foram desenvolvidas ao longo dos séculos para se pensar a ciência, nesse sentido, como por exemplo, para alcançar a verdade cientifica pela verificação e para diferencia-la das questões metafisicas o chamado Círculo de Viena[2], surge no contexto histórico do século XX. Haja vista, que foram as transformações econômicas trazidas pela consolidação e, posteriormente, as recorrentes crises do capitalismo, as transformações políticas, como as novas organizações pós Primeira Guerra Mundial ou a revolução russa (de 1917), bem como as transformações sociais e cientificas, que influenciaram o surgimento do mesmo.  

Exposto a necessidade do pensamento sociológico, diversos autores chamaram a atenção para a particularidade do modo de pensar da sociologia, nos anos 1960, Wright Mills, sociólogo da tradição crítica norte-americana, desenvolveu o conceito de "imaginação sociológica", que ajudou muitos de seus alunos na época a se engajarem nos mais diversos movimentos sociais que emergiram naquele contexto.  

 

3. A reflexão a partir da “imaginação sociológica” 

De início, na obra, o autor traz para debate a “sensação de encurralamento”, as pessoas em geral parecem se sentir ansiosas em suas vidas privadas, encurralados em suas preocupações diárias. A dificuldade de situar-se na relação indivíduo-sociedade a partir de uma coletividade, seria um problema estrutural que gera incompreensão de si e a indiferença perante o mundo. O sujeito tem dificuldade de obter a consciência de que a sua realidade está vinculada com as mudanças na sociedade e na história mundial.  E tal dificuldade, segundo o autor, não se deve à falta de informação ou de razão, mas sim:  

O que precisam, e o que sentem precisar, é uma qualidade de espírito que lhes ajude a usar a informação e a desenvolver a razão, a fim de perceber, com lucidez, o que está ocorrendo no mundo e o que pode estar acontecendo dentro deles mesmos. É essa qualidade, afirmo, que jornalistas e professores, artistas e públicos, cientistas e editores estão começando a esperar daquilo que poderemos chamar de imaginação sociológica (WRIGHT MILLS, 1965, p.11).

Nesse sentido a promessa seria a imaginação sociológica, que Mills define como habilidade de conectar “história e biografia e as relações entre elas na sociedade”, capaz de proporcionar às pessoas a possibilidade de compreender o contexto sócio histórico mais amplo em que as suas vidas particulares estão inseridas e se veem afetadas, ou seja, a imaginação sociológica permite a melhor compreensão a interação do indivíduo com o meio social, uma vez que torna-se passível de se ver, com maior nitidez, as influencias deste sobre a trajetória pessoal.  

Com isso, quando um cientista social se depara com alguma situação, e busca entendê-la sociologicamente, é necessário que se faça três perguntas essenciais para analisar o contexto: “Qual a estrutura dessa sociedade como um todo? ” Ao que se refere a quais componentes essenciais e sua a correlação; “qual a posição dessa sociedade na história humana” tal qual todo o processo de desenvolvimento e modificação; e, “que variedades de homens predominam nessa sociedade e nesse período? ”. Segundo Mills, essas são perguntas formuladas por qualquer espírito que possua uma imaginação sociológica.  

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