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Resenha: 10 Origens do pensamento geográfico no Brasil - meio tropical, espaços vazios e a ideia de ordem (1870-1930)

Por:   •  12/6/2018  •  Resenha  •  2.288 Palavras (10 Páginas)  •  305 Visualizações

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Resenha: Cap. 10 Origens do pensamento geográfico no Brasil: meio tropical, espaços vazios e a ideia de ordem (1870-1930)

Resenhado por: Camila Tavares

Lia Osorio Machado, autora do presente escrito, tem como objetivo suprassumo do seu texto “mostrar como o pensamento geográfico, ‘na versão moderna’, [ a partir de 1930] participou da representação sobre o território e a população”. De início, é apresentado as características da ascensão de um projeto modernizador no Brasil (1930) das quais participam a transição do trabalhador escravo para o trabalhador livre, o aumento das diferenças econômicas e sociais regionais, o fim da monarquia e o início da república além de o principal mercado dos produtos brasileiros se transferir da Europa para os EUA. Assim sendo, ela faz um panorama histórico brasileiro caracterizando as últimas décadas do séc XIX e as três primeiras do séc XX como uma época de redefinição da identidade nacional. Essa redefinição, ela vai dizer, que é pautada pelo pensamento de um grupo ínfimo da população como o ‘olhar para dentro’ que se caracterizava por criticar uma sociedade estruturada em termos escravocratas e, igualmente, com um ‘olhar para fora’ que estabelece a pertinência do Brasil ao conjunto de nações progressistas. Dessa forma, os olhares desse grupo apresentaram-se como um divisor de águas entre um Brasil colonial e um Brasil moderno.

 As ideologias cientificas estavam articuladas pela ideia de mudança e evolução. No Brasil não foi diferente, e assim o interesse principal é discernir o papel do pensamento geográfico nas representações do território e da população, sendo em síntese, o estabelecimento do potencial e dos limites da natureza física, social e política do país diante das ideias do ‘progresso’ (MACHADO, p 310). Assim, as discussões que se faziam eram referentes a como o indivíduo se adaptaria ao meio; as características raciais; além da ‘consequência’ sobre a formação social do povo brasileiro. Esses debates não se davam num vazio geográfico, como aponta a autora, pelo contrário, “foram alimentados pelo surto de expansão das vias de comunicação e de crescimento urbano, provocando questões concretas e práticas de gestão [ as inovações no transporte e comunicação] [...] indicavam a intensificação das relações com o mercado internacional e o início da reordenação do território” (MACHADO, p. 311)

Na tentativa de apresentar e argumentar a respeito do objetivo primário do texto que é  mostrar como o pensamento geográfico, na visão moderna, participa da representação do território e da população, a autora pretenderá mostrar de um lado a tese determinista (elementos determinantes do território e da população- riquezas naturais, dimensão territorial e tropicalidade) e de outro lado subdividindo-se em 2, as teses sobre a natureza dos habitantes sendo que uma delas uma população miscigenada seria a garantia de um controle eficaz da natureza tropical e a segunda, (pessimista)”constatava uma natureza generosa com uma população heterogênea, em crescimentos desordenado incapaz de se auto organizar e gerir de forma racional o território” (MACHADO, p. 312). Em seguida pretende sugerir a respeito da interpretação sobre a natureza e a sociedade brasileira e, finalmente, definir as condições iniciais de desenvolvimento da disciplina da geografia.

Versões sobre a evolução do pensamento geográfico no Brasil

Neste momento, a autora se propõe a tratar da evolução do pensamento geográfico no Brasil que, de acordo com a mesma, “ as tentativas de contextualização das ideias geográficas e das ideias sobre a geografia do país se restringem ao período considerado como o da ‘geografia moderna’, ou seja, pós 1930. ” (MACHADO, p. 314)

Os mais qualificados a fazerem a análise contextual do pensamento geográfico, de acordo com Lia, seriam dois historiadores críticos à geografia brasileira, Caio Prado Jr. e Nelson Werneck Sodré. Em seus escritos, a geografia ocupa um lugar secundário e ambos a acusam de abandonar a história se tornando, portanto, um instrumento de ideologias alienadas. Caio Prado Jr. atribui aos geógrafos estrangeiros o que há de melhor no pensamento geográfico do país, além de apontar que os estudos geográficos brasileiros estiveram submetidos às influências menos progressistas das ciências sociais, desenvolvendo-se em meio a um desinteresse geral que se deu em detrimento do apego excessivo aos geógrafos francês em relação aos alemães

Nelson Werneck Sodré considera o pensamento geográfico moderno instrumento do colonialismo e do imperialismo atribuindo especificamente à Ratzel a responsabilidades pelos descaminhos da geografia, ao divulgar, o determinismo geográfico (MACHADO, p. 315). A crítica do autor tem como alvo a geopolítica na sua vertente geográfica. Sodré, mediante as relações que procura estabelecer entre Ratzel e os cientistas sociais, busca chamar atenção do leitor para o pensamento geográfico dos geopolíticos brasileiros que tiveram importante papel na elaboração da ideologia dos governos militares. Nas palavras de Machado, “para Sodré [...]o problema é a definição de um projeto de modernização nacional. Tomando-o como uma espécie de eixo central, ele sugere que a geografia é a disciplina que está “à direita”, na medida que o pensamento geográfico, dominado pelas teorias colonialistas, é utilizado por aqueles que subordinam o projeto de modernização à manutenção da ordem vigente, subproduto da ordem colonialista mundial. Ao contrário, a disciplina da História teria se posicionado “à esquerda”, ao adotar a teoria marxista como subsídio para um projeto de modernização libertador da nacionalidade. [...] enquanto a geografia teria sido englobada pela ideologia do colonialismo, a História optou, segundo Sodré, pala crítica de cunho científico [o marxismo], fundando o nacionalismo verdadeiro, aquele que quer a reforma total da ordem vigente, nacional e mundial”. (MACHADO, p. 316)

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