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Os Narradores de Javé

Por:   •  7/1/2021  •  Abstract  •  557 Palavras (3 Páginas)  •  7 Visualizações

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Narradores de Javé um filme dirigido por Eliane Caffé, que já somou oito prêmios recebidos, reúne diversos elementos interessantes para estudo e discussão, entre os mais marcantes podemos escolher história e memória como os primordiais para análise do filme em questão.

O filme começa com Zaquel, morador do Vale de Javé, recordando-se da história da sua terra natal e sobre o que aconteceu com as pessoas que ali moravam. A história relembrava ocorridos do passado, quando sua pequena cidade estava ameaçada devido à construção de uma hidrelétrica, que inundaria Javé. Na expectativa de salvar a cidade os moradores tentaram de tudo, até que finalmente tiveram a ideia de elaborar uma espécie de “dossiê cientifico” narrando fatos ocorridos em Javé afim de provar que a cidadezinha era um lugar de rico valor histórico que necessitava ser mantido e preservado. Entretanto havia um obstáculo, grande parte dos moradores de Javé eram analfabetos, o que impossibilitava a escrita de um documento. Já nesse ponto, pode-se analisar a presença da história oral para construção do filme. Segundo Pollak (1989, p. 02),

Ao privilegiar a análise dos excluídos, dos marginalizados e das minorias, a história oral ressaltou a importância de memórias subterrâneas que, como parte integrante das culturas minoritárias e dominadas, se opõem à “Memória oficial”, no caso a memória nacional.

Após alguns desdobramentos, o povo do Vale do Javé finalmente conseguira alguém para escrever o tão esperado “livro da salvação”, como eles mesmos chamam. Porém, ao reunir-se com os responsáveis por narrar as histórias que serão escritas e documentadas, o escrito Antônio Biá se depara com diversas histórias diferentes sobre a fundação de Javé, contadas sem fundamentos ou provas, o que, na visão do escritor, dificultou a escrita do livro.

A narrativa do povo segue sempre procurando encenar a representação do herói ocidental, de forma que a caracterização do mesmo seja repassada ao espectador com uma certa similitude entre o comportamento do narrador e do narrado. Vicentino, que buscou apresentar uma narrativa neutra e fidedigna, em um momento de enquadramento da memória, acabou recriando a imagem do guerreiro Indalécio como sujeito da história, ligando ele à uma retórica que empenha o papel de destacar o herói ligado à valentia, bravura, ao desbravamento e ao manejo de armas. Mas restou aos moradores, que também são componentes necessários na construção histórica de Javé, a posição de elementos coadjuvantes ou submissos.

A memória define aquilo que é comum a um grupo e, ao mesmo tempo, diferencia-o de outros, fundamentando e reforçando os sentimentos de pertença e as fronteiras socioculturais

Como os discursos em Narradores de Javé partem de vários lugares sociais[1], toda a combinação gerada da junção dessas diferentes posições individuais colocam em evidencia a angústia do povoado para saber quem são os sujeitos produzidos pelas diversas práticas historicamente instituídas.

Narradores de Javé coloca no centro de sua narrativa aqueles excluídos de uma narrativa oficial, a história escrita por aqueles que são politicamente e socialmente abastados, os que são, tradicionalmente, os responsáveis pela documentação da história com uma visão que se limita apenas à vivência opulenta desses indivíduos. Quando os personagens principais, responsáveis por documentar de forma cientifica um fragmento da memória de sua terra natal, são figuras que caracterizam tudo aquilo que está na margem da sociedade, isso simboliza a flexibilidade da escrita e, consequentemente, da história.

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