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Shuppak Tradução de Texto

Por:   •  27/4/2026  •  Relatório de pesquisa  •  2.115 Palavras (9 Páginas)  •  8 Visualizações

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Nesse ínicio é falado mais sobre o autor do que de fato sobre as cidades

A economia da cidade suméria foi um dos principais objetos de estudo do falecido I. M. Diakonoff. Seus estudos abrangentes e pioneiros sobre vários aspectos da antiga sociedade mesopotâmica não receberam a importância que mereciam, tanto na assiriologia como na história do Antigo Oriente Próximo e devido a isso se deparou diversas vezes com estudos que abordavam tópicos já trabalhados por ele mas que não levavam em consideração suas contribuições. (O restante da página 71 falava dos motivos por trás do baixo alcance do trabalho dele e mais coisas que não agregram muito no tema do seminário)

Diakonoff tinha plena consciência de que descrições consistentes da economia e da sociedade sumérias dependem, em grande medida, da análise de documentos administrativos sumérios. Se, por um lado, o ditado de que ‘o diabo está nos detalhes’ se aplica às dificuldades de compreensão desses documentos, havia também um segundo ‘diabo’, contra o qual Diakonoff dedicou grande parte de sua carreira: o referencial interpretativo a partir do qual tais documentos são analisados.

Diakonoff foi o primeiro a apresentar uma crítica substancial à teoria do ‘Estado-Templo’ sumério, proposta por A. Deimel. A teoria de Deimel baseava-se, aparentemente, na análise de um amplo arquivo de documentos administrativos sumérios provenientes de Telloh, datados do final do período Dinástico Arcaico. No entanto, a julgar por uma publicação de Anna Schneider, datada de 1920, portanto, muito anterior às exposições de Deimel sobre as evidências documentais, essa teoria já havia sido previamente formulada, sendo seus estudos detalhados interpretados como evidência de confirmação.

A obra de Deimel sobre o Estado-Templo sumério possuía a vantagem de ser, à época, a única de seu tipo; além disso, correspondia à compreensão então vigente da sociedade suméria e foi publicada no momento em que descobertas arqueológicas de grande impacto sobre templos sumérios estavam sendo realizadas em Uruk. Por outro lado, a crítica de Diakonoff apresentava a desvantagem de ter sido publicada em russo durante o período stalinista e, mesmo quando revisada e ampliada como capítulo de sua obra de 1959, não exerceu impacto significativo na historiografia mesopotâmica fora da Rússia.

Outras críticas importantes à hipótese de Deimel surgiram apenas posteriormente: um ensaio de Gelb, centrado nos registros de venda de terras, e outro de um autor que privilegiou o sentido literal das inscrições históricas utilizadas por Deimel para sustentar sua hipótese — este último claramente influenciado pelo trabalho de Diakonoff. Um estudo notável de Kazuya Maekawa evitou cuidadosamente questões teóricas, mas apresentou evidências para mostrar que o “estado templário sumério”, como Anton Deimel o havia concebido, foi uma construção tardia e em grande parte malsucedida de um usurpador sumério dinâmico.

 

A maioria dos estudos não russos sobre o período Dinástico Inicial da Suméria enfatiza grandes instituições em um contexto urbano. Shuruppak é, até o momento, única entre as cidades desse período, pois seus documentos têm sido utilizados para reconstruir tanto as instituições urbanas quanto a atividade econômica privada (baseada em parentesco).

Um dos objetivos deste ensaio é reexaminar a historiografia desse sítio, a fim de demonstrar como suas evidências têm sido utilizadas no estudo tanto do setor privado quanto do setor institucional. O setor privado, ou comunitário, da economia foi analisado mais detidamente por estudiosos russos. Como suas publicações não são tão amplamente conhecidas quanto outras vertentes de pesquisa sobre a Suméria do período Dinástico antigo, apresento inicialmente um breve resumo de seus trabalhos, na medida em que se aplicam a essa cidade suméria em particular, para, em seguida, proceder a uma análise mais ampla de suas evidências escritas.

AQUI COMEÇA A FALAR SOBRE SHURUPPAK

O protótipo ideal da comunidade de cidadãos livres na Assiriologia russa tem sido descrito como um agrupamento de famílias ou unidades domésticas, relacionadas entre si ou não, organizadas em torno da produção. Os membros dessa comunidade estavam ligados entre si pela posse comum de terras aráveis. Essa comunidade constituía uma unidade territorial, uma comunidade do tipo “nomo”, na terminologia marxista, denominada uru em sumério e ālu(m) em acadiano. Os dois aspectos dessa comunidade que têm sido mais amplamente discutidos são sua relação com a terra produtiva e suas formas de autogoverno.

No que diz respeito à terra, em princípio, todas as terras eram mantidas em regime de propriedade comum. A posse era distribuída entre os membros da comunidade de acordo com a qualidade do solo, bom, ruim ou intermediário, e conforme seu estado de cultivo, cultivado, parcialmente cultivado ou em pousio. Os líderes comunitários realizavam a divisão das terras entre as famílias com direitos de posse, de modo que cada unidade doméstica recebesse uma quantidade adequada de terras de cada qualidade. De acordo com essa teoria, periodicamente as parcelas eram redistribuídas, de modo que nenhuma família permanecesse permanentemente com a mesma porção de terra.

Como propôs Gelb, esse tipo de posse é bem conhecido no contexto do Império Otomano e da Síria sob mandato, onde era denominado musa (“compartilhado”). Críticos dessa proposta poderiam observar que a terra do tipo musa não é mencionada nos tratados árabes medievais sobre posse da terra; contudo, pode-se argumentar que tais tratados se concentravam sobretudo nas bases jurídicas da tributação, e não nas formas concretas de posse ou propriedade, de modo que a ausência de referência à propriedade comunal não é necessariamente significativa. Por outro lado, é possível que o sistema musa tenha sido um fenômeno local, desenvolvido em resposta a condições específicas, e não a sobrevivência de padrões gerais de posse camponesa; portanto, não se deve atribuir peso excessivo a essa comparação.

Os dois estudiosos que mais contribuíram para a reconstrução das formas comunais e familiares de posse e propriedade da terra foram Gelb e Diakonoff, os quais, embora concordassem quanto à agenda de pesquisa, divergiam em pontos fundamentais da análise. Ambos tomaram como ponto de partida as vendas de terras. Tais vendas não fazem parte dos arquivos arcaicos de Uruk, Jemdet Nasr ou mesmo de Ur Arcaica. Apenas em Shuruppak aparecem documentos que registram vendas de terras juntamente com registros administrativos, embora permaneça desconhecido o local onde eram conservados na Antiguidade (residências privadas ou um repositório central, sendo este último mais provável). Antes do período das tabuinhas de Shuruppak, transações fundiárias eram registradas em monumentos de pedra, denominados por Gelb e seus colaboradores como kudurrus, termo mesopotâmico posterior geralmente traduzido como “pedra de limite”.

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