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Análise do livro "Clara dos Anjos"

Por:   •  26/4/2015  •  Relatório de pesquisa  •  4.225 Palavras (17 Páginas)  •  1.142 Visualizações

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“O ser humano sabe que tem o poder de acabar com a miséria, fome, exclusão social, racismo, violência... pois isso foi criado por nós mesmos. É só esquecer a ganância e lembrar do amor.” Joanaina Lemos

INTRODUÇÃO

O objetivo deste Trabalho Processual é realizar uma análise da obra “Clara dos Anjos”, de Lima Barreto, e assinalar as críticas sociais e políticas presentes nela, bem como da época em que tudo se passou. O autor buscou demonstrar o preconceito racial e a consequente exclusão social, sentida na própria pele, narrando o descaso, a amargura e a ausência de perspectivas dessas camadas.

Será feita uma análise em relação aos personagens, assim como uma comparação da realidade da situação do transporte urbano daquela época e de hoje e da realidade da mulher nos séculos XX e XXI.

A finalização do presente trabalho envolverá o aprofundamento das vanguardas europeias e o resultado destes movimentos artísticos no Modernismo Brasileiro.

1. IDENTIFIQUE o tipo e gênero textual predominante na obra. Justifique:

Lima Barreto foi influenciado pelo Realismo-naturalismo, e, para ele, todos os atos humanos são resultantes de leis naturais, como a raça, o ambiente familiar, a classe social, etc.

O tipo textual utilizado na obra é narrativo, ou seja, o autor descreve a história de uma pobre e sonhadora mulata, Clara dos Anjos, filha de um carteiro e de uma dona de casa, Sr. Joaquim e Dona Engrácia, que a despeito de todas as precauções da família, é iludida, seduzida e, no final, desprezada, por um aproveitador branco, Cassi Jones, com condição social um pouco melhor que a dela. Enfim, há uma modalidade de texto na qual se conta um fato, ocorrido num determinado tempo e lugar, que envolveu personagens, objetos e situações do mundo real.

O gênero textual usado é o romance. Trata-se de um texto completo, com tempo, espaço e personagens bem definidos e de caráter verossímil. A narrativa se passa no subúrbio carioca, que é descrito pelo autor com riqueza de detalhes. Os personagens são suburbanos e o vocabulário é coloquial, ou seja, a linguagem cotidiana. Pela brevidade da obra, poderia-se ainda classificá-la como uma novela.

Em “Clara dos Anjos”, Lima Barreto quis revelar, através da protagonista, o sofrimento da mulher negra e pobre, que, por gerações – e porque não dizer até hoje em menor escala – sofre as consequências de uma sociedade escravocrata, que conceitua o negro – e, principalmente, a negra – como cidadão de segunda categoria.

2. DESCREVA a personagem “Clara” e transcreva as passagens do livro para ilustrar a sua resposta.

Clara dos Anjos era filha única, mulata, sonhadora, pobre e extremamente vigiada pelos pais, uma vez que a família temia que algo de mal pudesse acontecer a ela. Sr. Joaquim e Dona Engrácia contavam – na constante vigilância – com a colaboração da vizinha, Dona Margarida e do padrinho, Sr. Marramaque.

Clara dos Anjos foi a segunda e a única filha sobrevivente do casal
Engrácia e Joaquim [....] “o único filho sobrevivente…os demais…haviam morrido.”

Tinha dezessete anos, era ingênua e fora criada “com muito desvelo, recato e carinho; e, a não ser com a mãe ou pai, só saía com Dona Margarida, uma viúva muito séria, que morava nas vizinhanças e ensinava a Clara bordados e costuras.”

A personagem possuía todos os estigmas capazes de excluí-la do convívio da classe abastada, por isso, era sufocada pela aristocracia, um ser sem voz e oportunidade. Necessitava de alguém que a moldasse e a encaminha-se pela vida.

“Clara era uma natureza amorfa, pastosa, que precisava mãos fortes que a modelassem e fixassem. Seus pais não seriam capazes disso. A mãe não tinha caráter, no bom sentido, para o fazer; limitava-se a vigiá-la caninamente; e o pai, devido aos seus afazeres, passava a maioria do tempo longe dela. E ela vivia toda entregue a um sonho lânguido de modinhas e descantes, entoadas por sestrosos cantores, como o tal Cassi e outros exploradores da morbidez do violão. O mundo se lhe representava como povoado de suas dúvidas, de queixumes de viola, a suspirar amor.”

“[...] sua formação cultural restringem-se às aulas de bordado dadas por Margarida e aos parcos conhecimentos musicais transmitidos por seu pai, em suas reduzidas horas de convívio com a filha”.

Lima Barreto constantemente descreve a fragilidade da personalidade de Clara dos Anjos, com seus sonhos e delírios:

[...] a sua “alma amolecida, capaz de render-se às lábias de um qualquer perverso, mais ou menos ousado, farsante e ignorante, que tivesse a animá-lo o conceito que os bordelengos fazem das raparigas de sua cor”.

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